Um batalhão militar israelense que agrediu e deteve uma equipe da CNN na Cisjordânia ocupada foi reposicionado após uma suspensão de um mês, disse uma fonte de segurança israelense.A unidade de reservistas, que atua sob o batalhão ultraortodoxo “Netzah Yehuda”, passou por um seminário educacional e treinamento adicional, afirmou a fonte à CNN. Segundo a Rádio do Exército de Israel, a unidade deve retomar plenamente suas atividades operacionais nos próximos dias.Em 30 de março, soldados do batalhão detiveram uma equipe da CNN que cobria a violência de colonos na vila de Tayasir, na Cisjordânia. Um soldado aplicou um golpe de estrangulamento no fotojornalista Cyril Theophilos, derrubando-o no chão e danificando sua câmera. O chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), tenente-general Eyal Zamir, tomou uma medida disciplinar considerada sem precedentes, suspendendo a unidade em até 48 horas.Um oficial militar disse à CNN que a agressão contra Theophilos seria investigada pela polícia militar de Israel. As IDF classificaram o incidente como uma “grave falha ética e profissional”. O Exército havia afirmado que passaria por treinamentos “com o objetivo de reforçar seus fundamentos profissionais e éticos” e que o Comando Central de Israel, responsável pelas operações militares na Cisjordânia, decidiria quando a unidade poderia retornar ao serviço.A polícia ainda não divulgou conclusões nem medidas disciplinares após a investigação. O soldado que agrediu o fotojornalista da CNN não enfrentou, até o momento, nenhuma suspensão adicional ou medidas disciplinares conhecidas.Um soldado israelense aponta uma arma para Cyril Theophilos, da CNN • Cyril Theophilos/CNNPolícia israelense investiga incidente anteriorEnquanto isso, o Departamento de Investigações Internas da polícia de Israel, um órgão independente dentro da corporação, investiga um incidente anterior em que um agente quebrou o pulso da produtora sênior da CNN, Abeer Salman.Em 17 de março, Salman estava entre um grupo de jornalistas que cobria as orações do Ramadã do lado de fora do Portão dos Leões, na Cidade Velha de Jerusalém. Fiéis muçulmanos, impedidos de rezar na mesquita de Al-Aqsa devido a restrições de guerra, haviam se reunido do lado de fora das muralhas da Cidade Velha para as orações.A polícia transferiu os fiéis para outro local próximo às muralhas da Cidade Velha quando agentes lançaram granadas de efeito moral contra o grupo. Dois jornalistas foram detidos no local enquanto policiais os agrediam e danificavam seus equipamentos. Após serem liberados, a polícia ordenou que os jornalistas recuassem. Imagens do local mostram o grupo obedecendo às instruções quando um agente à paisana agarrou a mão de Salman, torcendo-a e causando uma fratura no pulso. Leia mais Israel continua ataques no Líbano apesar do cessar-fogo, diz autoridade OMS alerta para alta de ataques a hospitais com guerra no Oriente Médio Imagens revelam destruição “padrão Gaza” após ataques de Israel no Líbano Em resposta a uma série de perguntas sobre o incidente e se houve algum desdobramento, a polícia israelense inicialmente divulgou a mesma declaração anterior, que o Sindicato dos Jornalistas em Israel classificou como “factualmente incorreta”.O comunicado alegava que os jornalistas “se recusaram a cumprir as instruções da polícia” e não se identificaram como imprensa. A conduta, segundo a nota, “levantou suspeitas entre os agentes” e o equipamento de filmagem “parecia ter a intenção de provocar”.A polícia não respondeu a uma lista de perguntas da CNN, incluindo quais instruções não foram seguidas, qual conduta foi considerada suspeita e por que a posse de uma câmera é vista como provocativa.“Estamos impedidos de comentar o assunto neste momento”, disse a polícia em comunicado, referindo-se à investigação em andamento. A corporação não informou quando espera concluir a apuração.Guerra de Israel: entenda o que é a solução de dois Estados