O Drex não morreu — mas ficou diferente: O que o diretor do Banco Central disse sobre o real digital em evento da ABBC

Wait 5 sec.

A mudança recente do real digital (Drex), que abandonou a tecnologia blockchain, levantou suspeitas sobre o futuro do projeto. No entanto, Fábio Araújo, diretor do Banco Central e que atualmente coordena os trabalhos do Drex, apontou para o sentido oposto.Para ele, o tema central do debate sobre tecnologia hoje é a tokenização de ativos, algo que pensava-se ser possível somente com a tecnologia de registro distribuído (DLT, o nome técnico da blockchain). No entanto, Araújo afirma que o BC vislumbrou uma alternativa à tokenização fora dessa tecnologia, o que explica o abandono da blockchain na continuidade dos estudos sobre o Drex. Ele palestrava em um evento da Associação Brasileira de Bancos (ABBC) nesta sexta-feira (29). “Queremos trazer toda essa tecnologia da tokenização para fora da DLT, em uma tecnologia mais confortável do ponto de vista regulatório”, explica o diretor do BC. LEIA TAMBÉM: As recomendações das principais corretoras de criptomoedas estão em um e-book gratuito do Crypto Times; cadastre-se para receberIsso porque o Drex, que está em sua terceira fase, enfrentou problemas de privacidade nas fases anteriores. Isso porque a blockchain funciona como uma caixa de vidro que armazena as informações: é segura, porém transparente. “Alguns Bancos Centrais abriram a discussão sobre qual o nível de privacidade iam oferecer à população. Esse não foi o caso aqui no Brasil, que já tem a LGPD [Lei Geral de Proteção de Dados] e que já garante o nível de proteção dos dados das pessoas, que é um um nível elevado e que foi discutido pela sociedade”, diz Araújo. “Não cabe ao Banco Central questionar esse paradigma já estabelecido”. Além da LGPD, o Brasil também conta com uma regulação sobre o sigilo bancário, que faz com que as pessoas possam proteger suas próprias transações de terceiros.Sobre a atual fase do Drex, Araújo afirma que o BC está trabalhando em uma arquitetura “que possa incorporar essas características e gerar um produto útil para a população”.