A inflação dos Estados Unidos (EUA) em julho veio em linha com as expectativas do mercado, mas a composição do indicador trouxe sinais mistos, afirmam economistas. O índice de preços (PCE) subiu 0,2% no mês e foi a 2,6% em um ano.A economista-chefe da Lifetime Gestora de Recursos, Marcela Kawauti, destaca as notícias positivas de desaceleração de bens não duráveis, de 0,5% para 0,2% em 12 meses, e dos preços de alimentos e de energia, que passaram de respectivos 2,2% para 1,9% e de -1,6% para -2,7%.Por outro lado, os custos finais de bens duráveis avançaram de 0,9% para 1,1%. O núcleo, que exclui os preços mais voláteis, também subiu levemente, de 2,8% para 2,9%.LEIA TAMBÉM: Quer saber onde investir com mais segurança? Confira as recomendações exclusivas do BTG Pactual liberadas como cortesia do Money TimesO estrategista-chefe da RB Investimentos, Gustavo Cruz, por sua vez, aponta que alta no núcleo sinaliza que a desinflação recente tem sido puxada principalmente por itens de energia — como foi observado no CPI.Além disso, os serviços continuam pressionando a inflação, o que se refletiu na composição do consumo.“Os dados foram consistentes com o CPI de julho, que também mostrou núcleo pressionado, especialmente em serviços como habitação e saúde. Por outro lado, a queda no preço do petróleo ao longo do ano vem ajudando a aliviar a inflação”, diz Cruz.Fed vai cortar juros?Kawauti, da Lifetime, afirma que o cenário é “bastante desafiador” para o Federal Reserve (Fed). A autoridade monetária precisa lidar com os efeitos adversos das políticas protecionistas norte-americanas e do aumento das tarifas sobre produtos importados, que resultam em preços mais altos e desaceleração da economia.As últimas indicações do banco central do país, no entanto, vão no sentido de privilegiar a economia, levando os analistas de mercado a entendem que a retomada do ciclo de cortes de juros deve ocorrer já em setembro.O discurso do chair Jerome Powell, no Simpósio de Jackson Hole, na semana passada, reforçou a percepção de que o ciclo da flexibilização monetária nos EUA está cada vez mais próximoApós a PCE de hoje, o mercado chegou a aumentar para 87,2% a aposta de que o Fed reduziria a taxa em 0,25 ponto percentual em setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch, do CME Group.Cruz, da RB Investimentos, por outro lado, diz que o patamar da inflação ainda é elevado demais para justificar o afrouxamento imediato da política monetária.“A trajetória recente aponta mais para uma pressão de alta do que de queda, o que torna qualquer decisão de corte pelo banco central um movimento delicado e surpreendente, considerando seu histórico”.