O estudo, que analisa os planos de férias em 26 países — incluindo 11 europeus — mostra que as férias continuam a ser encaradas como uma necessidade associada ao bem-estar e ao equilíbrio pessoal. Essa importância reflete-se também no orçamento médio dedicado às férias. Em Portugal, subiu 147 euros face ao ano passado, atingindo os 1.662 euros, o que representa um aumento de cerca de 10% em relação a 2025. Ainda assim, o valor permanece abaixo da média europeia, fixada nos 2.089 euros.No ranking europeu dos gastos previstos para férias, Portugal ocupa a nona posição. A lista é liderada pela Suíça, com um orçamento médio de 3.100 euros. Quando considerados os 26 países analisados, Portugal desce para o 19.º lugar. A nível global, a Suíça mantém a liderança, seguida pelos Estados Unidos (3.049 euros) e pela Austrália (3.035 euros).Turismo interno ganha pesoEntre os destinos preferidos, cresce a tendência para viajar dentro do próprio país. Cerca de 47% dos portugueses optam por férias em território nacional, enquanto as viagens internacionais registam uma ligeira descida, passando de 43% em 2025 para 42% em 2026.No que diz respeito às preferências externas, Espanha continua a ser o destino internacional favorito dos portugueses (21%), seguida por Brasil (9%) e Itália (8%). Esta é a primeira vez que o Brasil surge entre os três destinos mais procurados. A nível global, Itália, Espanha e França mantêm-se entre os destinos mais desejados.Segurança pesa cada vez mais nas escolhasApesar do entusiasmo pelas viagens, a segurança surge cada vez mais como um fator determinante na escolha do destino. Na Europa, 30% dos inquiridos afirmam considerar este critério decisivo. Entre os portugueses, as preocupações são ainda mais expressivas: 70% referem os conflitos armados como fator de preocupação e 67% apontam o risco de ataques terroristas, valores acima da média europeia.As tensões geopolíticas têm também impacto nas preferências de destino. Os Emirados Árabes Unidos passaram a integrar a lista de países que alguns viajantes consideram evitar devido ao clima político, juntamente com os Estados Unidos.Custos continuam a ser principal entraveApesar da forte intenção de viajar, as limitações financeiras continuam a ser o principal obstáculo para quem abdica de férias. Entre os portugueses que não planeiam viajar, 49% apontam a necessidade de poupar como principal razão.A inflação permanece uma preocupação central: 90% dos portugueses afirmam recear o impacto da subida de preços na hora de planear férias, o valor mais elevado entre os países europeus analisados.Ainda assim, 78% dos portugueses planeiam realizar pelo menos uma viagem durante o verão, um número ligeiramente acima da média europeia, que se situa nos 77%. Alemanha e Bélgica surgem como os países com menor intenção de viajar, com apenas 70% e 72% da população, respetivamente, a considerar essa possibilidade.Inteligência artificial ganha espaço no planeamentoO estudo destaca também o crescimento da utilização de ferramentas de inteligência artificial no planeamento de férias. Em Portugal, 27% dos inquiridos já recorrem a estas tecnologias, um aumento de 11 pontos percentuais face a 2025, colocando o país entre os que mais utilizam estas ferramentas na Europa.As aplicações de IA são sobretudo usadas para planear itinerários, encontrar sugestões de rotas, locais a visitar e atividades (96%), descobrir experiências e atrações no destino (94%) e apoiar a escolha do destino (87%). Entre os principais benefícios apontados estão o acesso rápido à informação (54%), a criação de itinerários personalizados (50%) e a possibilidade de encontrar melhores ofertas (48%).Contudo, muitos viajantes continuam a valorizar o apoio humano no planeamento das viagens.Reservas online dominam organização das fériasAs agências de viagens online continuam a ser amplamente utilizadas para planear e reservar viagens. Cerca de 34% dos portugueses recorrem a estas plataformas, valor próximo da média europeia (35%).A maioria dos portugueses começa a organizar as férias entre dois e quatro meses antes da viagem (28%), procurando sobretudo melhores preços e ofertas. O avião mantém-se como o principal meio de transporte, utilizado por 52% dos viajantes, enquanto os hotéis continuam a ser a opção de alojamento mais escolhida (51%).Sustentabilidade mantém-se prioridadeOs portugueses destacam-se também pelo compromisso com práticas de turismo mais responsáveis. Desde 2024 que figuram entre os viajantes europeus mais empenhados em reduzir os impactos ambientais, económicos e sociais das suas viagens.Assim, em 2026, Portugal lidera mesmo este indicador. 91% dos inquiridos afirmam ter intenção de adotar comportamentos responsáveis para evitar o desperdício de recursos locais durante as férias.Segundo Virginie Babinet, CEO de Seguros de Viagem e Assistência da Europ Assistance, a vontade de viajar mantém-se elevada apesar das incertezas globais.«A vontade de viajar continua forte, mesmo com um contexto geopolítico instável e com o custo de vida a ser uma preocupação global. O que está a mudar é o panorama das decisões de viagem. As questões de segurança estão a ganhar cada vez mais peso e a inteligência artificial está a afirmar-se rapidamente como ferramenta de planeamento para um número crescente de viajantes», afirma.Globalmente, cerca de oito em cada dez pessoas afirmam estar entusiasmadas com a ideia de viajar este ano. Este dado confirma que, apesar dos desafios, as férias continuam a ocupar um lugar central nas prioridades dos viajantes.O conteúdo Nem inflação nem conflitos travam os portugueses: viajar continua nos planos aparece primeiro em Revista Líder.