O dólar à vista enfrentou um dia agitado com reação a decisões de política monetária, indicadores macroeconômicos no Brasil e nos Estados Unidos e intervenção cambial no Japão. Nesta quinta-feira (30), o dólar à vista (USDBRL) terminou as negociações a R$ 4,9527 com queda de 0,98%, new TradingView.MediumWidget( { "customer": "moneytimescombr", "symbols": [ [ "USDBRL", "USDBRL" ] ], "chartOnly": false, "width": "100%", "height": "300", "locale": "br", "colorTheme": "light", "autosize": false, "showVolume": false, "hideDateRanges": false, "hideMarketStatus": false, "hideSymbolLogo": false, "scalePosition": "right", "scaleMode": "Normal", "fontFamily": "-apple-system, BlinkMacSystemFont, Trebuchet MS, Roboto, Ubuntu, sans-serif", "fontSize": "10", "noTimeScale": false, "valuesTracking": "1", "changeMode": "price-and-percent", "chartType": "line", "container_id": "43175fa"} ); O movimento acompanhou o desempenho da moeda no exterior. Por volta das 17h (horário de Brasília), o DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais, como euro e libra, operava com perda de 0,91%, aos 98,042 pontos.Na semana, o dólar à vista acumulou recuo de 0,91% ante o real. Em abril, a desvalorização da divisa ante a moeda brasileira foi de 4,36%. O mercado brasileiro não opera nesta sexta-feira (1º) por conta do feriado do Dia do Trabalho.O que mexeu com o dólar hoje?O mercado de câmbio reagiu a uma bateria de dados no Brasil e nos Estados Unidos, no dia seguinte às decisões de política monetária. Por aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) deu sequência ao ritmo de cortes na Selic, reduzindo a taxa básica de juros a 14,50% ao ano, ontem (29). Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a taxa de desemprego ficou em 6,1% nos três meses até março, em linha com o esperado pelos analistas consultados pela Reuters. Essa é a taxa mais elevada desde os três meses encerrados em maio de 2025.“O que os dados sugerem é que estamos em um momento de estabilidade da taxa de desemprego em nível muito baixo para os padrões do país. Mesmo que haja alguma desaceleração na criação de vagas em função da perda de ritmo da economia, o mercado de trabalho deve continuar aquecido neste ano”, avaliou Claudia Moreno, economista do C6 Bank. Já a dívida pública subiu mais do que o esperado em março, segundo dados do Banco Central. A dívida pública bruta do país como proporção do PIB fechou o mês em 80,1%, contra 79,2% no mês anterior. Já a dívida líquida do setor público foi a 66,8%, de 65,5%. As expectativas em pesquisa da Reuters eram de 79,6% para a dívida bruta e de 66,1% para a líquida.Nos EUA, o crescimento econômico acelerou no primeiro trimestre. O Produto Interno Bruto (PIB) aumentou a uma taxa anualizada de 2,0% no último trimestre, informou o Escritório de Análises Econômicas do Departamento de Comércio.Economistas consultados pela Reuters esperavam alta do PIB a uma taxa anualizada de 2,3%. As estimativas variavam de um ritmo de contração de 0,2% a uma taxa de crescimento de 3,9%.Para o ING, o crescimento da economia norte-americana no primeiro trimestre foi impulsionado por investimento em tecnologia. “Em meio a um certo arrefecimento nos gastos do consumidor, os investimentos ligados à tecnologia e à IA claramente se tornaram o principal motor de crescimento nos EUA”, afirmou James Knightley, economista-chefe internacional do ING, em relatório. “Os pedidos de bens duráveis sugerem que essa tendência deve continuar ao longo de boa parte deste ano, mas há preocupações de que falte amplitude à história geral de crescimento dos EUA”, acrescentou. Além disso, a inflação norte-americana acelerou em março. O índice de preços ao consumidor (PCE, na sigla em inglês) subiu 0,7% no mês passado, o maior avanço desde junho de 2022, após um aumento não revisado de 0,4% em fevereiro. O aumento ficou em linha com as expectativas de economistas.Nos 12 meses até março, o PCE subiu 3,5%, o maior aumento desde maio de 2023, depois de aumentar 2,8% em fevereiro. O PCE é a principal referência de inflação para o Federal Reserve (Fed) – que manteve os juros inalterados em 3,50% a 3,75% ao ano na véspera. Intervenção no ieneO Japão interveio para sustentar o iene nesta quinta-feira, marcando sua primeira intervenção cambial oficial em quase dois anos, disseram à Reuters duas fontes familiarizadas com o assunto. Mais cedo, o Nikkei, citando uma fonte do governo, disse que as autoridades haviam intervindo comprando a moeda, que estava em seu ponto mais fraco desde julho de 2024. O dólar caiu 3% em relação ao iene, para 155,5 ienes, no que foi sua maior queda em um único dia desde o final de dezembro de 2024. Por volta de 16h30 (horário de Brasília), o dólar estava cotado a 156,49 ienes (-3,85%).De olho na geopolíticaAs tensões geopolíticas continuaram no radar, ainda que ofuscadas pelas decisões de política monetária e indicadores econômicos.Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que, se Washington renovar os ataques, responderá com “ataques longos e dolorosos” a posições dos Estados Unidos, complicando os planos dos EUA para uma coalizão internacional para abrir o Estreito de Ormuz.Do outro lado, o presidente norte-americano, Donald Trump, estuda um novo plano para reabrir o Estreito de Ormuz, em meio às tensões no Oriente Médio.A proposta prevê a manutenção do bloqueio a portos iranianos, enquanto Washington coordenaria com aliados medidas para elevar os custos das tentativas de Teerã de interromper o fluxo global de energia, segundo um alto funcionário do governo ouvido pela Associated Press.Em reação, os preços do petróleo encerraram o dia em leve queda. O contrato mais líquido do Brent, referência para o mercado internacional, terminou a sessão cotado a US$ 110,40 o barril na Intercontinental Exchange (ICE), em Londres. *Com informações de Estadão Conteúdo e Reuters