A igualdade de género continua a ser um dos tópicos mais debatidos na sociedade e não apenas por uma questão de justiça social, mas também por estar diretamente associada à capacidade de inovar e competir num mercado em constante mudança. Portugal é considerado o terceiro país da União Europeia com melhor desempenho na promoção da igualdade entre mulheres e homens, de acordo com o relatório “Mecanismos institucionais para a igualdade de género”, do Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE). Este reconhecimento é o início de um processo que se completa com ações concretas dentro das empresas, na forma como recrutam, remuneram e promovem talento.Quando a lei é aplicada com visão estratégica, a igualdade de género deixa de ser um requisito e torna-se um motor de inovação. A legislação portuguesa exige medidas como a igualdade remuneratória por trabalho igual ou de igual valor, a transparência salarial e a representação equilibrada nos órgãos de administração. A nível europeu, a Diretiva da Transparência Salarial estabelece a obrigação de monitorizar e corrigir disparidades salariais superiores a 5%. Contudo, mais do que normas legais, estamos a falar de oportunidades para as empresas repensarem a forma como atraem, retêm e motivam o talento, criando equipas mais criativas e resilientes.Segundo o Barómetro das Diferenças Remuneratórias entre Mulheres e Homens de 2025, que divulga dados referentes a 2023, as mulheres ganham, em média, cerca de menos 12,5% que os homens, o que equivale a 46 dias de trabalho não remunerados. Ademais, já em 2025, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) notificou cerca de 4.000 empresas portuguesas por indícios de desigualdade remuneratória acima do valor de referência. São números preocupantes, principalmente numa época em que as mulheres estão cada vez mais qualificadas, o que revela o desperdício de talento que poderia estar a impulsionar os negócios.Por entre os diversos fatores que podem explicar esta realidade, está o constante crescimento do setor da tecnologia, um dos mais bem remunerados e com maior procura por profissionais, mas no qual as mulheres ainda estão sub-representadas. Se não houver mais investimento em formação, mentoria e integração feminina nesta área, o fosso poderá manter-se, ou até vir a aumentar.A diversidade de género no universo empresarial não é apenas uma exigência legal, é uma importante vantagem competitiva. O relatório “Diversity Matters Even More” 2023, da McKinsey, conclui que as empresas com equipas executivas mais diversas têm mais 39% de probabilidade de superar a média de lucro. Mais perspetivas, mais experiências, mais inovação – esta é a equação que impulsiona empresas e economias.Neste contexto, é importante que as empresas promovam a igualdade como parte da sua estratégia, criando ambientes inclusivos, onde o talento se desenvolve independentemente do género. Quanto mais cedo construirmos equipas diversas, mais rapidamente vamos identificar as vantagens de uma cultura empresarial que é para todos.O conteúdo Igualdade de género na Lei, inovação nas empresas aparece primeiro em Revista Líder.