Estudo alerta que pequena porção de ultraprocessados pode levar a demência

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Aumentar o consumo diário de alimentos ultraprocessados em 10% — basicamente o equivalente a um pacote pequeno de batatas fritas — pode elevar o risco de demência, mesmo que você mantenha uma dieta saudável rica em vegetais, de acordo com um novo estudo.Os alimentos ultraprocessados, ou AUPs, representam cerca de 53% de todas as calorias consumidas por adultos nos Estados Unidos, segundo os dados mais recentes do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC). Entre as crianças americanas, esse índice chega a quase 62%. Leia mais Restringir açúcar no início da vida reduz risco cardiovascular no futuro O que é food noise? Ciência explica o pensamento constante em comida Qual a diferença de desinchar e emagrecer? Especialistas explicam “Nosso estudo mostrou que o consumo de AUPs está associado a uma piora na atenção e a um maior risco de demência em adultos de meia-idade e idosos”, afirmou a autora principal Barbara Cardoso, professora sênior de nutrição e dietética na Universidade Monash, em Melbourne, Austrália.O estudo pôde mostrar apenas uma associação, não uma relação direta de causa e efeito. No entanto, “essa associação não mudou com a adesão à dieta mediterrânea, indicando que o elo está no processamento dos alimentos, e não simplesmente na substituição de comidas saudáveis”, disse Cardoso em um e-mail.A pesquisa é uma “adição importante” ao crescente conjunto de evidências que mostram os danos potenciais dos ultraprocessados ao cérebro, afirmou o Dr. W. Taylor Kimberly, professor de neurologia na Harvard Medical School, que não participou do estudo.Ele foi o autor sênior de um estudo semelhante publicado em janeiro, que descobriu que aumentar a ingestão de ultraprocessados em 10% elevava o risco de comprometimento cognitivo em 16%, mesmo em pessoas que comiam majoritariamente vegetais.“Juntos, esses estudos destacam que o maior consumo de AUPs está consistentemente associado a um pior desempenho cognitivo”, disse Kimberly.Alimento real versus “pré-digerido”A premiada dieta mediterrânea — que prioriza grãos integrais, frutas, vegetais, grãos, sementes, nozes e azeite de oliva extravirgem — já demonstrou reduzir o risco de câncer, diabetes, doenças cardíacas e demência.Outras dietas respeitadas, como a DASH e a MIND, também focam em alimentos integrais e na limitação de açúcares e carnes vermelhas.Já os ultraprocessados contêm pouco ou nenhum alimento integral. Em vez disso, os ingredientes são desmontados em moléculas que, com a ajuda de corantes artificiais, aromatizantes e emulsificantes, são aquecidos e moldados em qualquer produto que a indústria deseje criar.Especialistas afirmam que esses alimentos “pré-digeridos”, repletos de açúcar, sal e gordura, carecem de nutrientes críticos para o corpo e o cérebro.Atenção e risco de demênciaO novo estudo, publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, analisou mais de 2.100 australianos entre 40 e 70 anos.“Para cada aumento de 10% nos ultraprocessados, vimos uma queda distinta na capacidade de foco”, explicou Cardoso.Embora não tenha sido encontrada uma ligação direta imediata com a memória, o estudo estimou o declínio mental geral usando uma ferramenta que prevê o risco de demência em 20 anos. Cada aumento de 10% no consumo diário foi associado a um incremento de 0,24 pontos no risco de demência (em uma escala de 0 a 7).Remover esses alimentos da dieta pode reduzir o risco, especialmente se feito antes que complicações neurológicas se instalem. “A meia-idade é uma fase que oferece uma oportunidade fundamental para lidar com fatores de risco modificáveis”, concluiu Cardoso.Demência em jovens é mascarada por sintomas como estresse e depressão