O PL (Projeto de Lei) que equipara a misoginia ao crime de racismo foi aprovado no Senado Federal, na última terça-feira (24), com texto base recebendo apoio unânime. A proposta, que busca tipificar o ódio contra mulheres como crime, representa um avanço significativo na proteção dos direitos femininos no Brasil.Em entrevista ao CNN 360°, a relatora do projeto, Soraya Thronicke (Podemos-MS), explicou que a legislação visa incluir a injúria misógina na Lei 7.716 de 1989, que já trata de crimes relacionados a raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. “Estamos tipificando a misoginia num âmbito coletivo, diante do fato de estarmos nos deparando com grupos na internet disseminando uma cultura de ódio contra as mulheres”, afirmou.Segundo Thronicke, a misoginia representa o nascedouro da violência contra a mulher, começando pelas palavras antes de evoluir para agressões físicas e, em casos extremos, feminicídio. A relatora destacou a preocupação com o crescente número de grupos online que propagam discursos de ódio, incluindo crianças que já estão sendo expostas a esse tipo de conteúdo. “O que nós temos recebido aqui de denúncias dos pais preocupados é algo surreal”, revelou. Leia Mais Senado aprova projeto que coloca misoginia como parte da Lei do Racismo Dia da Mulher: veja 5 direitos garantidos pela lei no Brasil Pacote de projetos voltados às mulheres entra na pauta do Congresso Penalidades mais severasO projeto prevê penalidades mais rigorosas do que as atualmente aplicadas para injúria comum, com agravantes para casos que envolvam duas ou mais pessoas agindo em conjunto. A aprovação ocorreu apesar de algumas divergências durante a votação, especialmente em relação a um destaque proposto pelo senador Carlos Portinho (PL-RJ), que não foi acatado pela relatora.Thronicke expressou frustração com a atual situação da violência de gênero no Brasil, apontando que, mesmo com o aumento da pena máxima para o feminicídio para 40 anos, os números desses crimes continuam alarmantes. “Não há nada, infelizmente, até o momento, nada fático que eu possa lhes contar, que amedronte um homem que queira matar uma mulher ou cometer qualquer crime”, lamentou.A senadora também defendeu que ainda precisa avanços adicionais na legislação, como seu projeto que propõe a liberação de armas menos letais para mulheres, como tasers e sprays de pimenta. “Nós não queremos matar, nós queremos pelo menos nos livrar”, argumentou. Ela enfatizou que a luta contra a misoginia não representa uma guerra entre homens e mulheres, agradecendo aos senadores que apoiaram a aprovação do projeto. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.