Acompanhe a cobertura completa do caso Elon Musk vs OpenAIA estratégia de Elon Musk de se pintar como o “guardião moral” da inteligência artificial sofreu um golpe nesta quinta-feira (30). Yvonne Gonzalez Rogers, juíza responsável pelo caso, barrou qualquer linha de questionamento que envolvesse o potencial da IA de destruir a civilização. “Não vamos deixar que isso exploda para o mundo ver”, afirmou a magistrada, sugerindo que muitos podem não querer o futuro da humanidade nas mãos de Musk, conforme informou o jornal The New York Times. O “xeque-mate” das contradiçõesWilliam Savitt, advogado da OpenAI, continuou o interrogatório focando na credibilidade do bilionário. Ele exibiu um vídeo de um depoimento de Musk de setembro de 2025 que contradiz falas feitas no tribunal ontem. Enquanto no ano passado Musk disse não ter lido um documento crucial da OpenAI, ontem ele admitiu ter lido “pelo menos uma parte”.Frustrado e sarcástico, Musk voltou a repetir o mantra: “Você simplesmente não pode roubar uma instituição de caridade”. A juíza, no entanto, não aceitou a evasiva e ordenou que ele respondesse diretamente às perguntas de Savitt.Open source e o algoritmo do X Um dos pilares do processo de Musk é que a OpenAI violou sua missão ao deixar de ser “open source” (código aberto). Porém, Savitt apresentou um e-mail antigo no qual o próprio Musk admitia que, conforme a IA ficasse mais poderosa, faria sentido parar de compartilhar a tecnologia livremente.Outro ponto de tensão envolveu a rede social X:Promoção própria: Savitt perguntou se Musk alterou o algoritmo do X para promover sua conta. Musk negou.Boicote à rival: questionado se ordenou que o algoritmo rebaixasse posts da OpenAI, o bilionário também disse que não.Contexto: O The New York Times relembrou o episódio de fevereiro de 2023, quando Musk supostamente exigiu que engenheiros priorizassem seus posts após uma publicação do presidente Joe Biden ter tido melhor desempenho que a dele.Musk admite “destilação” de tecnologia da OpenAIEm um momento tecnicamente crítico para a indústria, Musk foi questionado se sua nova empresa, a xAI, havia “destilado” tecnologia da OpenAI. A destilação é o processo de usar uma IA para treinar outra, algo proibido pelos termos de serviço da OpenAI.“Geralmente, empresas de IA destilam outras empresas de IA”, respondeu Musk. Ao ser pressionado se isso era um “sim”, ele admitiu: “Em parte”. A confissão é significativa, dado que empresas ocidentais têm criticado companhias chinesas justamente por essa prática.Leia também:Musk depõe contra OpenAI e defende: se Altman vencer, “filantropia nos EUA será destruída”Musk vs OpenAI: segundo dia de julgamento tem acusação de “roubo”3º dia: Musk afirma que recusou “suborno” de ações da OpenAI e que foi feito de toloOpenAI confronta Musk e revela plano de usar a Tesla como “vaca leiteira”O argumento do “bem social”Savitt tentou demonstrar que Musk acredita que empresas com fins lucrativos podem ser socialmente benéficas, citando a Tesla e a SpaceX.Hipocrisia: se Musk vê suas empresas lucrativas como boas para o mundo, por que a OpenAI não poderia seguir o mesmo caminho?Existência da ONG: o advogado forçou Musk a admitir que a fundação sem fins lucrativos da OpenAI ainda existe, está bem financiada e continua controlando a ala lucrativa. Musk alegou desconhecimento, afirmando que “não está no conselho de administração”.Enquanto Sam Altman e Greg Brockman observavam tudo atentamente da primeira fila, Savitt encerrou sua participação. Agora, o interrogatório passa para as mãos de Russell Cohen, advogado da Microsoft, que também é ré no processo, conforme relata o The New York Times. Microsoft: “Musk sabia de tudo desde 2020”Para fechar a parte de interrogatório, o advogado da Microsoft, Russell Cohen, fez um interrogatório breve e direto, segundo The New York Times. A estratégia da gigante de software foi clara: demonstrar que Musk estava perfeitamente ciente da relação íntima e complexa entre a OpenAI e a Microsoft já em 2020.Assim como a equipe da OpenAI, Cohen reforçou a tese de que o bilionário não viu problemas na parceria bilionária por anos, decidindo processar a Microsoft apenas quatro anos depois, quando a corrida pela IA atingiu patamares financeiros astronômicos. Para a defesa, o silêncio prolongado de Musk até o sucesso do ChatGPT é a prova de que a ação não é sobre ética, mas sobre o aumento das apostas no mercado.O post Juíza proíbe papo sobre “fim da humanidade” e Musk admite uso de tecnologia da OpenAI apareceu primeiro em Olhar Digital.