A China orientou dois cofundadores da startup de inteligência artificial (IA) Manus a não deixarem o país enquanto autoridades analisam a venda da empresa por US$ 2,5 bilhões para a Meta Platforms. Os executivos Xiao Hong e Ji Yichao, que atuam a partir de Singapura, foram informados de que devem permanecer em território chinês até novas instruções.No início de março, ambos participaram de uma reunião com representantes da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma, em Pequim, para tratar da aquisição. Após o encontro, receberam a orientação de não sair da China enquanto a revisão estiver em andamento. Pessoas familiarizadas com o caso afirmaram ao Wall Street Journal que a medida foi apresentada como uma diretriz, e não como uma proibição formal.Startup de IA foi adquirida pela Meta (Imagem: Runrun2 / Shutterstock.com)Tecnologia com origem chinesa gera reaçãoA Manus desenvolve um agente de IA capaz de realizar tarefas complexas, como elaborar relatórios detalhados e preparar apresentações. As primeiras versões da tecnologia foram criadas por engenheiros da Beijing Butterfly Effect Technology, empresa fundada por Xiao em 2022. Parte relevante da equipe, incluindo o próprio fundador, é composta por cidadãos chineses.Posteriormente, uma entidade também chamada Butterfly Effect, sediada em Singapura, passou a operar o produto fora da China. No ano passado, a empresa transferiu a maior parte de seus funcionários que estavam no país para o território singapurense.A operação que levou à aquisição por uma companhia americana gerou insatisfação entre reguladores chineses. Segundo pessoas próximas ao tema, autoridades avaliam que o movimento pode incentivar outras empresas a transferirem atividades para fora da China sem passar por análise prévia de Pequim.Leia mais:7 maiores túneis do mundo e por que foram criados na China, Austrália e mais5 tendências da ciência para ficar de olho em 2026O que são materiais supercondutores? Entenda para que servemAutoridades consideram penalidadesReguladores chineses avaliam possíveis penalidades contra a Beijing Butterfly Effect Technology e executivos ligados à Manus. Desde janeiro, o governo conduz uma revisão do acordo, destacando que aquisições internacionais e exportação de tecnologia devem seguir a legislação vigente.De acordo com registros corporativos chineses, Xiao ainda detinha 28% da entidade em Pequim no início de 2025. As autoridades investigam se a empresa reportou corretamente mudanças na estrutura societária e a transferência de operações para Singapura, além de possíveis riscos relacionados a dados de usuários.Meta disse que não haverá participação chinesa contínua na Manus após a aquisição (Imagem: Koshiro K/Shutterstock)A Meta afirmou que, após a aquisição, não haverá participação chinesa contínua na Manus e que a startup encerrará suas operações no país. A empresa também declarou que a equipe foi incorporada à estrutura da companhia nos Estados Unidos.Em nota, um representante da Meta disse que a transação “cumpriu integralmente a legislação aplicável” e que a empresa espera uma resolução adequada para a análise em curso.O post China restringe viagem de líderes de IA adquirida pela Meta apareceu primeiro em Olhar Digital.