Os medicamentos injetáveis para perda de peso, como Wegovy e Ozempic, transformaram o tratamento da obesidade nos últimos anos. Mas um obstáculo persistia: a necessidade de agulhas. Agora, um novo estudo aponta que um comprimido diário pode não apenas resolver esse problema, mas também superar a eficácia das versões injetáveis já disponíveis no mercado.O orforglipron, medicamento desenvolvido pela Eli Lilly, foi testado em um ensaio clínico de fase 3 com 1.698 adultos com diabetes tipo 2 em seis países. Após 52 semanas, os resultados, publicados recentemente, mostraram que o novo comprimido foi superior à semaglutida oral — princípio ativo do Ozempic e Wegovy — tanto no controle da glicemia quanto na perda de peso.Imagem: Chalirmpoj Pimpisarn / iStockO que o estudo mostra?Os participantes começaram o estudo com uma média de HbA1c (indicador de açúcar no sangue dos últimos três meses) de 8,3% — acima do limite de 6,5% que define o diagnóstico de diabetes. Após um ano, aqueles que tomaram orforglipron reduziram esse índice em média de 1,71% a 1,91%, enquanto o grupo da semaglutida oral teve uma redução de 1,47%.Na balança, a diferença também foi significativa: os usuários do novo medicamento perderam entre 6,1 kg e 8,2 kg, contra 5,3 kg do grupo que tomou semaglutida.“O orforglipron não só atingiu os objetivos do estudo de comprovar sua eficácia em comparação com a semaglutida oral, como também demonstrou ser superior na redução da glicemia”, explica Martin Whyte, Professor Associado de Medicina Metabólica da Universidade de Surrey em artigo publicado no The Conversation.O problema das agulhas e da geladeiraA semaglutida injetável revolucionou o tratamento da obesidade, mas tem desvantagens logísticas significativas. Pacientes com fobia de agulhas enfrentam barreiras para iniciar ou manter o tratamento. Além disso, o medicamento exige refrigeração contínua na cadeia de suprimentos — um obstáculo em países de baixa e média renda, onde a infraestrutura de frio é precária.A versão oral da semaglutida já resolveu a questão das injeções, mas trouxe novos desafios: deve ser tomada em jejum, com 30 minutos de espera antes da primeira refeição, e tem baixa biodisponibilidade — apenas cerca de 1% do fármaco ingerido é efetivamente absorvido.(Imagem: myskin/Shutterstock)A vantagem da pequena moléculaO orforglipron pertence a uma categoria diferente: a dos fármacos de pequenas moléculas. Compostos químicos sintéticos, eles são pequenos o suficiente para serem absorvidos diretamente pela parede intestinal, sem a necessidade de estruturas complexas que imitem o hormônio GLP-1.Isso traz vantagens práticas significativas. Por ser mais simples de fabricar, o orforglipron tende a ser mais barato que os medicamentos peptídicos como a semaglutida. E, assim como a versão oral já existente, dispensa refrigeração — o que amplia seu potencial de acesso em regiões com infraestrutura limitada.O calcanhar de aquiles: efeitos colateraisNem tudo, porém, são vantagens. O estudo revelou que o orforglipron tem uma taxa mais alta de efeitos colaterais gastrointestinais — náuseas, vômitos, diarreia e constipação. Cerca de 59% dos participantes que usaram o novo comprimido relataram esses sintomas, contra 37% a 45% no grupo da semaglutida.Mais grave: 10% dos usuários de orforglipron abandonaram o tratamento devido aos efeitos adversos, contra apenas 4% a 5% no grupo controle.A razão provável, segundo os pesquisadores, é a concentração plasmática máxima diária mais acentuada do orforglipron — um pico que pode intensificar os sintomas.Leia mais:O que é Sarcopenia, problema enfrentado por usuários do Ozempic e Mounjaro?Canetas de Ozempic e Mounjaro cortam efeito do anticoncepcional?Adeus às injeções? EUA aprovam pílula de Wegovy para emagrecerO que vem pela frenteO estudo não comparou o orforglipron diretamente com a semaglutida injetável, mas os autores observam que a perda de peso observada em pessoas com diabetes tipo 2 foi amplamente comparável à registrada anteriormente com as injeções.A pergunta que fica é se a maior eficácia do novo comprimido compensará sua menor tolerabilidade. Em um mercado cada vez mais competitivo, a adesão ao tratamento a longo prazo — influenciada tanto pela eficácia quanto pelos efeitos colaterais — será um diferencial crucial.O orforglipron ainda está sendo testado em pacientes com obesidade, mas sem diabetes. Se os resultados se confirmarem, o medicamento pode se tornar um dos concorrentes mais promissores no mercado de emagrecimento oral — desde que os pacientes consigam suportar os efeitos colaterais a tempo de colher os benefícios.O post Pílula oral supera Ozempic em eficácia e promete revolução no tratamento da obesidade apareceu primeiro em Olhar Digital.