O jornalista César Ferraz, de 73 anos, faleceu nesta quinta-feira (28), em Belo Horizonte, em decorrência de complicações do Alzheimer. Ele estava internado desde a última sexta-feira no Hospital da Unimed, no bairro Santa Efigênia. O velório será realizado nesta sexta-feira (29), a partir das 10h, no Cemitério Bosque da Esperança, onde também ocorrerá o enterro, às 14h.Nascido em Carmo de Minas, no Sul de Minas, Ferraz formou-se em jornalismo pela Universidade de São Paulo (USP). Após atuar na Editora Abril, em São Paulo, mudou-se para Belo Horizonte nos anos 1980, quando assumiu a sucursal mineira da revista Veja. Foi ali que conquistou um de seus maiores feitos profissionais: publicou, em primeira mão, o discurso que Tancredo Neves faria como presidente da República em 15 de março de 1985.Naquele período, Tancredo foi internado no Hospital de Base de Brasília horas antes da posse, mas não resistiu a uma série de complicações médicas e faleceu em 21 de abril do mesmo ano, após sete cirurgias e 39 dias de internação. O texto histórico chegou às mãos de Ferraz por meio de Hélio Garcia, então governador de Minas e aliado próximo do político.Após sua passagem pela Veja, César Ferraz assumiu a editoria de política do jornal Hoje em Dia, ainda em seus primeiros anos de existência. Ali, teve papel fundamental na formação de jovens repórteres, tornando-se referência pelo jeito sereno, ponderado e generoso com os colegas de redação. Muitos mantiveram a amizade e continuaram a frequentar sua casa em Nova Lima, onde ele recebia com hospitalidade.Ferraz também atuou na área de comunicação corporativa, à frente da Palavra Comunicação, sempre reconhecido pela elegância, sinceridade e delicadeza no trato com clientes, amigos e colegas de profissão.Radicado em Belo Horizonte desde a década de 1980, o jornalista adotou a capital mineira como sua cidade. Bem-humorado e apreciador de boa comida, gostava de reunir familiares e amigos em sua casa no condomínio Ville de Montaigne, em Nova Lima. Mesmo após o diagnóstico de Alzheimer, manteve o hábito de cultivar encontros e compartilhar momentos de afeto.César Ferraz deixa um legado marcado pelo jornalismo sério, ético e humano, além da lembrança de um convívio pautado por elegância e generosidade.