Após ser mantido em cárcere por 25 dias dentro de uma Kombi, um homem de 42 anos conseguiu ser resgatado ao pedir ajuda em uma agência bancária no Guará II, na manhã dessa quinta-feira (28/8).A vítima havia sido levada ao banco para sacar R$ 16 mil para o sequestrador. Ao aproveitar uma distração do criminoso, que o aguardava do lado de fora, o homem falou com uma funcionária da limpeza no local que o socorreu.Diante do pedido de ajuda, a trabalhadora, discretamente, trancou a porta do banco, alertou os seguranças, que ligaram para a Polícia Militar.Os policiais chegaram rapidamente e abordaram o suspeito. Ao perceber a chegada da polícia, o sequestrador quebrou os três celulares da vítima para dificultar a investigação.5 imagensFechar modal.1 de 5Sequestrador esperava vítima do lado de fora de banco Reprodução2 de 5Vítima ficou 25 dias presa em Kombi Divulgação/PMDF3 de 5Kombi usada no cárcere Divulgação/PMDF4 de 5PMDF resgatou homem em banco Divulgação/PMDF5 de 5Homem de 42 anos perdeu 8 mil reais Divulgação/PMDFA vítima, que foi levada ao hospital com várias lesões e hematomas, relatou à polícia que era constantemente ameaçada de morte. Os criminosos a levavam para um buraco e a ameaçavam de enterrá-la viva se não conseguisse o dinheiro.O delegado-chefe da 4ª DP, Marcos Paulo Loures, revelou que, ao ser entrevistado, o sequestrador se fez de “matuto” para tentar negar os fatos e alegou que a vítima teria se vingado dele por ter sido expulsa de sua casa.EmboscadaO homem resgatado foi atraído para uma emboscada. A vítima, que tinha vindo do Pará para Brasília a trabalho, conheceu uma garota de programa que o levou até o veículo, em uma área rural no Guará II. Após consumirem drogas e álcool no local, ele dormiu e, ao acordar, a mulher já havia ido embora. Em seu lugar, um criminoso o manteve em cativeiro com ajuda de outros comparsas.O homem, que trabalha na área de TI, havia contado para a prostituta sobre seu conhecimento em informática e o dinheiro que tinha na conta bancária. Enquanto ele dormia, ela teria repassado a informação para o proprietário do lote em que estava a Kombi.“Quando ele acordou, a moça já não estava mais lá. No lugar dela, estavam dois indivíduos que não deixaram mais ele ir embora. Um deles falou que a vítima teria que fazer dinheiro para eles a partir do conhecimento em informática que tinha. Entregaram uma lista com documentos de diversas pessoas para que o homem abrisse contas bancárias, empréstimos e cheques especiais em nome delas”, detalha o delegado.Ao se recusar a abrir contas em nome de outras pessoas e fazer empréstimos, ele começou a ser brutalmente agredido pelos bandidos com uma barra de ferro. Além das sessões de tortura, a vítima relatou que só recebia uma refeição por no dia e que tinha que fazer as necessidades no mato.O sequestrador exigia cada vez mais dinheiro, e a vítima, para ganhar tempo e sobreviver, passou a transferir pequenas quantias da sua própria conta, fingindo que eram resultado de fraudes. O cárcere durou 25 dias e causou um prejuízo financeiro de R$ 8 mil.Fachada de reciclagemA investigação levou os policiais a uma chácara na área rural do Guará, onde a vítima foi mantida em cativeiro. No local, foram encontradas porções de crack e maconha escondidos, com a ajuda de cães farejadores.O sequestrador, de 56 anos, desenvolve um trabalho de catador de lixo. Porém, seria fachada para o comércio de entorpecentes que ele realiza na região. Além disso, o criminoso já possuía passagens por receptação, tráfico de drogas e homicídio qualificado. No momento do flagrante, ele usava tornozeleira eletrônica.O criminoso foi indicado por sequestro e cárcere privado, crimes de tortura, roubo com restrição de liberdade, tráfico de drogas e extorsão. Caso seja condenado, ele pode pegar até 61 anos de prisão.O delegado afirma que as investigações continuam para identificar e prender os demais envolvidos nos crimes. Segundo a vítima, pelo menos 10 pessoas se revezavam para vigiá-la e agredi-la.“Dada a gravidade desse contexto é raríssimo casos parecidos que aconteceram no Distrito Federal. A gente não tem notícias de fatos parecidos assim na capital”, comenta Loures.