Artemis II: tecnologia da Orion viabiliza retorno humano à Lua

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Concebida no início dos anos 2000 para o programa Constellation, a espaçonave Orion nasceu com uma missão ambiciosa: levar humanos além da órbita terrestre. Cancelado em 2010, o programa foi substituído, e a Orion redesenhada — hoje, é a peça central do Artemis, que marca o retorno humano à Lua.Nesse novo contexto, a Orion passa por sua transformação mais radical. Na missão Artemis II, ela deixa de ser um veículo de teste e assume sua função original: abrigar e sustentar uma tripulação além da órbita terrestre, algo não realizado desde as missões Apollo. Leia mais 7 em cada 10 brasileiros usam IA para tirar dúvidas de saúde, aponta estudo Drones espiões: entenda a tecnologia de monitoramento aéreo de territórios Startup apresenta robô humanoide para tarefas perigosas A Orion é na verdade composta por dois módulos integrados: a cápsula pressurizada, onde quatro astronautas vivem e operam a nave, e o Módulo de Serviço Europeu (ESM), acoplado à sua base. Fornecido pela Agência Espacial Europeia, esse segundo módulo é o responsável pela propulsão, energia, oxigênio e água a bordo.Para viabilizar missões no espaço profundo, a Orion incorpora sistemas autônomos de suporte à vida, navegação e gestão de recursos, além de interfaces avançadas para a tripulação. O ambiente interno foi projetado para operar como um sistema fechado, funcional e seguro, capaz de sustentar a vida humana sem dependência contínua da Terra.Vivendo e pilotando em espaço profundoDurante a missão Artemis II à Lua, os astronautas da Nasa Reid Wiseman e Victor Glover pilotarão manualmente a Orion pela primeira vez • Nasa Johnson/YouTube/DivulgaçãoNa missão Artemis II, a Orion testará pela primeira vez com tripulação o Sistema de Controle Ambiental e Suporte à Vida (ECLSS, na sigla em inglês). Isso inclui manter a atmosfera interna perfeitamente respirável, monitorando constantemente a pureza do ar com sensores a laser de alta precisão.A principal novidade no sistema de purificação de ar é a utilização de depuradores de dióxido de carbono regenerativos. Em vez de depender de filtros descartáveis, a tecnologia expulsa os gases tóxicos diretamente para o vácuo do espaço, permitindo um ciclo contínuo de respiração limpa e segura.Outro elemento crítico, o gerenciamento de água e resíduos será testado com os astronautas usando o novo sistema da Orion em condições reais. A ideia é garantir que, na órbita lunar, ele funcione de forma totalmente confiável, uma vez que não será possível reabastecer ou corrigir falhas facilmente durante o voo.Embora não seja uma novidade instalada na Artemis II, o glass cockpit da Orion — um painel de controle totalmente digital, composto por telas multifuncionais que substituem instrumentos analógicos — fará sua primeira operação humana real no espaço profundo.A habitabilidade também será testada por meio da ergonomia interna: assentos com absorção de impacto, organização do espaço reduzido e mobilidade dos tripulantes em microgravidade. Serão também avaliados: os trajes intraveiculares e sua integração com os sistemas da cabine, como ventilação e conexões de oxigênio funcionando, pela primeira vez, em ambiente operacional.Da decolagem ao splashdown: reformulando os protocolos de segurançaNASA’s Ascent Abort-2 Test of Orion A presença de astronautas a bordo da Artemis II demandou a ativação completa do Sistema de Aborto de Lançamento — aquele visível pino pontiagudo no topo da nave. Inativo na missão não tripulada, ele agora abriga motores poderosos, prontos para agir caso ocorra alguma falha crítica durante a ignição.Se os sensores detectarem problemas no SLS nos instantes iniciais do voo, esse mecanismo de escape é acionado. Em frações de segundo, ele separa a cápsula do foguete e leva a tripulação a uma distância segura caso algo dê errado no lançamento.Após um desgaste acima do esperado no escudo térmico da Artemis I, a reentrada da Orion foi refinada. Em vez de substituir o material — o que levaria anos —, a NASA ajustou o ângulo de entrada, o perfil de desaceleração e o uso mais preciso do skip reentry, técnica em que a espaçonave “quica” na atmosfera superior antes de realizar o mergulho final.Essa abordagem redistribui a carga térmica ao longo da descida, reduzindo picos de aquecimento e o estresse no escudo. Com isso, a Artemis II valida um perfil de reentrada essencial para operações lunares tripuladas e consolida um passo importante no desenvolvimento de tecnologias para futuras missões a Marte.Nasa adia missão tripulada para a Lua de novo: entenda os atrasos