Por Folha de São Paulo 29/08/2025 9h30 — emVariedadesBRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A organização da COP30, a conferência de clima da ONU (Organização das Nações Unidas), fez um apelo para que o setor privado amplie seu engajamento no combate às mudanças climáticas.O pedido foi feito na sétima carta presidência brasileira da cúpula, assinada pelo presidente da conferência, o embaixador André Corrêa do Lago, num momento em que o envolvimento do setor é alvo da política antiambiental do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e enfrenta uma crise de preços alto dos hotéis em Belém, sede do evento.O documento reforça o engajamento do setor, nas últimas décadas, em investimentos voltados à transição energética e a produções de menor impacto ambiental. Pede também que empresários assumam o compromisso de liderar o financiamento nesta área, que ainda é muito dependente dos recursos públicos dos países."O momento de agir com urgência é agora. O setor privado já acelerou a transição de forma muito significativa, no entanto, ele precisa agora dar um passo à frente, não para trás, aumentando o engajamento em transformar isso em uma realidade exponencial", afirma a carta.A preocupação da presidência da COP se dá tanto porque as dificuldades logísticas de Belém ameaçam reduzir a participação de empresários na conferência, mas também pela realidade geopolítica.Em entrevista à Folha em julho, Corrêa do Lago afirmou que as guerras, a força da extrema direita em eleições pelo mundo e o tarifaço de Trump ameaçam o resultado das tratativas da conferência."As negociações evoluem muito de acordo com as circunstâncias internacionais, e não preciso dizer que vivemos circunstâncias internacionais particularmente complexas", afirmou.Desde que voltou à presidência dos EUA, Trump vem cortando financiamento de projetos sustentáveis e ampliando benefícios, por exemplo, para combustíveis fósseis.Um levantamento da Clean Economy Tracker, da Atlas Public Policy, concluiu que os ataques do republicano causaram o cancelamento de US$ 18,6 bilhões (R$ 100,7 bilhões) em projetos de energia limpa, em comparação com apenas US$ 827 milhões (R$ 4,4 bilhões) em 2024.Trump também vem pressionando outros países a relaxarem seus compromissos de combate às mudanças climáticas e, em vez disso, queimarem mais petróleo, gás e carvão.Ainda na última quarta-feira (27), uma das principais alianças bancárias globais voltadas para o clima anunciou que está "pausando" suas atividades após perder importantes membros europeus e de Wall Street.A Net-Zero Banking Alliance afirmou que, em razão das políticas trumpistas, abriu uma votação interna sobre a possibilidade de deixar de ser uma organização baseada em filiação para adotar uma estrutura mais flexível.O cenário se torna mais preocupante uma vez que todas as últimas conferências ambientais da ONU travaram no mesmo ponto: a resistência dos países ricos em atender a demanda das nações em desenvolvimento por mais dinheiro para financiar soluções climáticas.Na última edição da cúpula climática, no Azerbaijão, a negociação deste item foi formalmente encerrada com a aprovação de uma nova meta, chamada de NCQG, que foi considerada frustrante (US$ 300 bilhões, ou R$ 1,6 trilhão).Por isso, o Brasil assumiu o compromisso, junto com o Azerbaijão, de criar um roteiro para como o mundo conseguirá mobilizar US$ 1,3 trilhão (R$ 7,2 trilhões) em financiamento climático.Para tentar avançar diante deste impasse, o Brasil já vem adotando uma estratégia de mobilizar outros espaços de negociação além da COP30, e Corrêa do Lago conta com o engajamento do setor privado para melhorar este panorama.Ele lembra, por exemplo, que o modelo de financiamento climático baseado majoritariamente em doações estatais dos países ricos para nações em desenvolvimento foi desenhado em 1992.Desde então, porém, o projeto nunca se transformou em realidade, enquanto a mudança climática se agravou."Não só os países desenvolvidos fugiram clarissimamente da responsabilidade dos recursos públicos, como, além do mais, a escala do que é necessário [mobilizar] se tornou infinitamente maior do que todo mundo achava em 1992. Então, o setor privado vai ter um papel [...] de aumentar os recursos para [chegarmos] a US$ 1,3 tri", afirmou.Ao voltar ao posto de presidente, Trump retirou pela segunda vez os EUA do Acordo de Paris. Portanto, o engajamento dos recursos da maior economia do mundo para o financiamento climático deve cair drasticamente daqui em diante.Lago afirma, porém, que o investimento em transição energética e na produção sustentável é cada vez mais lucrativo, argumento a favor do envolvimento do setor privado dos EUA."Havendo oportunidades de negócios, o setor privado americano poderá ter uma atuação muito maior do que jamais o setor público americano teve com relação a isso", afirmou. "Não vai haver uma batalha ideológica com relação a isso."Finalmente, a participação do setor privado na COP também está em xeque diante da crise logística de Belém, que ameaça esvaziar a cúpula em razão dos altos preços para se hospedar na cidade durante o evento.Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o empresário Ricardo Mussa (ex-Raízen e Cosan) afirmou que os valores já afastam a participação de CEOs da conferência.Na carta, Lago reconhece esse problema, mas lembra que a realidade de Belém ilustra, por um lado, os efeitos negativos das mudanças climáticas e da desigualdade social; por outro, a vulnerabilidade da população da cidade deve servir de inspiração na busca de soluções sustentáveis."Reconhecemos que viajar para Belém apresenta desafios logísticos. Mas esse é precisamente o momento em que o setor privado pode liderar o caminho, demonstrar que a liderança climática significa se engajar com o mundo real", escreve ele."Essa conversa crítica tem que acontecer não só quando é fácil, mas quando mais importa."Bastidores da PolíticaÁguas de Manaus transforma vida do Manauara em pesadelo diário"; // imagens[1] = // ""; // imagens[4] = // ' source src = "/sites/all/themes/v5/banners/videos/vt-garcia-07-2023.mp4" type = "video/mp4" >'; // imagens[2] = // ""; // imagens[4] = // ""; // imagens[3] = // ""; // imagens[4] = // ""; index = Math.floor(Math.random() * imagens.length); document.write(imagens[index]);]]>