Três meses se passaram desde que o empresário Adalberto Amarílio dos Santos desapareceu, no dia 30 de maio, após passar o dia com um amigo em um evento de motocicletas, que acontecia no Autódromo de Interlagos, na zona sul de São Paulo. O crime continua sem solução.O corpo de Adalberto foi encontrado em 3 de junho, dentro de um buraco em uma área de obras no kartódromo de Interlagos. Até hoje, a polícia não sabe quando o empresário foi morto. Já são 90 dias sem respostas.Procurada por atualizações, a Polícia Civil de São Paulo informou que, por hora, não há informações que possam ser divulgadas, com o objetivo de preservar os trabalhos de investigação.5 imagensFechar modal.1 de 5Vídeo mostra difícil resgate de corpo de empresário morto em InterlagosReprodução2 de 5Laudo encontra lesões no joelho de empresário morto em InterlagosReprodução3 de 5Morte em Interlagos: empresário consumiu cerveja e maconha, diz amigoReprodução4 de 5Autódromo de Interlagos, na zona sul de SPReprodução/ Jose Cordeiro/SPTuris5 de 5Rafael Aliste (esq.) estava com empresário Adalberto Junior (dir.), encontrado morto em obra no Autódromo de Interlagos, na zona sul de SPReprodução/Redes SociaisCronologia do desaparecimentoAdalberto não voltou para casa após ter passado o dia com um amigo no evento de motocicletas no Autódromo de Interlagos. Em depoimento à polícia, o amigo descreveu como foi o dia em que o empresário desapareceu.Amigos há cerca de oito anos, de acordo com o relato, os dois mantinham o mesmo interesse por motocicletas e participavam de um grupo de WhatsApp, chamado “Renatinha Motoqueirinha”, no qual organizavam passeios e conversavam diariamente.Adalberto e o amigo participaram de test drives de motocicletas, das 14h30 às 17h. Em seguida, foram tomar um café em um dos quiosques e passear pelo evento. O empresário, então, teria sugerido que os dois tomassem uma cerveja.Às 17h15, compareceram a uma ativação de motocross dentro do evento e, às 19h45, foram assistir ao show do cantor Matuê. Durante a apresentação, Adalberto e o amigo teriam usado maconha. A substância foi adquirida de estranhos, no local, pelo próprio empresário. Eles beberam cerca de oito cervejas.Ainda segundo o depoimento, Adalberto estava alcoolizado e alterado – a combinação da maconha com a cerveja o deixou “mais agitado que o normal”. Não houve brigas, desentendimentos ou qualquer outra situação que pudesse trazer problemas, contou o amigo.O show acabou às 21h e os dois se despediram às 21h15. Adalberto alegou que precisava ir embora para jantar com a esposa. O amigo permaneceu no evento, comeu um hambúrguer e tomou refrigerante. Ele disse que deixou o Autódromo de Interlagos às 22h30, cheg0u em casa às 23h e adormeceu.Por volta das 2h de sábado (31/5), recebeu uma mensagem da esposa do empresário, perguntando sobre o paradeiro do marido.No dia seguinte ao desaparecimento de Adalberto, domingo (1º/6), o amigo que prestou depoimento teve uma motocicleta roubada. Ele contou que foi abordado por quatro indivíduos armados, que estavam em duas motos. O celular e o capacete dele também foram levados.7 imagensFechar modal.1 de 7A polícia achou corpo de Adalberto próximo ao posto 9 do Autódromo de InterlagosTV Globo/Reprodução2 de 7Os agentes localizaram o cadáver em um buraco de 2 metros de profundidade e 40 cm de diâmetroTV Globo/Reprodução3 de 7De acordo com a PM, a vítima estava de capacete, o que dificultou a confirmação da identidade do corpoTV Globo/Reprodução4 de 7Adalberto Junior estava desaparecido desde a última sexta-feira (30/5)Rede social/Reprodução5 de 7O empresário Adalberto Junior com a esposa, FernandaRede social/Reprodução6 de 7Ele era empresário Rede social/Reprodução7 de 7O corpo do empresário Adalberto Amarilio Junior foi encontrado em um buraco em Interlagos, em junhoRede social/ReproduçãoCorpo encontrado em buracoO corpo de Adalberto foi encontrado no dia 3 de junho, na Avenida Jacinto Júlio dentro de um buraco de 2 metros de profundidade e 40 centímetros de diâmetro, por um dos funcionários de uma construção que ocorre no local. Inicialmente, o trabalhador acreditou se tratar de um boneco, já que só conseguia ver o capacete