Trabalhar em Lisboa rende mais: diferença salarial pode chegar a três ordenados por ano

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O estudo, divulgado no âmbito do Dia do Trabalhador, revela um país marcado por fortes desigualdades regionais, tanto ao nível dos salários como das oportunidades de carreira, qualificação e intensidade laboral.Lisboa concentra salários mais elevados e oportunidades de liderançaLisboa destaca-se como a região com maior valorização salarial e maior concentração de talento qualificado. O salário médio líquido ultrapassa os 1.469 euros mensais, sendo a única região acima dos 1.400 euros. Ao mesmo tempo, concentra cerca de 42,3% de profissionais em funções qualificadas ou de liderança, mais do dobro de algumas regiões.Em contraste, regiões como os Açores e a Madeira apresentam níveis muito inferiores de chefias, com apenas 1,6% e 2,0%, respetivamente, abaixo da média nacional. Estas diferenças refletem-se também na estrutura do emprego, com maior incidência de trabalhadores não qualificados em regiões como os Açores, Madeira e Alentejo.Diferença salarial em Portugal pode chegar a três salários anuaisQuando se analisam as remunerações declaradas, o fosso acentua-se. Em Lisboa, os salários aproximam-se dos 1.800 euros mensais, enquanto em várias regiões do interior permanecem abaixo dos 1.300 euros.A diferença mensal de 525 euros traduz-se, na prática, em quase três salários adicionais ao final do ano, evidenciando o impacto da localização geográfica no rendimento dos trabalhadores em Portugal.Mais qualificação implica maior carga horáriaA maior valorização salarial está também associada a uma maior intensidade laboral. Em Lisboa, 21,5% dos trabalhadores ultrapassam as 40 horas semanais, refletindo o peso de funções mais qualificadas e de maior responsabilidade.Noutras regiões, como o Norte, predomina o horário padrão entre as 36 e as 40 horas, sobretudo devido ao peso do setor industrial. Nos Açores, Madeira e Alentejo, são mais frequentes horários mais curtos, muitas vezes associados ao setor público.Economia regional em Portugal divide-se entre indústria, serviços e turismoA análise evidencia uma forte especialização regional da economia portuguesa. O Norte (32,6%) e o Centro (29,9%) afirmam-se como o principal eixo industrial do país.Já o Algarve (14,6%) e a Madeira (14,2%) dependem estruturalmente do turismo, enquanto Lisboa e a Península de Setúbal concentram atividades ligadas ao comércio e aos serviços. No Alentejo, a administração pública representa 12,7% do emprego regional.Desemprego de longa duração varia entre regiõesAs diferenças regionais estendem-se também ao desemprego. A taxa de desemprego de longa duração atinge 43,5% no Alentejo e 41,7% no Norte, acima da média nacional de 36,8%.Setúbal regista a taxa de desemprego mais elevada do país, com 8%. Em sentido inverso, o Centro apresenta uma taxa de desemprego de 5%, enquanto o Algarve evidencia maior capacidade de absorção, ainda que influenciada pela sazonalidade.Mercado de trabalho em Portugal continua marcado por assimetrias regionaisApesar do crescimento do emprego, com 5,28 milhões de pessoas empregadas em 2025, mais 3,2% face ao ano anterior, o estudo conclui que o mercado de trabalho português continua condicionado pela geografia.Para Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, «o mercado de trabalho em Portugal continua condicionado pela geografia, não apenas em termos de salário, mas também no acesso a funções de decisão e progressão profissional», sublinhando a necessidade de uma abordagem integrada que promova maior coesão territorial.O conteúdo Trabalhar em Lisboa rende mais: diferença salarial pode chegar a três ordenados por ano aparece primeiro em Revista Líder.