Por que atentados políticos são recorrente na política dos EUA?

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O atentado envolvendo Donald Trump, no final do mês de abril, no jantar da Associação de Correspondentes da Casa Branca em Washington, reacendeu um debate alarmante sobre a violência como ferramenta política na democracia norte-americana. O episódio, que não resultou em feridos ou mortos, é apontado como pelo menos o terceiro atentado contra Trump em período recente, segundo o correspondente sênior de Internacional, Américo Martins, durante o videocast Fora da Ordem, que vai ao ar ao vivo às sextas-feiras, a partir das 13h, no canal de YouTube da CNN Brasil e na TV aos domingos às 17h15.Em análise durante o programa, Lucas Martins, consultor e pesquisador da Temple University, destacou a dimensão histórica do problema. Para ele, cada detalhe dos episódios de violência política merece atenção cuidadosa, pois carrega significados profundos para a compreensão da cultura política americana.Lucas Martins chamou atenção para um detalhe simbólico: o hotel em Washington onde ocorreu o jantar dos correspondentes tem ligação direta com outro episódio marcante da história americana. “Em 1981, o presidente Ronald Reagan saiu dali, fez um discurso e foi baleado, passando 10 dias hospitalizado”, relatou o pesquisador. A gravidade do ataque foi tamanha que chegou a colocar em discussão a possibilidade de George H. W. Bush assumir efetivamente a presidência. O centro médico que atendeu Reagan, localizado próximo ao hotel, recebeu o nome do presidente em homenagem a esse episódio. Leia Mais Atos de violência nunca terão sucesso, diz Charles sobre disparos em jantar Segurança ao presidente dos EUA precisa ser renovada, diz Caneparo Suspeito é acusado de tentar matar Trump em jantar de correspondentes Uma cultura de violência que atravessa séculosLucas Martins traçou um panorama histórico que remonta ao fim da Guerra Civil Americana. Desde o final da Guerra Civil, com o assassinato de Abraham Lincoln em Washington por alguém que discordava do que o presidente representava, a violência é sempre uma opção na cultura política dos Estados Unidos, explicou o entrevistado. O pesquisador também citou o assassinato de John F. Kennedy em Dallas, in 1963, e o de seu irmão, candidato à indicação pelo Partido Democrata nas eleições de 1968, morto em um hotel na Califórnia antes mesmo de ser confirmado como candidato oficial.Avançando na linha do tempo, Lucas Martins mencionou as duas tentativas contra Trump em 2024 — uma na Pensilvânia e outra na Flórida —, além do novo episódio em Washington. Para o pesquisador, esses casos não são fenômenos isolados nem resultado exclusivo da polarização contemporânea. “A cultura política de agressividade, de uso de armas contra pessoas que representam certas convicções políticas, faz parte de uma cultura nacional que precisa ser debatida”, declarou.Lucas Martins concluiu que essa cultura de violência, alimentada desde o fim de uma guerra civil, atravessou o século XX e segue presente no século XXI. “Isso é, infelizmente, mais do que natural no contexto americano”, lamentou, reforçando que o debate não deve se restringir à segurança do chefe de Estado, mas abranger a raiz cultural do problema. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.