Ford Mustang e Chevrolet Corvette: entenda a origem da rivalidade

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Quando se fala em carros esportivos, dois nomes imediatamente vêm à mente: Ford Mustang e Chevrolet Corvette. Símbolos de liberdade, juventude e potência, os dois modelos marcaram gerações e ajudaram a construir a identidade automotiva dos Estados Unidos. Mas afinal, como começou essa rivalidade?Para entender o fenômeno, é preciso voltar às décadas de 1950 e 1960, quando o mercado americano ainda buscava um carro esportivo que pudesse rivalizar com os europeus. O historiador e colecionador de automóveis clássicos, Mauricio Marx, explica como essa rivalidade começou.O início da rivalidade entre Ford Mustang e Chevrolet CorvetteA rivalidade entre o Ford Mustang e o Chevrolet Corvette não nasceu apenas das pistas e do desejo das montadoras superarem uma à outra. Ela é decorrente de um contexto histórico em que os Estados Unidos buscavam consolidar sua própria identidade no mercado de carros esportivos. Leia Mais Por que alguns carros da década de 90 estão com preços em alta nos EUA Dia do Automóvel: relembre 5 modelos que marcaram história no Brasil Automóvel apontado como "primeiro do mundo" completa 140 anos; conheça De acordo com o historiador Mauricio Marx, a rivalidade começou, de fato, com a necessidade da Ford de ter um carro esportivo para competir no mercado com a Chevrolet.“O primeiro Corvette chegou ao mercado em 1953, enquanto o Mustang só seria lançado em meados de 1964. Antes disso, em 1955, a Ford apresentou seu primeiro esportivo, o Thunderbird, um conversível de dois lugares equipado com motor V8. Apesar da proposta esportiva, o modelo era mais pesado que o Corvette, que levava vantagem com sua carroceria em fibra de vidro. Alguns Thunderbirds até chegaram a disputar corridas, mas o excesso de peso comprometeu o desempenho”, lembra o historiador.Diante disso, com o fim da produção do Thunderbird em 1957, o Corvette permaneceu sozinho nas competições de carros esportivos até 1964. O historiador afirma que, além da necessidade da Ford de voltar a ter um esportivo em seu portfólio, os confrontos entre Thunderbird e Corvette nas pistas ajudaram a acentuar os primeiros sinais da rivalidade que, mais tarde, se consolidaria entre Corvette e Mustang.A invasão do Ford MustangFoi a partir desse cenário que o Mustang surgiu, em 1964, como um dos lançamentos mais impactantes da história da indústria automobilística, pelo que afirma Marx. De acordo com o especialista, os americanos estavam “sedentos pela esportividade na época”.Nesse sentido, a invasão do Mustang no espaço foi grande. “A Ford protagonizou uma das maiores campanhas de marketing da história. O lançamento do Mustang foi acompanhado por mais de 15 milhões de pessoas e, simultaneamente, exibido em comerciais transmitidos por todas as emissoras de TV americanas”, destaca o historiador.“O impacto foi imediato: no primeiro dia, mais de 22 mil unidades foram vendidas, número equivalente à produção anual completa do Corvette naquele mesmo ano. Para coroar o feito, o Mustang ainda alcançou outro recorde em 1964, com cerca de 418 mil carros produzidos, tornando-se um fenômeno de vendas sem precedentes”, conta Marx.O historiador ainda relembra que, além das vendas, o Mustang ganhou muita força ao aparecer em filmes de grande bilheteria. O carro rapidamente se tornou o “queridinho dos americanos”, consolidando a rivalidade.Simbologia do Ford Mustang e Chevrolet CorvetteO historiador afirma que, embora disputassem o mesmo espaço simbólico, Mustang e Corvette representavam ideias diferentes para os consumidores.Corvette: era associado ao sonho de ter um esportivo conversível de dois lugares. Representava status, exclusividade e esportividade pura;Mustang: foi desenhado para ser acessível e versátil, podendo ser comprado em versões básicas com motor 6 cilindros ou em versões V8 luxuosas e cheias de opcionais. Isso consolidou o conceito dos pony cars, tornando-se um carro “para todos”.Rivalidade também no BrasilEmbora nascido nos Estados Unidos, o embate Mustang x Corvette também ecoou no Brasil, especialmente nas pistas. Entre os anos 1930 e 1960, pilotos que não podiam comprar novos carros europeus adaptavam motores Corvette e Thunderbird em Ferraris, Maseratis e Alfa Romeos antigas, criando os famosos carros artesanais conhecidos como “carreteras”.“No Brasil, a rivalidade também se dava pelos motores. Era comum vermos nomes como ‘Ferrari-Corvette’ ou ‘Maserati-Thunderbird’, resultado da adaptação feita pelos pilotos. Além disso, Ford e Chevrolet já brigavam entre si no automobilismo brasileiro”, conta o historiador.Mesmo com propostas diferentes, os dois modelos marcaram época e seguem no imaginário coletivo como ícones que ajudaram a definir o automobilismo e a cultura popular.Conheça a versão mais potente da história do Mustang