Juros e câmbio afetam vendas de máquinas agrícolas 1º trimestre de 2026

Wait 5 sec.

O segmento de máquinas e implementos agrícolas apresentou retração nos principais indicadores no primeiro trimestre, segundo dados divulgados pela Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) em coletiva na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP).“De forma geral, a gente vê um ano que foi desafiador desde o ano passado. [Março] foi um mês de resultado positivo, mas em comparação interanual tem queda”, disse Pedro Estevão, presidente da CSMIA (Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas) da Abimaq.Em março, a receita líquida total do setor somou R$ 4,78 bilhões, com queda de 15,5% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado do ano, a retração foi de 16,4%. A receita no mercado interno apresentou recuo de 21,8% na comparação interanual e de 19,9% no trimestre. Leia Mais Consórcio de máquinas agrícolas cai 10,1% no 1º trimestre Vendas de máquinas e equipamentos caem 13,6% em fevereiro, diz Abimaq O agro vai bem, mas quem vende trator, nem tanto O desempenho do segmento de máquinas agrícolas acompanha a redução dos investimentos produtivos observada no início de 2026, especialmente nas atividades agrícolas. No conjunto da indústria de máquinas e equipamentos, o consumo aparente recuou 11,4% no primeiro trimestre, com destaque para a queda nos investimentos no setor agropecuário.Os dados indicam um cenário de retração no mercado doméstico, combinado com expansão das exportações em alguns segmentos, resultando em comportamento heterogêneo entre os diferentes tipos de equipamentos agrícolas.Estevão afirmou que as vendas ao usuário final registraram queda entre novembro do ano passado e fevereiro deste ano. Segundo ele, após um pico de cerca de 5 mil unidades comercializadas em setembro, houve retração no fim do ano, seguida por leve recuperação em março.De acordo com Estevão, esse movimento “pode indicar uma melhora e mais próxima daquele período do ano passado”, sugerindo uma retomada das vendas. Ele destacou ainda que, apesar de os últimos 12 meses ainda apresentarem redução acumulada, os dados mais recentes show melhor desempenho tanto na comparação mensal quanto na interanual.No comércio exterior, o comportamento foi distinto. As exportações de máquinas agrícolas cresceram 40,1% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto as importações recuaram 4,1% .Na importação de máquinas, por sua vez, houve uma alta de 13,5% em março, apesar de uma queda de 5,9% no acumulado de 2026. A tendência geral do mercado de máquinas, segundo a Abimaq, é de um aumento nas importações e perda de participação de mercado de máquinas brasileiras. O setor do agro tem participação de 4,1% na importação de máquinas.Em termos de emprego, o setor registrou 116,3 mil trabalhadores em março, uma redução de 2,6% frente ao mesmo mês de 2025, embora com alta de 1,3% no acumulado do ano.ContextoO mercado de máquinas agrícolas encerrou 2025 com retração de cerca de 7%, em um contexto de redução na rentabilidade dos produtores rurais. A valorização cambial ao longo do período impactou a receita do setor agropecuário, levando produtores a priorizarem despesas de custeio em detrimento de novos investimentos, pontuou Estevão.Com taxas de juros elevadas, o acesso ao crédito para aquisição de máquinas ficou mais oneroso. Nesse cenário, parte dos produtores optou por direcionar recursos próprios para a manutenção da produção, adiando a renovação de equipamentos, explicou.O mercado permanece concentrado em culturas como soja e milho, que representam aproximadamente 60% da demanda por máquinas agrícolas. No início do ano passado, outros segmentos, como café, laranja e cana-de-açúcar, apresentavam maior poder de compra, influenciados também por um ambiente cambial mais favorável naquele momento.Para 2026, a previsão inicial da Abimaq aponta para uma queda próxima de 8% no mercado de máquinas agrícolas, com possibilidade de revisão. A expectativa do setor é de que o desempenho possa ser reavaliado após a definição do Plano Safra, tradicionalmente anunciada no meio do ano e que pode influenciar o ritmo de investimentos no segundo semestre.Tratores e colheitadeirasOs dados de produção e comercialização indicam comportamentos diferentes entre os tipos de máquinas.No caso dos tratores, as vendas de fábrica cresceram 20,1% em março na comparação anual, mas acumulam queda de 16,3% no ano. As vendas ao usuário final recuaram 8,6% no mesmo período. Já as exportações de tratores avançaram 25,7% no acumulado de 2026.Para as colheitadeiras, houve uma “diminuição de uma forma mais constante”, segundo a Associação. As vendas de fábrica caíram 50,8% em março na comparação com o mesmo mês de 2025, acumulando queda de 42,7% no ano.As vendas ao usuário final recuaram 40,2% no período. “As exportações têm um ritmo de melhora, mas dentro de um patamar menor”, e o acumulado do ano registra queda de 4,5%.