Nova indicação ao STF deve ser feita pelo próximo presidente, defende Moro

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O senador Sergio Moro (PL-PR) defendeu que a próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) deve ficar a cargo do presidente da República eleito em 2027, após o Senado rejeitar o advogado-geral da União (AGU), Jorge Messias.Em entrevista ao Morning Show, da Jovem Pan News, nesta quinta-feira (30), o senador avaliou que, apesar das qualidades técnicas, a proximidade com o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impediu a aprovação do advogado-geral da União para a Corte.“Defendo que a próxima indicação fique para o próximo presidente. Apesar das qualidades técnicas do indicado, ele colocou a AGU a serviço de interesses políticos do PT e do presidente Lula. Assim, não pudemos aprovar um nome como esse”, afirmou o parlamentar.O senador ainda declarou que a rejeição foi “uma vitória da sociedade representada pelo Senado”. “Precisamos de um STF independente do Executivo. Chega de ‘STF do Lula’. Não é esse o modelo de Supremo que queremos. O Senado deu a resposta que a sociedade precisava”, pontuou.Ao comentar uma possível nova indicação ainda neste ano, Moro disse não esperar que outro nome seja apresentado pelo presidente. “Se houver nova indicação, devo me posicionar contra, a menos que seja um nome amplamente consagrado. Caso a indicação não atenda aos interesses do país, precisa ser rejeitada”, afirmou.Ainda na noite de quarta-feira (29), Sergio Moro comemorou, nas redes sociais, a derrota do governo Lula.Quase meia-noite. O Brasil inteiro comenta a vitória histórica do povo brasileiro com a rejeição pelo Senado do indicado ao STF pelo Lula. Queremos um Supremo independente do Governo, vinculado somente às leis e à Constituição. Todos os cantos do Paraná comemoram a vitória da…— Sergio Moro (@SF_Moro) April 30, 2026Derrota inéditaCom 42 votos contra, 34 a favor e uma abstenção, o Senado Federal rejeitou em fato inédito a indicação do AGU Jorge Messias, para uma vaga no Supremo. Ele foi o primeiro nome a não ser aprovado para o cargo desde 1894.A expectativa geral era de que o AGU fosse aprovado para a vaga deixada pelo ex-ministro Luís Roberto Barroso. No entanto, a oposição ao governo do presidente Lula se movimentou nas últimas semanas para barrar a indicação.O AGU ganhou notoriedade em 2016, quando a então presidente Dilma Rousseff disse a Lula, em ligação gravada pela Polícia Federal (PF), que iria enviar o “Bessias” para levar o termo de posse “em caso de necessidade”.PL da DosimetriaEm paralelo, o Congresso Nacional analisa nesta quinta-feira o veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, que busca reduzir as penas aplicadas a condenados por tentativa de golpe de Estado e por envolvimento nos atos de 8 de janeiro de 2023.À Jovem Pan, Moro defendeu a derrubada do veto, ao afirmar que houve desproporcionalidade nas punições impostas.“As pessoas que invadiram erraram no 8 de janeiro, porque não se pode invadir prédio público. Mas foram julgadas em um fórum inadequado, no Supremo Tribunal Federal, e sem a prova de que quebraram um copo d’água”, disse o senador.O senador também argumentou que a revisão das penas é uma questão de justiça. “Por uma questão de justiça, derrubaremos esse veto para restaurar o equilíbrio, para que possamos, adiante, discutir uma anistia mais ampla”, afirmou.