IR 2026: pré-preenchida teve “upgrade”, mas ainda exige atenção; veja como não errar

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Entramos no mês do prazo final do Imposto de Renda, e muita gente já está com tudo pronto: informes, recibos, documentos separados e só falta preencher a declaração. Mas vale um cuidado antes de avançar, pois a pré-preenchida teve mudanças relevantes neste ano. A Receita Federal ampliou o volume de dados que entram automaticamente e, principalmente, a capacidade de cruzar essas informações. Ao mesmo tempo que isso reduz erros de digitação, pode aumentar o risco de inconsistências para quem apenas “confirma e envia” sem conferir. Em outras palavras, o trabalho mudou de lugar: hoje é preciso menos preenchimento e mais revisão. Para entender o que muda na rotina do contribuinte de fato e onde ainda estão os principais pontos de atenção da pré-preenchida do Imposto de Renda 2026, o InfoMoney conversou com Charles Gularte, sócio-diretor da Contabilizei. Mesmo que você já tenha enviado a sua declaração, vale checar para ter tranquilidade ou corrigir em tempo, se necessário.DARF automático reduz risco de pagar imposto duas vezesEssa é uma das mudanças mais relevantes da pré-preenchida em 2026. Na prática, isso resolve um problema comum: divergências entre os valores pagos e informados ao longo do ano que levavam o contribuinte a pagar duas vezes o imposto.Charles Gularte cita o exemplo do profissional autônomo que recolhe mensalmente o carnê-leão. Ele calcula o imposto, emite a guia e paga, mas esse pagamento não ficava registrado automaticamente na declaração.“Com a nova automação, os pagamentos via DARF são identificados automaticamente e já alocados nos campos corretos para descontar do imposto devido no ajuste anual”, explica.A mudança também alcança quem investe em bolsa, pois o ReVar, sistema usado para apurar o IR nas operações de renda variável, também entra nessa regra.Renda variável: IRRF agora é automáticoOutro avanço relevante da pré-preenchida é a inclusão automática do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre operações em bolsa. E esse é justamente um dos pontos onde mais há confusão, alerta Gularte.O especialista destaca os erros mais comuns ao declarar renda variável no IR:Erro comumO que acontece na práticaAplicar isenção indevidaNo day trade, não há isenção: qualquer lucro é tributado, independentemente do valor movimentado.Confundir alíquotasOperações comuns pagam 15% sobre o lucro; no day trade, a alíquota sobe para 20%.Ignorar o IRRF (“dedo-duro”)A corretora retém 1% do lucro no day trade, que deve ser abatido para não haver pagamento a mais.Misturar prejuízosPerdas em day trade só compensam ganhos em day trade, não podem ser usadas em operações comuns.Não descontar custosTaxas e emolumentos devem ser abatidos. Sem isso, o imposto incide sobre um lucro maior do que o real.Por fim, atenção à ficha de Renda Variável mesmo no prejuízo:“A ficha de Renda Variável é um histórico indispensável: é nela que se registra o prejuízo de um mês para que se possa descontá-lo de lucros futuros”, lembra o sócio da Contabilizei.e-Social entra no IR e muda a forma de declarar domésticosA integração da pré-preenchida com o eSocial muda a lógica de preenchimento para quem tem empregado doméstico.Informações como salários, décimo-terceiro e encargos pagos ao longo do ano passam a ser importadas automaticamente para a declaração. Antes, o contribuinte precisava reunir esses dados manualmente, o que abria espaço para falhas, principalmente por esquecimento.Mas vale lembrar que a regra não mudou: esses dados precisam constar na declaração.“Mesmo que não seja mais possível deduzir os valores pagos para esses profissionais, ainda é obrigatória a inclusão do total para evitar problemas como multas por omissão”, alerta Gularte. Dependentes vêm mais completos e exigem estratégiaA forma como os dependentes aparecem na declaração também mudou, e isso pode ter impacto direto no imposto a pagar.Com a pré-preenchida mais completa, informações de renda, pagamentos e até patrimônio de dependentes passam a ser importadas automaticamente quando esses dados já constam na base da Receita. Ao mesmo tempo que facilita, isso também expõe um ponto que muitos contribuintes ignoram: incluir um dependente nem sempre é vantajoso.“Quando você adiciona um dependente, toda a renda dessa pessoa passa a compor a base de cálculo do titular. Isso pode aumentar o imposto devido, principalmente em famílias que já estão nas faixas mais altas de tributação”, explica Charles Gularte.Outro erro recorrente é tentar incluir o mesmo dependente em mais de uma declaração, o que não é permitido e costuma travar o envio ou gerar inconsistências.Com a lógica de “núcleo familiar”, a tendência é que esses conflitos diminuam, já que a Receita passa a cruzar automaticamente essas informações e trazer parte dos dados já organizados na pré-preenchida.O que ainda não aparece na pré-preenchida (e pode dar problema)Apesar dos avanços, a declaração pré-preenchida ainda está longe de ser completa.O sistema depende de informações enviadas por terceiros, como empresas, bancos e cartórios. Tudo o que acontece fora desses canais, especialmente transações entre pessoas físicas, tende a não aparecer automaticamente.“Qualquer movimentação que não passe por sistemas formais de reporte fica fora da pré-preenchida. Isso inclui desde aluguel pago direto a outra pessoa até empréstimos entre familiares ou rendimentos no exterior”, observa Gularte.Isso significa que uma parte relevante da declaração ainda depende totalmente do contribuinte. Pagamentos a profissionais liberais fora da área da saúde, por exemplo, precisam ser informados manualmente. O mesmo vale para despesas com reformas de imóveis, que não aparecem automaticamente, mas fazem diferença no cálculo de ganho de capital no futuro.No caso de investimentos, as lacunas são ainda mais sensíveis. Aplicações no exterior, criptoativos mantidos fora de exchanges brasileiras e variações cambiais continuam exigindo controle próprio, e são justamente áreas onde a Receita tem ampliado o monitoramento.“A pré-preenchida é um ponto de partida, não um retrato completo da sua vida financeira. O que não está ali continua sendo responsabilidade dele incluir corretamente”, afirma o especialista.The post IR 2026: pré-preenchida teve “upgrade”, mas ainda exige atenção; veja como não errar appeared first on InfoMoney.