Lei da misoginia tem apoio, mas gera alerta: ‘vai vetar movimentos religiosos’

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A criminalização da misoginia transformou-se em novo campo de disputa ideológica no Congresso. Apesar da aprovação no Senado com 67 votos favoráveis — incluindo os de toda a bancada do PL, como o senador Flávio Bolsonaro (RJ) —, o projeto que equipara a prática ao crime de racismo chegou à Câmara dos Deputados sob forte resistência da direita e com uma divisão exposta dentro do próprio bolsonarismo, especialmente após manifestações divergentes entre Flávio e o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro.Eduardo classificou o texto como parte de uma agenda “antinatural e agressivamente antimasculina” e pediu que fosse “completamente repudiado” — enquanto Flávio, pré-candidato à Presidência, tinha votado a favor horas antes.Nos bastidores, interlocutores avaliam que o episódio reflete a disputa por protagonismo político no campo conservador em ano eleitoral e pode influenciar a atuação da bancada do PL durante a tramitação na Câmara.Parlamentares ouvidos pela Jovem Pan defenderam o projeto, mas reconhecem a polêmica que o aguarda. A deputada Simone Marquetto (MDB-SP) resume o dilema: “A questão não é bloquear atos racistas e gerar um discurso que vai vetar muitos movimentos, inclusive religiosos.” A deputada Gisela Simona (União Brasil-MT) compartilha da preocupação: “Ele teve repercussão negativa. A questão não é bloquear atos racistas e gerar um discurso que vai vetar muitos movimentos, inclusive religiosos.”Do outro lado, o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) classificou a aprovação como “inacreditável” e prometeu articular a derrubada do projeto. Mario Frias (PL-SP) chamou o texto de “mordaça ideológica”.A pressão pelo avanço do texto vem de dados concretos: só em 2025, quase 7 mil mulheres foram vítimas de tentativas de feminicídio no Brasil. Na Câmara, esse número terá de competir com uma bancada que, segundo apuração da Jovem Pan, já se articula para barrar o projeto antes mesmo da primeira audiência.