O que fazer quando o sócio morre? Seguro de vida empresarial pode blindar a empresa

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Um levantamento feito pelo Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração (DREI), órgão nacional que controla juntas comerciais, mostra que 97,3% das empresas no Brasil são LTDAs, sendo que mais de 90% delas são sociedades com dois sócios. Ou seja, empresas feitas de pessoas.Mas o que fazer quando um sócio morre? Muitas dessas empresas podem ter problemas sérios de sobrevivência nessas situações. Por isso, o seguro de vida pode se tornar uma ferramenta estratégica para mitigar os riscos sucessórios e preservar a continuidade do negócio nesses casos, segundo o advogado Eduardo Vieira, do Vieira e Serra Advogados. “O Brasil é feito de sociedade de pessoas, enquanto nos EUA é sociedade de dinheiro. Mas quando a pessoa falta é um problema”, disse Vieira.Outra questão importante é o número de empresas familiares no País, que representam cerca de 90% dos negócios, contribuindo com 65% do PIB e gerando 75% dos empregos formais, segundo dados do IBGE e Sebrae. Porém, a transição entre gerações também é uma barreira crítica: apenas 30% sobrevivem à segunda geração, e menos de 3% chegam à quarta, conforme levantamento da PwC e Banco Mundial. Nesse cenário, a opção por seguros especiais voltados para os acionistas ajuda a garantir a sobrevivência da empresa após a morte de sócios.Segundo Vieira, desde a formação societária já se recomenda formalizar um seguro de vida vinculado a cada sócio, tendo a empresa como beneficiária. Ele explica que, em caso de falecimento, essa apólice permite à empresa pagar os herdeiros pela cota do sócio sem recorrer a caixa próprio — evitando, assim, entrada de sócios indesejados ou conflitos na gestão.Empresa como beneficiáriaIcaro Rollemberg, especialista em gestão de risco e planejamento sucessório, esclarece que seguros, ainda que estejam ligados à vida da pessoa, podem ter como beneficiária a empresa. Essa indenização pode quitar a participação do sócio falecido ou suprir a perda de capital intelectual, o que protege tanto a empresa quanto a família.Além de evitar o choque imediato de âmbito financeiro e administrativo, o seguro garante ainda liquidez sem depender de inventário — um processo geralmente lento e oneroso. A advogada Daniela Poli Vlavianos, do Arman Advocacia, observa que essa estrutura reduz litígios sucessórios, respeita o direito dos sucessores à apuração de haveres (previsto no Código Civil) e preserva o pacto societário — o chamado affectio societatis.A advogada Gislaine Santos, da empresa de seguros Onda (antiga Onda Segura), reforça que a contratação do seguro com acordos prévios — como buy-sell agreements — permite aos sócios remanescentes adquirir a participação do sócio falecido, com os herdeiros sendo indenizados de forma justa e clara.Leia Mais: Veja como e onde verificar se existe seguro registrado no seu nomeAmadurecimento do mercadoVieira acrescenta que, nos últimos anos, observa um amadurecimento dos empresários justamente em razão da pandemia, que expôs a importância do planejamento sucessório. “Empresas formadas já estão procurando isso, mas as que estão em formação também podem se antecipar”, diz, frisando que usar seguro é um sinal de preparo e governança.O custo de apólices bem estruturadas é acessível, especialmente quando comparado ao impacto financeiro e emocional de uma sucessão mal conduzida. E mais: o seguro pode ser vitalício ou ajustável e até oferecer cobertura em vida — por exemplo, em caso de doença grave, o valor pode ser liberado antecipadamente, reduzindo ainda mais os riscos. “O seguro é garantia paralela: não entra no inventário, não tem penhora, oferece liquidez imediata e proteção juridicamente limpa”, diz Vieira.Dessa forma, o seguro de vida empresarial coloca-se como chave para a continuidade das empresas, por meio da prevenção de conflitos sucessórios, apoio financeiro imediato e profissionalização da gestão. É mais que proteção, é governança voltada à longevidade do negócio, porque no final é melhor prevenir do que remediar, como diz o ditado popular. Leia Mais: Quais tipos de seguros e seguradoras mais acumulam reclamações? Veja rankingThe post O que fazer quando o sócio morre? Seguro de vida empresarial pode blindar a empresa appeared first on InfoMoney.