Cerveja 2.0: como a inteligência artificial está reinventando o sabor da gelada do futuro

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Em 2016, a IntelligentX Brewing Company lançou a primeira cerveja desenvolvida com IA no mercado. A produção utilizava um algoritmo chamado Automated Brewing Intelligence (ABI) para “ajustar receitas com base no feedback dos consumidores”, segundo a Wired.Foram necessários sete anos até que outra grande cervejaria, a Beck’s, para comemorar seus 150 anos de fundação, resolvesse inovar e criar, a Beck’s Autonomous, 100% feita pela inteligência artificial – antes, a Carlsberg, em 2018, usou a IA para prever perfis de sabores e ajustar suas receitas.Depois disso, surgiram diversos projetos por todo o mundo.A Becks Autonomous foi criada para comemorar os 150 anos da cervejaria.Crédito: Divulgação/AB InBevSerá que estamos vendo o crescimento de uma tendência no mercado de cervejas?A demanda por cervejas sem glúten, com baixo teor de carboidratos, sem álcool ou sabores especiais, está fazendo o setor adotar uma nova abordagem para a fabricação. E isso está levando a indústria cervejeira a uma revolução na forma com que as empresas operam, desde a busca por maior precisão na fermentação, melhorias na qualidade e logística, explica matéria na Beer Madness.E, por mais que possa soar estranho para quem se apega às receitas centenárias que algumas cervejarias usam como estratégia de marketing, a verdade é que o número de empresas apostando na IA está crescendo, e isso acontece até no Brasil.Leia mais:Engenheiro brasileiro encontrou o copo ideal para manter a cerveja gelada por mais tempoBrasileiros estão entre os 100 líderes mais influentes em IAChatGPT deu dicas de como criar bombas durante testes de segurançaA Prussia Bier, cervejaria de Minas Gerais, lançou em 2023 uma Black IPA desenvolvida com o auxílio do ChatGPT para criar a receita e também usou o Midjourney para o rótulo. E a lista continua…Cerveja criada pela cervejaria mineira Prussia Bier usando inteligência artificial. Crédito: Reprodução/Cervejaria PrussiaEm 2023, a St. Austell Brewery, no Reino Unido, criou uma IPA com sabor tropical, apelidada de “Hand Brewed by Robots” (ou seja, “feita à mão por robôs”). No mesmo ano, no Japão, a Coedo Brewery usou a IA para analisar as preferências das pessoas e lançou quatro cervejas artesanais, uma para cada faixa etária pesquisada, comenta a The Economist.Mas… e o sabor?Segundo os cervejeiros consultados pela revista britânica, a resposta está sendo positiva.  Para Prinz Pinakat, chefe da divisão de cervejas da Tilray Brands, de Nova York, o uso da IA “nos dá acesso a novas receitas que não havíamos pensado antes.E isso é possível utilizando ferramentas de aprendizado de máquina que analisam sabores, ingredientes e equipamentos para criar novas receitas, ajustar o sabor, a acidez, quantidade de lúpulo e qualquer outro fator que possa impactar no produto entregue ao cliente, explica a The Economist.Um dos exemplos é a Species X Beer Project, que foi criada em 2021, nos Estados Unidos:Beau Warrem, em 2022, começou a treinar modelos de IA com receitas, leveduras, lúpulos e outros parâmetros.Em 2024, a IA passou a orientar a fabricação de cervejas, sugerindo combinações inéditas de ingredientes.As cervejas criadas com IA foram bem avaliadas pelos clientes, muitas vezes sendo consideradas superiores às produzidas manualmente.Em um caso, Warrem explicou a The Economist, “o robô sugeriu misturar malte Maris Otter, geralmente encontrado em stouts, com xarope de candi belga”.Eu nunca teria pensado em fazer isso em uma lager, jamais. Nós fabricamos mesmo assim, e eu achei que foi uma das melhores lagers que eu já fiz.Beau Warren, fundador da cervejaria Species X Beer Project.A cervejaria fechou em 2024 devido a dificuldades financeiras.A IA também está presente na criação de novos sabores, controle de qualidade e até na logística. Crédito: Shutterstock/View ApartRobôs analisam a composição de cervejas tradicionaisMas a IA não está presente apenas na fabricação da cerveja, ela também pode estudar a composição química da bebida para entender como criar novos sabores.Em 2024, pesquisadores da KU Leuven, universidade belga, usaram a IA para analisar a composição química de 250 cervejas belgas. Com isso, conseguiram treinar algoritmos para entender como a adição ou subtração de compostos aromáticos influencia no sabor.Os modelos que desenvolvemos nos ajudam a entender a complexa relação entre a química de uma cerveja, seu sabor e como os consumidores irão apreciá-la.Kevin Verstrepen, engenheiro de biociências da KU Leuven.Entretanto, para Pinakatt, a IA vai se tornar uma parte importante do processo de fabricação, mas o artesanato ainda é o foco”, o que torna mais difícil que máquinas assumam todo trabalho.O post Cerveja 2.0: como a inteligência artificial está reinventando o sabor da gelada do futuro apareceu primeiro em Olhar Digital.