Manuscrito lança luz na condenação devastadora do último rei anglo-saxão

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A trágica história de Harold, o rei que perdeu a Inglaterra para Guilherme, o Conquistador, em uma batalha infame, ainda tem grande peso na cultura popular britânica. Mas essa história talvez precise de uma releitura, de acordo com uma nova pesquisa.A Batalha de Hastings, em 1066, pôs fim ao breve reinado de Haroldo, o último rei anglo-saxão, e levou Guilherme, Duque da Normandia, ao trono da Inglaterra, mudando para sempre o país, como a história já bastante conhecida é contada na TV, em podcasts e nas salas de aula.Uma nova análise de manuscritos, no entanto, lança uma nova luz sobre a natureza da devastadora derrota de Haroldo. Leia Mais Descoberta macabra na Inglaterra revela mortes horríveis de 1200 anos Mistérios históricos resolvidos pela ciência em 2025; confira Torre de igreja de 700 anos é erguida em Londres para construção de prédio A árdua marcha de 322 quilômetros (200 milhas) que o Rei Haroldo e seus homens fizeram antes de enfrentar Guilherme, que supostamente deixou suas tropas debilitadas e mal preparadas para a batalha, nunca aconteceu de fato, afirma Tom Licence, professor de história e literatura medieval da Universidade de East Anglia, no Reino Unido. Em vez disso, argumenta Licence, as tropas fizeram essa viagem para o sul de navio.“1066 ainda é uma das poucas datas que praticamente todos conhecem”, disse Rory Naismith, professor de história inglesa do início da Idade Média na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, que não participou da pesquisa. “É um divisor de águas na história inglesa, quando um regime político foi derrotado e logo substituído por outro, com enormes consequências para a identidade cultural e institucional do reino. Os acontecimentos de 1066 são, portanto, cruciais para a compreensão de tudo o que veio depois.”Anteriormente, os historiadores acreditavam que Harold e seus homens viajaram de Yorkshire para Londres a pé. Novas pesquisas sugerem que eles fizeram a viagem de navio • Beth Spencer/Universidade de East AngliaReexaminando o registroA ideia de que os homens de Harold percorreram quase 320 quilômetros em 10 dias após uma batalha árdua em Stamford Bridge, perto de York, contra o líder viking Harald Hardrada, outro rival pelo trono, há muito tempo parecia improvável para Licence e outros historiadores, dadas as distâncias envolvidas.A história da dramática marcha por terra foi, em grande parte, uma interpretação vitoriana que se consolidou, disse Licence. Suas origens remontam a uma referência mal interpretada à frota de Haroldo sendo enviada de volta para casa na Crônica Anglo-Saxônica, um relato de eventos importantes escrito em inglês antigo pelo clero da época. Na interpretação anterior, “enviada de volta para casa” era entendido como dispersada, com os navios retornando ao seu porto de origem. Ao revisar a crônica, Licence encontrou repetidas referências a “casa”, significando Londres, onde o Rei Haroldo residia.“De repente, me dei conta de que, quando ele diz: ‘A frota voltou para casa’, ele não quer dizer que a frota foi enviada para seus diversos portos. A frota foi enviada para sua casa, Londres”, disse ele, referindo-se a um dos autores das crônicas.Veja as principais descobertas astronômicas de 2026 Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 1 de 30 Descobertas 2026 (1) - Nova pesquisa aponta que Tyrannosaurus rex (T.rex) leva cerca de 35 anos para atingir o tamanho máximo, com até oito toneladas • ROGER HARRIS/SPL - Getty Images Trocar imagemTrocar imagem 2 de 30 Descobertas 2026 (2) - Através de restos no intestino de um filhote de lobo siberiano, de 14 mil anos, cientistas encontraram vestígios de uma "refeição" que permitiram sequenciar o genoma do rinoceronte-lanudo, da era glacial • Mietje Germonpré Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 3 de 30 Descobertas 2026 (3) - Cerâmica Halafiana de uma escavação em Arpachiyah, Iraque. Imagens de plantas pintadas em cerâmica feitas há até 8.000 anos podem ser o exemplo mais antigo do pensamento matemático humano • Yosef Garfinkel Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 4 de 30 Descobertas 2026 (4) - Cientistas analisam múmia de guepardo com cerca de 2 mil anos que foi encontrada em cavernas no norte da Arábia Saudita. A descoberta permitiu coletar o