Excesso de status: Infantino e a escolta que Vancouver recusou

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Claro que Gianni Infantino ocupa um cargo que abre quase todas as portas e o coloca nos mais altos círculos de poder mundial.Mas é exatamente aí que mora o risco: quando não existem mais limites para o próprio status.Às vésperas do 76º Congresso da FIFA, que acontece nesta quinta-feira (30/04) em Vancouver, a entidade pediu à polícia canadense uma escolta de nível 4 — o mesmo aparato de segurança reservado ao Papa ou ao presidente dos Estados Unidos, e superior ao oferecido ao próprio primeiro-ministro canadense.A resposta não demorou. A polícia recusou o pedido pelos altos custos que seriam repassados aos contribuintes.A prefeitura de Vancouver foi ainda mais direta: o deslocamento de Infantino será “apropriado, moderado e consistente” com os padrões de grandes eventos internacionais.Esse episódio é um clássico exemplo de excesso de status.Infantino é, sem dúvida, uma figura importante no esporte mundial, mas não é chefe de Estado nem líder religioso máximo. Pedir tratamento de chefe de governo ou de autoridade suprema revela uma desconexão perigosa com a realidade.Como alertam filósofos há séculos, o excesso sempre enfraquece a causa que se pretende defender.Quando o líder de uma entidade que deveria representar o esporte global começa a se comportar como se fosse acima das regras básicas de bom senso e moderação, perde-se credibilidade — e, no longo prazo, perde-se também o respeito.O futebol merece líderes que elevem a instituição, e não que usem a instituição para inflar o próprio ego.