A produção de amendoim na safra 2025/26 deve somar 1,1 milhão de toneladas, em queda de cerca de 19% sobre o volume recorde atingido na safra anterior, de 1,3 milhão de toneladas. A estimativa é da Abex-Br (Associação Brasileira do Amendoim).De acordo com o presidente da entidade, Cristiano Fantin, apesar da redução da produção os preços permanecem em queda. “Alguns produtores relatam que as.cotações estão 20% abaixo dos custos de produção”, diz. Com isso, a área de cultivo foi reduzida. Leia Mais Inpasa inicia operação em biorrefinaria para etanol de grãos Brasil abre mercado de carne suína para El Salvador Soja desvaloriza após decisão da EPA sobre biocombustíveis “A área recuou de 340 mil hectares na safra passada, para algo entre 240 e 250 mil hectares neste ciclo, o que é uma resposta direta do impacto financeiro causado pelos preços baixos sobre o produtor”, afirmou Fantin à CNN Agro.O início do plantio também foi impactado pelas chuvas irregulares nas regiões Sul e Sudeste, que concentram a produção no país. Apesar disso, Fantin acredita que as condições adversas não causarão impactos significativos na produção final.“O início do plantio foi desafiador devido à irregularidade de chuvas, mas as condições se normalizaram, o que permitiu que as lavouras de amendoim atingissem um ótimo patamar de desenvolvimento e produtividade”, explica.Instabilidade na produçãoEm 2024, a produção nacional foi prejudicada pela falta de chuvas durante a plantação. Neste ano a área caiu 35%. Os preços da leguminosa e do óleo também caíram.Em 2025, a colheita de uma safra recorde embora tenha mantido os preços pressionados, contribuiu para o aumento das exportações de óleo de amendoim (172 mil toneladas) e de amendoim em grão (312 mil toneladas). Para este ano, a expectativa do setor é de a redução da área contribua para elevar os preços.Exportações em altaSegundo a Abex-BR, cerca de 70% da produção nacional é destinada à exportação. Os principais destinos na última safra foram a Rússia (cerca de 70 mil toneladas), China (62 mil toneladas) e Argélia (40 mil toneladas), que atua como um hub de distribuição do grão no continente.Assim como outros setores, o amendoim está sofrendo com o conflito no Oriente Médio, com a alta no frete e o fechamento do Estreito de Ormuz. O setor está optando por alternativas em outros países, como Mersin, na Turquia, e Aqaba, na Jordânia.Ainda que não apresente números expressivos, essa região é um polo de expansão na exportação de amendoim.“Atualmente, países como Jordânia, Iraque, Egito e Turquia estão estreitando laços comerciais com o Brasil, somando um volume de exportação entre 5 mil e 6 mil toneladas. A expectativa do setor é que, com a consolidação dessas relações e a abertura de novos nichos, esse volume possa chegar a 10 mil toneladas ao longo da década, ajudando a diversificar os destinos do amendoim brasileiro”, destacou.