Ativistas detidos acusam exército de Israel de tortura

Wait 5 sec.

Ativistas denunciaram neste sábado, 2, atos de tortura contra os ativistas espanhol e brasileiro que estão sob custódia israelense e que foram transferidos para a prisão de Shikma, em Ashkelon, ao norte da Faixa de Gaza, após sua captura na última quarta-feira em águas próximas a Creta (Grécia).“Segundo a Embaixada do Brasil, Thiago de Ávila informou que foi torturado, espancado e maltratado. Funcionários da Embaixada observaram marcas visíveis em seu rosto durante uma visita supervisionada, com uma divisória de vidro e sem poder se comunicar livremente”, explicou a Flotilha Global Sumud em um comunicado.De Ávila, cidadão brasileiro, denunciou “dores intensas”, especialmente no ombro. “Apesar de ter sido examinado por um médico, não recebeu os cuidados médicos adequados”, destacou.A Embaixada está tentando garantir que ele receba “tratamento adequado imediatamente”, segundo a Flotilha Global Sumud, que lembra que De Ávila também está em greve de fome e que bebe apenas água desde que foi capturado por militares israelenses em águas internacionais.Também advogados do Centro pelos Direitos da Minoria Árabe em Israel, Adalah, puderam visitar o sueco-espanhol de origem palestina Saif Abukeshek e De Ávila. No caso de Abukeshek, ele relatou que o mantêm amarrado e com os olhos vendados, obrigado a permanecer deitado de bruços no chão desde o momento de sua captura até a manhã deste sábado, o que lhe causou hematomas no rosto e nas mãos.Ao chegar à prisão de Shikma, foi informado de que seria interrogado pelo Shin Bet, o serviço de segurança israelense para o interior e os territórios palestinos, por suposta “pertença a uma organização terrorista”, relata a Adalah.“EXTREMA BRUTALIDADE”Quanto a De Ávila, ele denunciou a “extrema brutalidade” dos militares israelenses durante a captura dos barcos. “Ele foi arrastado de bruços pelo convés e espancado tão violentamente que desmaiou duas vezes”, informou a Adalah.Durante a visita, os representantes da Adalah puderam constatar que ele apresentava “hematomas visíveis” no rosto, principalmente ao redor do olho esquerdo. Além disso, relatou “restrição de movimentos e dores intensas em uma mão”. Nos dois dias desde sua captura até sua entrega aos serviços penitenciários israelenses, ele permaneceu amarrado e com os olhos vendados. Agora ele está em uma cela sem janelas e foi interrogado pelo Shin Bet.Ele foi informado de que também será interrogado pelo Mossad, os serviços secretos israelenses para o exterior, por suposta “pertença a organização terrorista”. A Adalah solicitou informações sobre a acusação contra De Ávila, mas as autoridades israelenses negaram o pedido.A Flotilha também lembra que não foram apresentadas acusações contra De Ávila e que a Embaixada também não recebeu informações esclarecedoras sobre os motivos de sua detenção. Além disso, destaca que De Ávila expressou sua intenção de não sair da prisão a menos que Abukeshek também seja libertado.No caso de Abukeshek, “testemunhas oculares confirmam as torturas e graves abusos” antes de ele ter sido retirado à força de sua embarcação, segundo a Flotilha Global Sumud. Essas testemunhas seriam os próprios ativistas dos navios da flotilha internacional abordados pelas forças militares israelenses.“UMA ESCALADA DRAMÁTICA”A Flotilha destaca que a prisão de Ashkelon “é conhecida por ser usada para a detenção de prisioneiros palestinos em condições severas e, mais recentemente, para encarcerar civis sequestrados em Gaza no âmbito da campanha genocida de Israel contra o povo palestino”.A transferência de Ávila e Abukeshek para esta prisão “é uma escalada dramática” devido aos “relatos confirmados de tortura sob custódia”, segundo a Flotilha, que denuncia “detenção arbitrária, negação do devido processo legal e violações da proibição absoluta de tortura prevista pelo direito internacional”.“Apesar das intervenções jurídicas urgentes e dos amplos apelos internacionais, os países europeus abdicaram de sua obrigação legal e permitiram a transferência de dois civis, o que os coloca em risco iminente”, alertou a organização.Assim, pedem aos governos da Espanha, Suécia e Brasil que “adotem medidas diplomáticas imediatas para conseguir a libertação de seus cidadãos” e uma intervenção “urgente” dos organismos internacionais para condenar e recorrer das “acusações infundadas que colocam em perigo os civis detidos”. Por fim, exigem que sejam responsabilizados por “torturas, detenção ilegal e transferência forçada”.“Saif e Thiago não são abstrações, mas seres humanos com direitos invioláveis. Têm direito à proteção, ao devido processo legal e à preservação de suas vidas e dignidade”, lembrou a Flotilha Global Sumud. “São pais, filhos e pilares da comunidade que aguardam seu retorno sãos e salvos e cujo sequestro constitui uma grave violação das normas internacionais”.Israel considera Abukeshek um dos “líderes” do movimento islâmico palestino Hamas, enquanto aponta De Ávila por “trabalhar para o grupo como suspeito de atividades ilegais”.