A adoção e a persistência do trabalho escravo são apontadas como o principal fator por trás da trajetória de baixa renda no Brasil ao longo de sua história. É o que indica um estudo que reconstrói o PIB per capita do país entre 1574 e 1920 a partir de dados históricos de salários e preços, reunidos pelos economistas Guilherme Lambais e Nuno Palma. A pesquisa, publicada pela Folha de S. Paulo, indica que o país deixou de convergir com economias mais ricas ainda no século 17 e só voltou a crescer de forma mais consistente a partir da segunda metade do século 19.O trabalho, intitulado “How a nation was born: Brazilian economic growth, 1574-1920”, reúne mais de 30 mil registros históricos de salários e preços para estimar o PIB per capita ao longo de mais de três séculos.As estimativas sugerem que o Brasil teve um nível de renda relativamente elevado no início da colonização, mas entrou em um ciclo prolongado de estagnação a partir de meados do século 17. Nesse período, a renda média parou de crescer por cerca de dois séculos.Segundo os autores, o principal fator por trás dessa trajetória foi a estrutura econômica baseada no trabalho escravo. O modelo teria criado uma dinâmica de salários baixos, baixa adoção de tecnologia e, como consequência, produtividade limitada.Leia tambémSó 2,8% dos casos de estupro de vulnerável resultam em punição, mostra levantamentoRelatório mostra que 93% dos casos não chegam a condenação ou absolvição na 1ª instânciaEstudo aponta o tipo sanguíneo têm mais chance de desenvolver diabetes; saiba qualPesquisa da Universidade Médica da China fez uma revisão abrangente sobre a relação do grupo sanguíneo e doençasA pesquisa aponta três mecanismos centrais. O primeiro foi a própria condição dos escravizados, mantidos em nível de subsistência. O segundo envolve o efeito sobre trabalhadores livres, cujos salários eram pressionados para baixo pela oferta abundante de mão de obra barata. O terceiro está relacionado ao desestímulo à inovação, já que o baixo custo do trabalho reduzia a necessidade de ganhos de eficiência.Esse padrão começou a se desfazer apenas com o enfraquecimento do tráfico de escravizados. A partir daí, a economia passou a registrar ganhos de produtividade mais consistentes, com reflexos no crescimento da renda.Os resultados dialogam com interpretações clássicas da formação econômica brasileira. Os autores afirmam que os marcos temporais identificados coincidem com hipóteses levantadas por Celso Furtado, especialmente sobre a queda de renda no século 17 e a recuperação associada à expansão do café no século 19. Para Lambais, “o timing do Furtado estava correto”.Ao mesmo tempo, a explicação central do estudo se aproxima da tese do economista Nathaniel Leff, que nos anos 1970 associou o atraso econômico brasileiro à oferta contínua de trabalho barato.O estudo contribui para um debate recorrente sobre quando e por que o Brasil se afastou das economias mais desenvolvidas. Ao oferecer uma base empírica mais ampla, a pesquisa tenta reduzir a incerteza sobre a evolução da renda no país ao longo de sua história.The post Estudo liga escravidão à estagnação do PIB per capita no Brasil appeared first on InfoMoney.