O BTG Pactual pretende manter o ritmo de crescimento no agronegócio em 2026, mesmo diante de um cenário mais desafiador para o setor. A avaliação é de Rogério Stallone, sócio responsável pela área de crédito corporativo, que destaca o papel dos bancos em um momento de transição.“É hora de os bancos estarem mais próximos das empresas, ajudando a atravessar esse ciclo”, afirmou o executivo em entrevista ao Money Times na Agrishow, evento que acontece nesta semana em Ribeirão Preto (SP).Segundo o executivo, o portfólio de crédito do BTG Pactual segue “bem defendido”, com foco em produtores de maior qualidade, operações com garantias robustas e níveis de provisão considerados adequados.Hoje, o agronegócio representa cerca de 25% da carteira total do banco, que soma aproximadamente R$ 262 bilhões.Estande do BTG Pactual na Agrishow – Foto: Pasquale SalvoApesar da resiliência da carteira, o ambiente para o setor é mais complexo do que nos anos recentes. Stallone aponta uma combinação de fatores que pressiona os produtores: juros elevados por mais tempo, queda na relação de troca e preços menos favoráveis das commodities.“Você tem margens mais apertadas combinadas com um custo de capital ainda alto. Mesmo com o início da queda da Selic, esse efeito demora a chegar na ponta”, disse.O executivo lembra que o período entre 2020 e 2022 foi marcado por crédito abundante e preços elevados, o que favoreceu o crescimento do setor. Desde meados de 2023, porém, o cenário mudou, com uma fase mais desafiadora, que deve se estender no curto prazo.Ainda assim, Stallone avalia que a maior parte dos produtores segue capitalizada, com balanços equilibrados e dívidas alongadas. Para aqueles mais alavancados, o movimento tem sido de ajuste: venda de ativos, como terras, e redução do ritmo de crescimento para recomposição financeira.“O produtor brasileiro tem uma vantagem estrutural importante, que é o baixo custo de produção. Isso garante competitividade mesmo em cenários mais difíceis”, afirmou.As recuperações judiciais e as oportunidades da ‘porteira para fora’Sobre o aumento dos pedidos de recuperação judicial (RJ) no agro, o executivo diz que o instrumento é válido, mas faz ressalvas quanto ao uso oportunista.“A recuperação judicial é legítima quando necessária, mas precisa respeitar garantias e não pode ser usada apenas como estratégia para obter desconto de dívida”, disse.Para além da porteira, o banco segue otimista com oportunidades em infraestrutura ligada ao agro, como armazenagem, logística e transporte. A avaliação é de que o crescimento do setor nos últimos anos ainda não foi acompanhado por investimentos suficientes nessas áreas.Stallone também destaca a evolução do agro brasileiro em termos de tecnologia e capital humano, classificando o setor como um dos mais avançados do país.“Hoje você visita uma feira e vê o nível de tecnologia embarcada. O agro brasileiro está na vanguarda, seja em máquinas, genética ou biocombustíveis”, afirmou.O papel dos bancos e a maior proximidade do BTG com o agronegócioNa estratégia do BTG Pactual, a proximidade com o cliente ganha ainda mais relevância em um momento em que o mercado de capitais está mais retraído, reduzindo a oferta de instrumentos como CRAs e Fiagros.“Quando o mercado de capitais diminui, o papel dos bancos cresce. É nesse momento que precisamos estar junto das empresas, entendendo as necessidades e oferecendo soluções sob medida”, disse.Stallone avalia que a aproximação entre o agronegócio e a Faria Lima tende a se intensificar, acompanhando o peso crescente do setor na economia brasileira.“Um setor que representa quase 30% do PIB não pode ficar à margem. Essa conexão está avançando ano após ano”.