DNA do animal • Communications Earth and Environment/Ahamed Boug/Divulgação Trocar imagemTrocar imagem 5 de 30 Descobertas 2026 (5) - Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências Sociais encontraram fossas de 3.000 anos com restos mortais de grandes felinos, que sugerem a existência de um "zoológico" antigo na China • Chinese Academy of Social Sciences Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 6 de 30 Descobertas 2026 (6) - O contorno de uma mão feita com pigmento vermelho na parede de uma caverna na Indonésia, há pelo menos 67.800 anos, pode ser a arte rupestre mais antiga do mundo, segundo um novo estudo Universidade Griffith. • Maxime Aubert/Griffith University Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 7 de 30 Descobertas 2026 (7) - Estudo arqueológico em obras antigas mostra práticas incomuns de tratamento durante a Renascença: uma delas era esfregar fezes humanas na cabeça para tentar reverter a calvície  • Instituto de Pesquisa e Biblioteca John Rylands/Universidade de Manchester Trocar imagemTrocar imagem 8 de 30 Descobertas 2026 (8) - Piscinas monumentais, um santuário possivelmente dedicado ao culto de Hércules e dois túmulos da época republicana foram descobertos durante escavações arqueológicas preventivas em Roma. • Superintendência Especial do Ministério da Cultura de Roma Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 9 de 30 Descobertas 2026 (9) - A zooarqueóloga do Museu Arqueológico Nacional da Academia Búlgara de Ciências, Stella Nikolova, encontrou dezenas de esqueletos de cães com marcas de cortes na Bulgária. A descoberta releva que pessoas comiam carne canina há 2,5 mil anos • Stella Nikolova / BNSF Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 10 de 30 Descobertas 2026 (10) - Pesquisadores descobriram em uma pedreira no sul da China, uma coleção de fósseis com cerca de 512 milhões de anos. A descoberta contém 153 espécies, de 16 grupos diferentes, pelo menos 59% dos novos animais são de origem desconhecidas e, não eram catalogados por seres humanos até o momento • Han Zeng Trocar imagemTrocar imagem 11 de 30 Descobertas 2026 (11) - Um grupo de paleontólogos da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria) publicou um estudo sobre a descoberta de uma nova espécie réptil a partir de um fóssil de 240 milhões de anos. O fóssil de crânio de apenas 9,5 milímetros, encontrado no município de Novo Cabrais, interior do RS, revelou uma nova espécie de pararéptil. Os paleontólogos a nomearam de Sauropia macrorhinus • Ilustração de Caetano Soares/UFM Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 12 de 30 Descobertas 2026 (12) - Uma nova espécie de anfíbio do Período Jurássico — que recebeu o nome científico Nabia civiscientrix — foi identificada na região da Lourinhã, em Portugal. Os pequenos fósseis foram descobertos em uma investigação do paleontólogo Alexandre Guillaume. O estudo foi publicado no Journal of Systematic Palaeontology. • Ilustração de Eva Carret Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 13 de 30 Descobertas 2026 (13) - Arqueólogos descobriram uma tumba zapoteca de 1.400 anos no sul do México, adornada com entalhes complexos, que foi considerada "a descoberta arqueológica mais significativa da última década". Acredita-se que uma escultura da cabeça de um homem dentro do bico de uma coruja represente o indivíduo sepultado no túmulo • Divulgação / Luis Gerardo Peña Torres INAH Trocar imagemTrocar imagem 14 de 30 Descobertas 2026 (14) - Pesquisadores encontraram o esqueleto de uma pessoa da Idade da Pedra enterrada há 12.000 anos em uma caverna na Itália. Segundo o estudo, o esqueleto era de uma adolescente com uma forma rara de nanismo. • Adrian Daly Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 15 de 30 Descobertas 2026 (15) - Arqueólogos que trabalhavam perto de Cambridge, na Inglaterra, descobriram uma vala cheia de esqueletos, com cerca de 1.200 anos, que revelam mortes de forma violenta • David Matzliach/Unidade Arqueológica de Cambridge Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 16 de 30 Descobertas 2026 (16) - Um dinossauro minúsculo e herbívoro descoberto no norte da Espanha pode mudar a compreensão dos cientistas sobre a evolução dos dinossauros que se alimentavam de plantas. A nova espécie — batizada de Foskeia pelendonum — viveu há cerca de 120 milhões de anos, durante o início do Cretáceo, e media