O mercado financeiro do Brasil vem crescendo e se modernizando, mas um gargalo ainda incomoda as pequenas e médias empresas: baixo acesso a crédito. O cenário é ainda mais desafiador para as mulheres que empreendem. Foi isso que Tokeniza constatou antes de lançar, na semana passada, a Elas Tokenizam. O spin-off da Tokeniza foi criado para atender empresas lideradas por mulheres que precisam de crédito para crescer. Como o nome sugere, os ativos são tokenizados – divididos em frações digitais negociávei, o que permite ampliar o acesso a investimentos e diversificar as fontes de financiamento para as companhias.Leia também: Na onda dos ETFs de renda fixa, Galapagos capta R$ 5 milhões por dia com novo produtoNa prática, será possível investir em tokens de dívidas das empresas atendidas pela plataforma em troca de um retorno combinado no momento da aplicação. A nova empresa surge com o objetivo de reduzir custos, simplificar processos e criar uma comunidade de apoio ao empreendedorismo feminino, unindo propósito social a retornos financeiros atrativos para os investidores.A ideia do projeto partiu de Patrícia Aiello, CEO da Elas Tokenizam, que já passou por instituições como Itaú e Warren. Ela conta que, ao observar a evolução do mercado de investimentos, percebeu que o mercado de crédito não acompanhou essa modernização.“O crédito não modernizou. Hoje, ainda é centralizado nos bancos que usam os modelos antigos e não têm a quantidade de dados que nós temos para traçar o perfil de uma empresa”, explica Aiello.Para as mulheres, o cenário é ainda mais restritivo. Arthur Coelho, CEO da Tokeniza, destaca que a realidade do acesso ao crédito para empreendedoras é alarmante. “Sabemos que o acesso a crédito para pequenas e médias empresas já é difícil, mas quando você vê a realidade da mulher empreendedora, é infinitamente pior”.Tokenização como soluçãoA proposta da Elas Tokenizam é utilizar a tecnologia blockchain para desintermediar as operações de empréstimo, conectando diretamente quem precisa do dinheiro com quem deseja investir. Essa remoção de intermediários resulta em um crédito significativamente mais barato para as empreendedoras.Patrícia conta que sua empresa no setor de saúde tem crédito a uma taxa mensal de 4,65% em um banco tradicional, enquanto a nova plataforma oferece alavancagem com custo entre 1,8% e 2% ao mês. Leia também: Airbnb ganha imposto em Salvador, CPI em São Paulo e novas regras no RioAs operações estruturadas com tokenização permitem personalizar as condições de pagamento de acordo com a realidade e o fluxo de caixa de cada negócio. A CEO cita o exemplo da Belong Be, empresa que está em fase de captação na plataforma, estruturada com uma carência de dois anos para o início dos pagamentos e uma taxa de juros de 1,8% ao mês.A Tokeniza, que já realizou cerca de 130 emissões sem registrar nenhum calote, afirma aplicar um processo de digilência prévia criterioso na estruturação das ofertas. “A análise dos projetos é nossa maior barreira de entrada na Tokeniza porque precisamos da confiança do investidor”, diz Arthur Coelho. Do lado de quem aporta os recursos, a expectativa é atrair um perfil de investidor que busca diversificação e, simultaneamente, impacto social. A expectativa da empresa é estruturar de duas a três operações por mês em 2026, selecionando negócios que já tenham seus modelos validados e precisem de capital para escalar.The post Elas Tokenizam: plataforma usa tokenização para baratear crédito a empreendedoras appeared first on InfoMoney.