Ibovespa engata 2ª queda consecutiva em abril, mesmo após superar os 199 mil pontos pela primeira vez

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O Ibovespa (IBOV) viveu uma “montanha-russa” em abril e engatou a segunda queda mensal consecutiva, em um cenário marcado por incertezas geopolíticas, cenário eleitoral, decisões de política monetária e novos recordes nominais históricos. Em abril, o índice superou os 199 mil pontos pela primeira vez, mas acumulou leve desvalorização de 0,08%. Apesar da perda, o Ibovespa acumula alta de 16,26% desde janeiro. Já o dólar acumulou desvalorização de 4,36% sobre o real no mês e terminou a última sessão do mês cotado a R$ 4,9527.Em destaque, o Congresso Nacional derrubou, nesta quinta-feira (30), o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria, que reduz a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado e de envolvidos nos ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023.Essa foi a segunda derrota do governo em menos de 24 horas. Ontem, o plenário do Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias, advogado-geral da União (AGU), para ocupar uma cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Essa foi a primeira vez desde 1894 que os senadores rejeitam uma indicação do presidente da República ao STF.Entre os dados, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego ficou em 6,1% nos três meses até março, em linha com o esperado pelos analistas consultados pela Reuters. Essa é a taxa mais elevada desde os três meses encerrados em maio de 2025.Já o IPCA-15, considerado prévia da inflação oficial, de abril trouxe um alívio parcial para o mercado, mas sem alterar de forma relevante o diagnóstico de uma inflação ainda resistente. A alta de 0,89% no mês ficou abaixo das expectativas. Em 12 meses, o indicador acelerou para 4,37%, ante 3,90% anteriormente, enquanto no acumulado do ano a alta é de 2,39%.Para o ASA, a leitura segue a mesma linha. “A despeito da surpresa baixista na leitura mensal, o balanço qualitativo do IPCA-15 de abril foi pior do que o projetado”, afirma o economista-chefe, Leonardo Costa.Política monetáriaNa última quarta-feira (29), o Comitê de Política Monetária (Copom) deu sequência ao ritmo de cortes na Selic, reduzindo a taxa básica de juros a 14,50% ao ano.“O Copom decidiu reduzir a taxa básica de juros para 14,50% a.a. e entende que essa decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante”, diz o comunicado.Os diretores mantiveram a menção ao conflito no Oriente Médio, afirmando que o cenário externo permanece incerto em meio à incertezas quanto a duração, extensão e desdobramentos do conflito.As projeções para inflação para 2026 e no horizonte relevante também tiveram ajustes para cima.Nos Estados Unidos, o omitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) do Federal Reserve manteve os juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano pela terceira vez consecutiva como amplamente esperado pelo mercado.A decisão não foi unânime: Stephen Miran votou em um corte de 0,25 ponto percentual. Contudo, o que chamou a atenção do mercado foi a dissidência de outros três membros: Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan apoiaram a manutenção dos juros, mas sem sinalização de flexibilização monetária. Essa foi a maior dissidência desde 1992.Conflito no Oriente MédioO impasse nas negociações de paz entre Estados Unidos e Irã continuaram no foco dos investidores com o Estreito de Ormuz no centro da disputa dos dois países. Desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, o fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã e uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo para o transporte de petróleo, era o principal ponto de atenção do mercado.Cerca de um quinto do consumo global da commodity passa pelo ‘corredor’, que conecta principalmente grandes produtores do Oriente Médio — como Arábia Saudita, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Catar — aos mercados da Ásia.Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que, se Washington renovar os ataques, responderá com “ataques longos e dolorosos” a posições dos Estados Unidos, complicando os planos dos EUA para uma coalizão internacional para abrir o Estreito de Ormuz.Do outro lado, o presidente norte-americano, Donald Trump, estuda um novo plano para reabrir o Estreito de Ormuz, em meio às tensões no Oriente Médio, segundo fontes à Associated Press.As maiores altas do Ibovespa em abrilUsiminas (USIM5) liderou os ganhos do mês com alta de mais de 23%. Parte da valorização deve-se à reação do mercado ao balanço do primeiro trimestre deste ano (1T26). A companhia reportou lucro líquido de R$ 896 milhões no 1T26, um avanço de 166% na comparação com o mesmo período em 2025. Na comparação com o quarto trimestre de 2025, o resultado teve um salto de 596% ante os R$ 129 milhões reportados no período.Hapvida (HAPV3), porém, foi o grande destaque do mês, com mudanças no alto escalão e na participação da família fundadora no capital social da companhia. No início do mês, a empresa informou que Jorge Pinheiro deixará o comando da companhia, após 27 anos, para assumir uma posição no conselho de administração. Luccas Adib, atual vice-presidente financeiro, assumirá a cadeira de CEO da Hapvida. A operadora anunciou a indicação de Lucas Garrido para ocupar a vice-presidência de finanças (CFO).As mudanças no comando acontecem em meio à pressão dos acionistas. A Squadra Investimentos pediu a adoção de voto múltiplo na assembleia, em uma tentativa de influenciar a composição do conselho.Na assembleia, realizada hoje (30), a gestora emplacou três membros independentes no conselho de administração. Confira: CÓDIGONOMEVARIAÇÃO MENSALUSIM5Usiminas PNA23,00%HAPV3Hapvida ON22,67%GGBR4Gerdau PN19,00%AURE3Auren ON16,33%GOAU4Metalúrgica Gerdau ON16,28%ENEV3Eneva ON10,35%CPFE3CPFL Energia ON8,35%EGIE3Engie ON7,55%AXIA6Axia Energia PNB6,96%VAMO3Vamos ON6,45%Fonte: B3Leia mais: Comunidade de investidores Money Times reúne tudo o que você precisa saber sobre o mercado; cadastre-seAs maiores quedas do índice no mêsA ponta negativa do Ibovespa em abril foi liderada por MBRF (MBRF3), empresa fruto da fusão de BRF e Marfrig. Os papéis foram pressionados pela venda de 70 milhões de ações pelo fundo Salic. O fundo árabe ainda mantém uma participação de 11% na companhia, e parte dos recursos obtidos com a venda será destinada ao pagamento da aquisição da Olam Agri, empresa sediada em Singapura.Confira as maiores quedas: CÓDIGONOMEVARIAÇÃO MENSALMBRF3MBRF ON-19,45%YDUQ3Yduqs ON-18,58%AZZA3Azzas 2154-15,88%CYRE4Cyrela PN-15,62%SUZB3Suzano ON-15,51%CYRE3Cury ON-14,02%CYRE3Cyrela ON-14,02%MRVE3MRV ON-12,07%WEGE3Weg ON-12,06%COGN3Cogna ON-11,46%Fonte: B3