O CEO da Gerdau, Gustavo Werneck, voltou a subir o tom contra o avanço das importações de aço no Brasil e reforçou a cobrança por maior previsibilidade regulatória e segurança jurídica, em meio a um cenário ainda desafiador para a indústria siderúrgica nacional.Em entrevista antes do CNN Talks Tendências e Cenários do Agro para o Brasil, o executivo tem reiterado que a entrada de aço estrangeiro, especialmente de origem chinesa, segue como o principal fator de pressão sobre preços, margens e utilização de capacidade no país. Reforma tributária: Empresas serão obrigadas a declarar CBS em agosto Diesel S-10 sobe mais de 7% nos postos do Brasil em abril, diz Ticket Log Após bater US$ 126, petróleo recua com incerteza sobre reabertura de Ormuz Segundo Werneck, ainda que o governo tenha avançado em investigações antidumping e medidas de defesa comercial, o setor precisa de um ambiente mais estável e previsível para destravar investimentos de longo prazo. A avaliação é que decisões pontuais não substituem uma política industrial consistente.“O principal problema no país é a penetração de aço importado desleal”, afirmou o executivo, durante à Agrishow, destacando que o fenômeno já atinge níveis recordes recentemente.“Hoje, o aço importado representa mais de 20% do consumo nacional, chegando a quase 27% em alguns segmentos, o que tem impacto direto nas vendas da companhia no Brasil”, afirmou.Pressão externa e cobrança por ação estruturalA leitura do CEO da Gerdau é que houve avanços recentes, com o governo federal implementando sobretaxas e conduzindo investigações sobre dumping em diferentes produtos siderúrgicos. Ainda assim, a expectativa da Gerdau é de que essas medidas ganhem escala e previsibilidade.Para Werneck, a agenda não se resume a tarifas: passa também por segurança jurídica e clareza regulatória, elementos considerados essenciais para sustentar novos ciclos de investimento industrial no Brasil.Na visão do executivo, há sinais positivos — como a expectativa de redução gradual das importações ao longo de 2026 —, mas o ritmo e a consistência dessas ações ainda são determinantes para a competitividade do setor.Estratégia: custo, eficiência e exposição globalDiante desse cenário, a Gerdau tem reforçado uma estratégia baseada em ganho de eficiência e diversificação geográfica. A operação na América do Norte segue como principal motor de resultados, beneficiada por barreiras comerciais mais rígidas, enquanto o Brasil enfrenta maior competição externa.Internamente, a companhia intensificou iniciativas de redução de custos e revisão de investimentos. A própria empresa reconhece que o nível atual de rentabilidade no Brasil ainda está abaixo do necessário para remunerar adequadamente o capital.Indústria do aço precisa de defesa comercial, diz CEO da Gerdau | MAPA DA MINA