A popularidade de Donald Trump atingiu um dos índices mais baixos da história dos Estados Unidos, com apenas 36% de aprovação em seu segundo mandato como presidente norte-americano.Às vésperas das eleições de meio de mandato — as chamadas midterms —, que renovam o Congresso americano e alguns governos estaduais, o cenário preocupa o Partido Republicano.Em entrevista à CNN Brasil, a pesquisadora Priscila Caneparo, professora e pós-doutora em Direito Internacional, aponta dois fatores que explicam a queda de popularidade de político norte-americano: o envolvimento dos Estados Unidos no conflito do Oriente Médio e o aumento do custo de vida, especialmente dos combustíveis e dos alimentos.Bandeiras de campanha sob ataque Leia Mais Análise: Guerra no Irã se torna pesadelo político para aliados dos EUA Análise: Republicanos veem rebelião contra Donald Trump dentro do partido Congresso americano pode tirar Trump do poder? Entenda efeitos da guerra Ao Bastidores CNN, Priscila destacou que as duas principais promessas de campanha de Trump não estão sendo respeitadas por suas próprias ações. “A primeira bandeira de campanha era que ele é o articulador da paz, que os Estados Unidos não fariam mais ‘guerras eternas'”, afirmou. No entanto, o que os americanos observam é um aumento expressivo dos gastos militares, incluindo o redirecionamento de um quarto do orçamento destinado à NASA para o financiamento do contingente militar do país.A professora também ressaltou a contradição econômica: durante a campanha, Trump criticou duramente o antecessor Joe Biden pela alta da inflação e pelo encarecimento dos alimentos e combustíveis. Agora, ao colocar em risco o comércio internacional, Trump contribui para a elevação do preço do petróleo — commodity cujo valor está interligado ao cenário global — e, por consequência, para o aumento do custo logístico e dos alimentos em um país majoritariamente dependente do transporte rodoviário.Risco eleitoral para os republicanosA insatisfação do eleitorado republicano, que votou em Trump esperando a redução da inflação e o fim das “guerras eternas”, pode se traduzir em perdas significativas tanto no Congresso quanto em governos de estados norte-americanos importantes. “Podemos sim ter uma grande derrota do Partido Republicano nas midterms deste ano”, declarou Priscila .Conflito Israel-Líbano: solução distanteAlém do impacto eleitoral, a professora também analisou as perspectivas de um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã para conter as tensões entre Israel e Líbano. Para a especialista, o conflito nessa região é de natureza endêmica e vai muito além das disputas envolvendo Irã e Estados Unidos. Ela lembrou que uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, de 2006, já previa a desmilitarização do sul do Líbano, mas nenhuma das partes cumpriu o acordado.Priscila apontou ainda a complexidade interna do Líbano: o governo libanês, que não é composto por integrantes do Hezbollah, não possui poder suficiente para impor ações concretas contra o grupo, que é mais próximo do Irã do que do próprio governo local. “A população libanesa não quer que o Hezbollah se desarme neste momento, em que Israel ataca a infraestrutura do sul do Líbano”, pontuou. Diante desse cenário de tamanha complexidade, a especialista concluiu que “não há, nesse momento, abertura para a finalização desse conflito endêmico entre Israel e Líbano”. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.