O Irã enviou uma nova proposta de negociação de paz a mediadores nesta sexta-feira (1°), mas os detalhes do documento ainda não foram divulgados publicamente. Em entrevista à CNN Brasil, a pesquisadora Priscila Caneparo, professora e pós-doutora em Direito Internacional, analisou os principais entraves que dificultam o avanço das conversas entre os Estados Unidos e o Irã.O programa nuclear como ponto central do impasseSegundo Priscila, o principal obstáculo nas negociações diz respeito ao programa nuclear iraniano. Para a delegação iraniana, o país não pode ser impedido de desenvolver um programa nuclear para fins pacíficos. “O Irã reitera que teria direito a ter um programa nuclear para a geração de energia”, explicou a especialista ao Bastidores CNN. Leia Mais Análise: As poucas opções de Trump na guerra contra o Irã Opções de Trump no Irã correm riscos e têm poucas chances de sucesso EUA x Irã: negociações de paz enfrentam novos obstáculos; entenda Em contraposição, os Estados Unidos exigem a finalização completa do programa nuclear iraniano. Priscila destacou que o Irã fundamenta sua posição no Tratado de Não Proliferação Nuclear, do qual é signatário, que assegura a todo país o direito de desenvolver energia nuclear para fins de geração de energia.A especialista, no entanto, entende que o preisdente Donald Trump tem o interesse em superar o acordo firmado pelo ex-presidente Barack Obama em 2015. “Se eu limitar a capacidade nuclear iraniana apenas para a geração de energia, vou chegar no mesmo ponto que saí em 2018, no acordo de Obama”, resumiu a pesquisadora, parafraseando o raciocínio atribuído a Trump.Outros pontos de tensão nas negociaçõesA imposição de sanções contra o Irã, que perdura por longas décadas, representa um segundo ponto de atrito. A pesquisadora também destacou a situação do Estreito de Ormuz, cuja eventual paralisação provoca impactos na economia mundial pela interrupção do fornecimento de combustíveis fósseis.Outro elemento é a situação do sul do Líbano e os ataques israelenses, ainda sob cessar-fogo temporário. “O Irã afirmou que o Líbano tem que estar incluído nesse cessar-fogo. Se não estiver, o Irã continuará atacando”, alertou Priscila.Risco de retomada dos ataques caso o acordo fracasseQuestionada sobre o que poderia acontecer caso a proposta seja rejeitada, Priscila Caneparo foi direta ao avaliar o cenário: há uma forte possibilidade de retomada das ameaças e das ações contra o território iraniano, bem como de retaliações contra países do Golfo, onde os Estados Unidos mantêm bases militares.A especialista também chamou atenção para o aspecto legal interno dos EUA. Desde 1973, a legislação americana autoriza o presidente a realizar intervenções militares por até 60 dias sem aprovação do Congresso — prazo que, segundo Priscila, se encerra nesta sexta (1º).A partir desse momento, o Congresso precisaria autorizar novas intervenções. A pesquisadora ponderou, no entanto, que Trump poderia argumentar que o cessar-fogo temporário vigente impede a contagem desse prazo. “Não sei ainda o posicionamento do Congresso em relação a essa decisão e se o Trump irá respeitá-la”, afirmou.Priscila acrescentou ainda que a Rússia anunciou a disponibilização de um contingente militar ainda maior para o Irã, o que torna o cenário ainda mais complexo. “Infelizmente, não vejo um cenário muito positivo em relação à impossibilidade de advento desse acordo e finalização do conflito”, concluiu Priscila Caneparo. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.