Derrota de Messias impõe dilema a Lula sobre nova indicação

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A derrota de Jorge Messias no Senado impõe um dilema ao governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com as eleições próximas e o tempo escasso para uma nova votação ainda este ano, o Planalto avalia dois caminhos: forçar uma indicação imediata em rito acelerado ou adiar a decisão para o ano que vem, correndo o risco de deixar a escolha para uma nova gestão.Senadores da base do governo ouvidos pela CNN entendem que o Planalto precisa fazer um cálculo político para uma possível nova indicação. Eles consideram que Lula pode partir para o enfrentamento ao Senado e apresentar um novo nome na tentativa de capitalizar politicamente o embate. A ideia seria indicar um nome mais palatável que, em caso de nova rejeição, desgastaria a imagem do Congresso como um agente político com intenção deliberada de prejudicar o Executivo. Uma possibilidade, por exemplo, seria indicar atendendo à cobrança de movimentos sociais que, desde o início da gestão petista, pleiteiam maior presença feminina no Supremo. Atualmente, o STF conta apenas com Cármen Lúcia e outros nove ministros. Análise: Senado impõe maior derrota política da história de Lula Gleisi vê “aliança vergonhosa” após rejeição de Messias no Senado Fontes do governo veem derrota de Messias como “hecatombe” Essa alternativa, no entanto, colide com a postura do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Segundo parlamentares ouvidos pela reportagem, o senador tem sinalizado que não pretende submeter a plenário nenhum outro nome indicado pelo governo antes das eleições.Nesse caso, a votação poderia ocorrer no final deste ano, após o pleito, ou ficaria para o ano que vem, já sob uma nova composição da Casa Alta. Interlocutores da base governista entendem que, se Alcolumbre seguisse esse caminho, reforçaria a narrativa do Planalto de que o “Congresso é inimigo do povo” e quer barrar o trabalho do governo.O lema foi amplamente difundido pela ala governista nas redes sociais durante a aprovação do PL (Projeto de Lei) da Dosimetria, que reduz as penas para condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. A sessão para derrubar o veto presidencial está marcada para esta quinta-feira (29), com alta chance de aprovação.A outra alternativa de Lula é deixar a indicação para o próximo governo — seja para um eventual quarto mandato do petista ou para um novo presidente. Essa possibilidade, no entanto, é vista por congressistas como uma forma de “acusar o golpe” e admitir que o Congresso hoje é dominante em relação ao Executivo.Caso fique sem um novo nome até 2027, um tabu será quebrado: o STF passará mais de um ano com a composição incompleta. Desde 2002, o maior período em que a Corte atuou com um desfalque foi em 2021, após a indicação de André Mendonça. Naquela ocasião, o Supremo aguardou 140 dias até ter as 11 cadeiras preenchidas novamente.ReuniãoLogo após ser rejeitado pelo Senado, nesta quarta-feira (29), Jorge Messias, se reuniu com Lula no Alvorada. Também participam da reunião o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República, José Guimarães. Segundo fontes ouvidas pela reportagem, após quase duas horas de reunião, o governo não chegou a conclusão sobre caminho seguir.