pouco mais de meio metro de comprimento • Martina Charnell Trocar imagemTrocar imagem 17 de 30 Descobertas 2026 (17) - Pesquisadores na Turquia descobriram evidências físicas de que os romanos utilizavam fezes humanas em tratamentos médicos, de acordo com um estudo publicado no Journal of Archaeological Science: Reports. • Cenker Atila Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 18 de 30 Descobertas 2026 (18) - Cientistas desenterraram, na província canadense da Nova Escócia, o crânio de uma criatura que viveu há cerca de 307 milhões de anos. O animal é considerado um dos vertebrados terrestres herbívoros mais antigos já conhecidos e representa um momento crucial na evolução da vida animal em terra firme. A criatura, chamada Tyrannoroter heberti, possuía um crânio de formato levemente triangular • Reprodução/Field Museum Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 19 de 30 Descobertas 2026 (19) - Escavações revelaram a existência de um cemitério destinado para abrigar indigentes em Le Mans, no noroeste da França. A descoberta foi feita após análise de um mapa da cidade datado de 1736 • Inrap Trocar imagemTrocar imagem 20 de 30 Descobertas 2026 (20) - Reconstrução artística de um Haolong dongi juvenil do Cretáceo Inferior da China. Cientistas identificaram uma nova espécie de dinossauro que apresenta características nunca antes documentadas. O fóssil, datado de aproximadamente 125 milhões de anos, pertence a um iguanodontiano juvenil excepcionalmente preservado, incluindo partes da pele • Fabio Manucci Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 21 de 30 Descobertas 2026 (21) - Arqueólogos na Espanha descobriram um osso de elefante de 2.200 anos atrás e acreditam que ele pertencia a um animal que serviu como "máquina de guerra" em um exército enviado para invadir a República Romana . • Agustín Lopez Jimenez Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 22 de 30 Descobertas 2026 (22) - Um pequeno objeto chamado estatueta Adorante, descoberto em uma caverna na Alemanha em 1979 e produzido há cerca de 40 mil anos por alguns dos primeiros povos a estabelecer uma cultura distinta na Europa, apresenta sequências intrigantes de entalhes e pontos. Numerosos outros objetos produzidos por essa mesma cultura exibem marcas semelhantes. • Foto: Landesmuseum Wuerttemberg/Hendrik Zwietasch/Divulgação via REUTERS Trocar imagemTrocar imagem 23 de 30 Descobertas 2026 (23) - Na imensidão branca do Vale de Taylor, na Antártica Oriental, uma imagem parece ter saído de um filme de ficção científica: um líquido vermelho escuro e espesso escorre pela face imaculada da Geleira Taylor, caindo em direção ao Lago Bonney. Conhecido como "Cachoeiras de Sangue", esse fenômeno visualmente chocante é, na verdade, uma salmoura rica em ferro. • National Science Foundation/USA Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 24 de 30 Descobertas 2026 (24) - Pesquisadores encontraram na Patagônia um esqueleto bem preservado e quase completo de um dos menores dinossauros conhecidos do mundo, chamado Alnashetri cerropoliciensis. Ele tinha aproximadamente o tamanho de um corvo e provavelmente caçava pequenos animais como lagartos, cobras, mamíferos e invertebrados. • Gabriel Diaz Yantein, Universidad Nacional de Rio Negro/Divulgação via REUTERS Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 25 de 30 Descobertas 2026 (25) - Os primeiros fósseis de pelicossauros do Brasil foram encontrados no interior do Piauí por uma equipe coordenada pelo professor da Universidade Federal do Piauí (UFPI), Juan Carlos Cisneros. A descoberta foi divulgada em artigo publicado na revista científica Journal of Vertebrate Palaeontology • Arquivo/ Juan Carlos Cisneros Trocar imagemTrocar imagem 26 de 30 Descobertas 2026 (26) - Paleontólogos identificaram uma nova espécie de grande réptil marinho pré-histórico, que viveu nos oceanos há cerca de 70 milhões de anos. O animal, chamado Pluridens imelaki, foi descoberto em depósitos fossilíferos no Marrocos • Diversity Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 27 de 30 Descobertas 2026 (27) - A análise de uma grande tíbia desenterrada em um local remoto no noroeste do Novo México na década de 1970, mostra que ela pertence a um parente próximo do Tyrannosaurus rex, que viveu milhões de anos antes desse enorme dinossauro carnívoro, e que potencialmente foi um ancestral direto. • Chase Stone Trocar