O JPMorgan reiterou sua visão positiva para ações brasileiras na região da América Latina, mantendo o Brasil como overweight (acima da média) em sua alocação regional.Ainda assim, mesmo em meio à queda recente do Ibovespa, o banco alerta que o momento pede seletividade e paciência, diante da combinação de incertezas eleitorais, ritmo mais lento de cortes de juros e preços elevados do petróleo, que tendem a manter o mercado em um movimento mais lateral no curto prazo.Segundo o relatório, o Brasil continua sendo o caso de investimento preferido na América Latina graças a um conjunto de fatores estruturais e conjunturais: fluxo de capital estrangeiro, ciclo — ainda que gradual — de afrouxamento monetário e uma base corporativa que segue apresentando bons níveis de rentabilidade. Para o JPMorgan, o país também se beneficia do contexto geopolítico global, uma vez que a América Latina, e especialmente o Brasil, tem sido vista como uma região relativamente protegida de conflitos internacionais e com exposição favorável a commodities energéticas. “O conflito com o Irã permitiu que o Brasil — assim como boa parte da América Latina — passasse a ser visto como porto seguro. A região (excluindo Chile e Peru) é exportadora líquida de petróleo, está distante dos focos geopolíticos, apresenta uma boa história de resultados e ainda negocia a valuations razoáveis”, aponta. O banco chama atenção, no entanto, para o fato de que o mercado brasileiro já passou por uma correção recente e voltou a níveis observados antes do agravamento das tensões no Oriente Médio. O Ibovespa passou dos 199 mil pontos em meados de abril para negociar a 186 mil pontos no último pregão do mês. Apesar disso, os estrategistas avaliam que ainda não é o momento de “comprar a queda” de forma agressiva, uma vez que o ambiente doméstico segue marcado por volatilidade política e menor impulso vindo do ciclo de resultados das empresas. Do ponto de vista doméstico, é possível que o mercado siga mais lateralizado, dado que o ritmo de cortes de juros é lento e o período eleitoral já começou. Além disso, aponta que a queda recente do mercado coincidiu com o forte retorno das Mag 7 às máximas históricas, movimento que, após a correção prévia, permitiu alguma retomada dos fluxos para emergentes. Em termos de posicionamento, o Brasil continua sendo o maior overweight dentro de emergentes, posição que inclusive aumentou após a guerra. Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe e volta aos 186 mil pontos; VALE3 sobe 2%Bolsas dos EUA operam mistas em meio a balanços, PIB e guerra “Gostamos mais da tese do Brasil do que de qualquer outra na região, e o país segue como um dos nossos top picks em mercados emergentes, mas o mercado deve permanecer de lado enquanto o petróleo continuar subindo. Por outro lado, uma eventual resolução do conflito abriria espaço para maior tomada de risco, beneficiando o mercado”, aponta. No cenário macroeconômico, o JPMorgan revisou suas expectativas de cortes na taxa Selic até o fim de 2026. A projeção passou a ser de uma redução acumulada de cerca de 275 pontos-base, levando a taxa básica para aproximadamente 12,25%, em meio a uma atividade doméstica mais resiliente e pressões inflacionárias associadas ao petróleo. A valorização recente do real, estimada em cerca de 8%, ajuda a sustentar o processo de flexibilização monetária, mas não elimina a cautela do Banco Central. A equipe de estratégia liderada por Emy Shayo destaca que o calendário eleitoral tende a pesar sobre o desempenho relativo da bolsa brasileira, lembrando que, historicamente, o mercado costuma apresentar performance mais fraca nos seis meses que antecedem as eleições. Com a disputa presidencial desenhando um cenário polarizado, semelhante aos ciclos anteriores, os estrategistas esperam que os preços dos ativos sigam sensíveis ao noticiário político ao longo dos próximos meses. Sabe quanto precisa investir para viver de renda? Calcule agora com a Planilha Viva de RendaDo ponto de vista setorial e de ações, o JPMorgan segue privilegiando empresas brasileiras consideradas “criadoras de valor”, com retorno sobre patrimônio (ROE) consistentemente acima do custo de capital.Todos os papéis latino-americanos classificados como overweight nessa métrica pertencem ao Brasil, com destaque para nomes como Itaú Unibanco (ITUB4), Porto (PSSA3), Itaúsa (ITSA4), Vibra Energia (VBBR3), Santander Brasil (SANB11), RD Saúde (RADL3), Ultrapar (UGPA3), Vamos (VAMO3), Intelbras (INTB3) e Hypera (HYPE3). A recomendação estratégica do banco é adotar uma abordagem de “barbell” no mercado brasileiro, combinando exposição a empresas de energia — beneficiadas por preços elevados do petróleo, como Petrobras e PRIO (PRIO3) — com setores mais domésticos, especialmente bancos e ativos sensíveis a juros, que tendem a se valorizar caso o risco político diminua e o ciclo de corte de juros ganhe tração. 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