do empresário, mas acionou as autoridades mesmo assim.Um inquérito foi instaurado no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), que investiga o caso como homicídio. De acordo com a diretora do departamento, Ivalda Aleixo, o cadáver não tinha lesões aparentes, vestígios de sangue, ferimentos ou fraturas.O empresário estava no buraco, dentro de um vão de uma obra, com um capacete “colocado” na cabeça e as mãos para cima, vestindo nada além de uma jaqueta e a cueca. O cadáver ainda tinha muita terra no rosto e nas mãos.Veja:A diretora do DHPP acredita que Adalberto foi colocado no buraco já morto ou desacordado, pois, segundo ela, não havia sinais de que o empresário tenha reagido ou tentado escalar o local. Ivalda ainda mencionou que a vítima estava a cerca de um metro de profundidade na terra, e que só não estava mais abaixo porque os braços impediram que o corpo descesse. Leia também São Paulo Caso Adalberto: polícia examina 6 celulares da segurança de Interlagos São Paulo Empresário morto em Interlagos: lutador de jiu-jítsu é alvo de mandado São Paulo Morte em Interlagos: sangue em carro de empresário é de desconhecida São Paulo Empresário morto em Interlagos: polícia aposta em mais de um envolvido Seguranças suspeitosApesar de não cravar a dinâmica da morte do empresário Adalberto, para a Polícia Civil a hipótese mais provável é que a vítima foi morta durante uma briga com um segurança que trabalhou no evento de motocicletas.O golpe fatal teria sido um mata-leão, visto que o corpo de Adalberto não tinha lesões aparentes. Laudos da Polícia Técnico-Científica de São Paulo concluiram que o empresário morreu por asfixia e tinha lesões nos joelhos.Em uma coletiva de imprensa, realizada no dia 18 de julho, as autoridades policiais revelaram pela primeira vez a informação de que havia cinco suspeitos pelo crime. Todos são seguranças que trabalharam no evento onde Adalberto foi visto com vida pela última vez. Quatro deles foram conduzidos ao DHPP na mesma data, e um não ainda não havia sido localizado.Além deles, um representante da empresa de segurança responsável pela segurança do evento, a ESC Segurança, também foi encaminhado à delegacia. No departamento, todos ficaram em silêncio.Dois dos suspeitos tiveram os nomes omitidos em uma lista de 184 funcionários enviada à polícia pela ESC Segurança. O único nome divulgado pela investigação foi o de Leandro de Thallis Pinheiro, lutador de jiu-jítsu. Na ocasião, o suspeito chegou a ser preso por porte ilegal de arma, mas foi liberado após pagar fiança no valor de R$ 1.804.Segundo as autoridades, Leandro exercia um cargo de liderança entre os seguranças, sendo essencial para a operação no dia do evento. No dia seguinte ao desaparecimento do empresário, o lutador não foi trabalhar, sinal que também levantou suspeitas. A empresa, por sua vez, não reconhece o vínculo do funcionário.Celulares apreendidos e depoimentosJunto com os suspeitos, a polícia apreendeu celulares e computadores para apurar possíveis pistas. O DHPP realizou a varredura em ao menos seis celulares pertencentes a vigilantes de duas empresas que faziam a segurança no Autódromo de Interlagos naquele dia.Além disso, o departamento solicitou a relação de seguranças para três empresas que atuaram no autódromo no dia em que a vítima participou do evento de motos, no qual foi visto vivo pela última vez. Funcionários de duas delas foram alvo de apreensões.Da empresa Malbork, os seguranças Alisson Silva e Leandro Silva, que são irmãos, tiveram seus aparelhos apreendidos, no dia 30 de junho. Foi quando também os celulares de Edmilson Barbosa, Paulo Júnior e dois aparelhos de Paulo Neves, da ESC Segurança, também foram alvo de um auto de apreensão.Os aparelhos foram submetidos à perícia. No dia 10 de junho, a Polícia Civil analisou, de forma superficial e com autorização prévia, os celulares de Edmilson, Paulo Júnior e Paulo Neves. Os laudos estão anexados ao processo que investiga o caso. A ação corre sob segredo de Justiça.Em depoimento, Paulo e Edmilson alegaram não terem presenciado e nem terem conhecimento de nenhum acontecido atípico que pudesse ajudar no esclarecimento do caso.