Belo Horizonte (MG) — A criatividade, em tempos de inteligência artificial, ganha novos contornos. Se antes era vista apenas como um atributo humano, hoje convive com algoritmos capazes de gerar imagens, textos, músicas e até ideias de negócios.Esse cenário não diminui o papel do criador, mas amplia horizontes: cabe ao ser humano direcionar, interpretar e dar significado ao que a máquina produz. Mais do que nunca, a criatividade se torna uma ponte entre tecnologia e emoção, unindo a lógica da IA à sensibilidade humana para gerar inovação com propósito. Leia também M Buzz Hotmart Fire: Creators serão os últimos a serem substituídos pela IA M Buzz Hotmart Fire 2025: onde ideias se transformam em negócios reais Conteúdo especial Hotmart Fire celebra 10 anos com 10 mil participantes previstos M Buzz Do produto à emoção: como marcas conquistam o coração do público Nesse contexto, Ramon Campos, publicitário, digital creator e estrategista criativo; Ramon Araújo, creator mobile e head de creators na promoview; Marina Camelo, especialista em marketing digital; e Igor Wallace, aluno da Hotmart Decola; trouxeram discussões acaloradas sobre “Criatividade em tempos de IA”.O assunto foi debatido durante o segundo dia do Hotmart Fire 2025, maior evento de Creator Economy da América Latina, que ocorre até amanhã (30/8), no Expominas, em Belo Horizonte.No início, Marina Camelo, especialista em marketing digital, lembrou que a IA nunca trará uma solução criativa. “Se você delega a parte criativa para a tecnologia, você chega a resultados medíocres.”Marina Camelo, especialista em marketing digitalJá o criador de conteúdo Ramon Campos afirma que criatividade sem repertório é cópia e que ela não substitui conversas e histórias de vida, por exemplo. Segundo ele, o repertório fica pobre e superficial com a IA na produção de conteúdo.Quanto a Igor Wallace, designer e aluno do Hotmart Decola, reforçou a importância de não enxergar a IA como substituta da criatividade humana, mas sim como um amplificador de possibilidades, capaz de acelerar processos e abrir espaço para soluções inovadoras.IA traz produtividade, mas não autenticidadeAinda no painel, Ramon Araújo, creator mobile, explicou que, ao refletir sobre a democratização por meio da tecnologia, a inteligência artificial surge como uma ferramenta poderosa para aumentar a produtividade.Ela permite que mais pessoas tenham acesso a recursos criativos antes restritos a especialistas, acelerando processos e ampliando possibilidades. No entanto, segundo ele, esse avanço não garante autenticidade.A originalidade, a sensibilidade humana e a capacidade de traduzir emoções em experiências são atributos que ainda não podem ser totalmente replicados pela IA.Para Ramon, “a tecnologia deve ser vista como aliada, mas jamais como substituta da criatividade genuína, que continua sendo o diferencial de quem deseja se destacar no cenário digital”.“É justamente por isso que as nossas narrativas têm muita personalidade, e nessa personalização a IA não consegue chegar”, afirmou.De vítima de abuso a embaixador de grandes marcas: a trajetória de Jorginho do CondadoA trajetória de Fausto Carvalho, carinhosamente conhecido como Jorginho do Condado, é marcada por quedas, reviravoltas e uma reinvenção que poucos poderiam imaginar. E ele trouxe tudo isso ao público reunido para vê-lo no Hotmart Fire.O sonho inicial era ser jogador de futebol, mas a carreira foi interrompida de forma traumática após sofrer abuso sexual.Buscando novos caminhos, encontrou no skate uma forma de liberdade e, mais tarde, na educação física, uma oportunidade de profissão. Foi durante a graduação que conheceu o universo da recreação, área que se tornaria essencial.“A virada aconteceu quando comecei a trabalhar em cruzeiros internacionais, onde permaneci por 15 anos. A bordo, aprendi idiomas, tive contato com diferentes culturas e dei três voltas ao mundo”, lembrou.Jorginho compartilhou a trajetória como criador de conteúdoNo entanto, ao deixar os navios, veio a pandemia e, com ela, novos desafios. “No primeiro evento em que trabalhei após o isolamento social, sofri um duro golpe: criminosos invadiram minha conta bancária e roubaram R$ 32 mil, sendo R$ 12 mil de limite”, recordou.Em meio à adversidade, um detalhe mudaria toda a história dele. O humorista relembrou quando um vídeo viralizou nas redes sociais, chamando a atenção do mercado financeiro, fato que o ajudou a tornar-se parte da carteira da XP Investimentos.