imagemTrocar imagem Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 28 de 30 Descobertas 2026 (28) - Cientistas brasileiros identificaram uma nova espécie de dinossauro gigante com ligações a um animal semelhante encontrado na Espanha, reforçando o conhecimento de que rotas terrestres conectaram partes da América do Sul, África e Europa há cerca de 120 milhões de anos. Batizada de Dasosaurus tocantinensis, a espécie é uma das maiores encontradas no país sul-americano • Reprodução Trocar imagemTrocar imagem 29 de 30 Descobertas 2026 (29) - Uma das três páginas desaparecidas do manuscrito Palimpsesto de Arquimedes, escrito no século 10°, foi encontrada no Museu de Belas Artes de Blois, localizado no centro da França. A descoberta foi feita por Victor Gysembergh, pesquisador do CNRS (Centro Nacional de Pesquisa Científica) no Centro Léon Robin para Pesquisa do Pensamento Antigo • Centro Nacional de Pesquisa Científica Trocar imagemTrocar imagemTrocar imagem 30 de 30 Descobertas 2026 (30) - Um crânio e mandíbula fossilizados encontrados no Níger pertenciam a uma criatura que possuía uma grande crista óssea no topo da cabeça e viveu há cerca de 95 milhões de anos. Batizada de Spinosaurus mirabilis, é a primeira espécie de Spinosaurus a ser identificada em mais de um século • Dani Navarro/Universidade de Chicago Trocar imagemTrocar imagem visualização default visualização full visualização gridResumindo: Harold primeiro navegou com sua frota para o norte, disse Licence, onde lutou com sucesso contra o líder viking Harald Hardrada e suas forças norueguesas em 26 de setembro de 1066. Ele então retornou com a frota para Londres. “Em vez de exaurir seus homens nessa marcha para o sul, que, obviamente, foi apontada como a causa da derrota inglesa, ele teve a oportunidade de dar descanso a eles”, acrescentou Licence.Em seguida, Harold e alguns de seus homens viajaram por terra para o sul, em direção a Hastings, para confrontar o Duque da Normandia. Enquanto isso, argumentou Licence, Harold também enviou navios a Hastings para tentar um movimento de pinça e encurralar Guilherme pelo sul, mas a frota chegou tarde demais para mudar o curso da devastadora batalha que ocorreu em 14 de outubro.Naismith disse concordar com a nova interpretação. “Os ingleses possuíam uma grande frota marítima, e há muitas evidências de navegação ao longo da costa leste na época da Conquista Normanda”, afirmou. “Um papel mais importante para esses navios nos eventos de 1066 faz muito sentido e demonstra a capacidade de Haroldo de utilizar os recursos disponíveis.”A marcha do exército inglês para o sul sempre fez parte da identidade romântica de Haroldo, disse Duncan Wright, professor sênior de arqueologia medieval na Universidade de Newcastle, na Inglaterra. Haroldo é conhecido como o último rei anglo-saxão que lutou bravamente contra as ameaças invasoras, mas cujos esforços foram, em última análise, em vão, acrescentou Wright. A marcha inspirou reconstituições em grande escala, incluindo uma em 2016 para o 950º aniversário , que envolveu 1.066 pessoas .“De fato, os ingleses ainda hoje têm grande apreço por um ‘perdedor corajoso’”, disse ele por e-mail.“Essa nova leitura também demonstra o legado duradouro da compreensão vitoriana do passado e como fatos isolados podem se transformar em cânone histórico; quando questionamos essas tradições, isso pode resultar em novas e valiosas compreensões do passado, como vemos aqui”, acrescentou ele por e-mail.A nova interpretação mostra que o rei Harold era um comandante competente, disse Licence, e não imprudente e impulsivo: “Acho que foi uma questão de sorte, na verdade. Poderia ter sido Guilherme naquele dia. Poderia ter sido Harold.”Historiadores desmentiram outra história antiga associada à Batalha de Hastings. Uma cena famosa da Tapeçaria de Bayeux , que retrata a batalha sob a perspectiva normanda, mostra Harold sendo atingido por uma flecha no olho. Na verdade, as fontes mais antigas descrevem Harold sendo morto a golpes de facão por quatro cavaleiros normandos.A Tapeçaria de Bayeux viajará da França e será exibida na Grã-Bretanha pela primeira vez ainda este ano no Museu Britânico de Londres.Licence apresentará seu trabalho em uma conferência na Universidade de Oxford na terça-feira, 24 de março, e a pesquisa também será incluída em uma biografia do Rei Harold escrita por Licence e que será publicada em breve.