O acidente envolvendo Oliver Bearman no GP do Japão da Fórmula 1, disputado neste domingo (29), voltou a levantar questionamentos sobre o novo regulamento técnico da categoria. Pilotos como Max Verstappen, Carlos Sainz, Franco Colapinto, Lando Norris e o próprio Bearman manifestaram suas críticas aos riscos gerados pelas quedas repentinas de velocidade provocadas pelo sistema de recuperação de energia.Um dos mais vocais sobre o assunto foi Sainz, que lidera a Associação de Pilotos ao lado de George Russell. O espanhol demonstrou surpresa com a decisão da FIA de limitar o nível de carga das baterias apenas na sessão de classificação em Suzuka, já que, os pilotos têm reforçado que o problema afeta também as corridas. Leia Mais Conheça Kimi Antonelli, líder da Fórmula 1 aos 19 anos Verstappen se diz frustrado após GP do Japão e cobra melhorias na Red Bull Fórmula 1: Sainz critica FIA após forte acidente de Bearman no GP do Japão “Temos sido muito claros ao afirmar que o problema não é apenas a classificação, mas também a corrida. Hoje tivemos sorte de haver uma área de escape. Agora, imagine Baku, Singapura ou Las Vegas. Nós alertamos a FIA de que esses acidentes vão acontecer com frequência e precisamos mudar algo logo. Espero que isso sirva de exemplo e que ouçam mais os pilotos e menos as equipes e pessoas que disseram que estava tudo bem, porque não está tudo bem”.“Estou ansioso para ver o que a FOM (Formula One Management) e a FIA vão propor. Tenho esperança de que consigamos algo melhor para Miami considerando que já vínhamos alertando sobre a possibilidade disso acontecer. Não estou muito satisfeito com o que temos visto até agora. Espero que encontremos uma solução melhor e uma forma mais segura de correr”, adicionou o piloto da WilliamsO incidente aconteceu na 22ª volta. Bearman ocupava a 18ª posição quando, ao chegar à curva 13, tentou evitar o carro de Franco Colapinto, que reduziu bruscamente a velocidade à sua frente. segundo a telemetria registrada em tempo real pela própria F1, chegou a quase 100 km/h pouco antes do contato (262 km/h contra 174 km/h).O piloto da Haas jogou o carro para fora da pista, passou pela grama, atingiu placas de sinalização, e acertou a barreira macia do trecho. Ele saiu do carro com auxílio dos fiscais, mas apresentou dificuldade para caminhar, com dores na perna direita. No impacto, Bearman sofreu uma aceleração 50 vezes maior que a força da gravidade (50G).Verstappen também demonstrou insatisfação com o cenário atual e já vem detalhando há algumas semanas os problemas que identifica nos carros desta era, alertou para o risco de acidentes graves devido ao “superclipping”:Here’s the moment Bearman went into the barriers at Spoon #F1 #JapaneseGP pic.twitter.com/XmurXApWkp— Formula 1 (@F1) March 29, 2026“É isso que acontece com esses carros. Um fica praticamente sem potência, enquanto o outro está usando o modo “cogumelo” (do jogo Mario Kart). Aí, rapidamente, você tem uma diferença de 50 a 60 quilômetros por hora. Isso é muita coisa. Às vezes pode parecer que o problema está na frenagem ou na mudança de trajetória, mas também acontece na aceleração. Isso pode acabar em acidentes graves. Quando se trata de segurança, é mais fácil pedir mudanças. Então, talvez devêssemos usar essa palavra para finalmente implementar algumas mudanças”, disse Verstappen .A desaceleração rápida de Colapinto aconteceu durante o processo de recarga da bateria. Com o motor elétrico mais potente no conjunto, os pilotos precisam usar estratégias para recuperar energia, o que pode fazer o carro operar temporariamente apenas com o motor a combustão, reduzindo sua potência.Esse comportamento gera o chamado “super clipping”, a súbita perda de velocidade ainda sob aceleração, que ocorre porque o carro, sob recarga, passa a funcionar só com o motor a combustão, que agora representa aproximadamente metade da potência total do veículo.Atual campeão mundial, Lando Norris foi mais contido nas críticas e ironizou a justificativa de que o sistema melhora o espetáculo:“Não adianta dizer (o que eu acho), sinceramente, não importa o que a gente fala. Contanto que os fãs continuem gostando, isso é tudo que importa”, disse o piloto da McLaren à ViaplayBearman foi encaminhado ao centro médico do circuito de Suzuka, onde passou por exames que descartaram fraturas. Com uma contusão no joelho direito, ele foi liberado e afirmou estar bem, mas também comentou o episódio:“Foi um grande excesso de velocidade. Isso faz parte dessas novas regras às quais acho que temos que nos acostumar, mas também senti que não me deram muito espaço. É algo sobre o qual conversamos na sexta-feira (27), com pilotos e comissários, que precisamos ser um pouco mais tolerantes e mais preparados. Alertamos a FIA sobre o que pode acontecer, e este foi um resultado realmente infeliz de uma enorme diferença de velocidade que nunca vimos antes na F1 até a entrada dessas novas regras”, disse Bearman.Colapinto também falou sobre o risco causado pelas diferenças de velocidade e comparou a situação a carros em ritmos completamente distintos na pista:“É quase como se você estivesse na volta de aquecimento e outro piloto estivesse em volta rápida. Mesmo girando, ele (Bearman) me ultrapassou, então imagine a diferença de velocidade. Em alguns momentos é realmente perigoso. Fico feliz que ele esteja bem. São coisas que estão acontecendo com esses carros. Só precisamos entender como tornar isso um problema um tanto menor”, enfatizou Colapinto.A FIA já havia indicado que pretende discutir ajustes no regulamento após o GP da China. Depois do acidente no Japão, a entidade reforçou que reuniões estão marcadas para tratar do tema nas próximas semanas, mas destacou que ainda é cedo para confirmar qualquer mudança.Regulamento de 2026 da F1 divide pilotos e muda estilo de corrida