“Pouco depois, recebi uma ligação da marca, que me convidou para integrar a equipe como responsável por parte da carteira de clientes”, ressaltou.Com autenticidade e carisma, passou a ser reconhecido como o profissional que humanizou a figura do “faria limer”. Hoje, é embaixador da XP, símbolo de resiliência e da capacidade de transformar dores em novas oportunidades.Em entrevista ao Metrópoles, o criador de conteúdo deu um spoiler: lançará um torneio de Beach Tênis em breve.Marcas rebeldesEm outro painel, João Branco, profissional de marketing; e Rony Meisler, CEO do Grupo Reserva, trouxeram quatro premissas que a IA não sabe.Nada vende mais do que a verdadeO CEO do Grupo Reserva explicou que, ao focar apenas no que está abaixo do benchmark, perde-se de vista os pontos fortes já conquistados, que acabam se enfraquecendo.O desafio é equilibrar a correção de falhas com a manutenção dos diferenciais competitivos.O que realmente importa é o valor entregueÉ preciso se perguntar: como podemos realmente melhorar a vida dos clientes? João Branco afirma ver muitas empresas investindo pesado em marketing apenas para comunicar que estão há décadas no mercado, como “32 anos no Brasil”.“Mas, será que essa informação faz alguma diferença real para quem compra ou consome o serviço? O que realmente importa é o valor entregue, a experiência proporcionada e como a marca resolve problemas do cliente”, garantiu.O exemplo arrastaRony explicou que não se pode apenas dar conselhos se não trouxermos exemplos concretos.“No processo de venda, lidamos diariamente com pessoas — clientes, parceiros e todos os stakeholders envolvidos — e é nesse contato real que aprendemos e ajustamos estratégias”, avaliou.Construir marcas é deixar marcasConstruir uma marca vai muito além de ter um logo ou um produto reconhecido; trata-se de criar experiências, conexões e histórias que permanecem na memória das pessoas.“Cada vez que você apresenta algo novo, seja uma campanha, um produto ou uma iniciativa, isso é percebido — não apenas pelo mercado, mas por todos que interagem com sua marca”, completou João Branco.“São essas ações consistentes que transformam simples empresas em referências, e ideias em legados duradouros”, complementou Roney Maisler.Muito além da programaçãoQuem acompanha o Hotmart Fire desde o primeiro dia teve a oportunidade de conhecer diversas ativações de marca em todos os pavilhões do Expominas.Um exemplo é o E-book to Book, recurso da Hotmart exposto no evento que gera automaticamente a capa de um livro a partir de um prompt inserido na própria plataforma.Na prática, essa tecnologia possibilita transformar um livro digital em uma versão física, de forma otimizada, intuitiva e simples.“No E-book to Book há um percentual grande dos nossos clientes que tem e-books, e a gente vê que há uma oportunidade de estarem mais perto dos clientes deles. Com base nessas características, pensamos em viabilizar que mais criadores tenham possibilidade de vender produtos físicos”, afirmou Paulo Vendramini, diretor de Produtos na Hotmart.Vendramini explica que o objetivo é transformar criadores em verdadeiros empreendedores digitais. A ideia é oferecer soluções que permitam maior reinvenção e expansão dos produtos digitais.Nesse contexto, surge o agente de IA, um recurso aplicador e versátil, que pode ser criado para atender a múltiplos propósitos dentro do processo de trabalho do empreendedor digital.Entre as possibilidades, está o agente de vendas, que auxilia o infoprodutor a superar objeções e aumentar conversões, além de um agente de gestão, capaz de aprender continuamente, identificar padrões e otimizar a administração do negócio.Vendramini ressalta, no entanto, que todas essas ferramentas existem para potencializar o que é único em cada criador — a criatividade, a voz e a capacidade de gerar conexões autênticas.João Branco e Rony Meisler compartilharam quatro premissas que a IA não sabe*A jornalista viajou a convite da Hotmart para cobrir o evento durante os três dias.