O dólar perdeu força globalmente em agosto, após registrar em julho seu melhor desempenho no ano, à medida que investidores se preparam para uma economia mais fraca e cortes nas taxas de juros.O Bloomberg Dollar Spot Index caiu 1,6% neste mês, reduzindo o avanço de 2,7% em julho — o primeiro mês de alta desde a posse do presidente Donald Trump.Wall Street projeta que a moeda de reserva global continuará a trajetória de queda de 8% no ano, diante de sinais de desaceleração da economia e da expectativa de que o Federal Reserve volte a cortar os juros.Leia também“Minimis”: EUA começam a cobrar sua “taxa da blusinha” – um duro golpe no e-ecommerceDesde 2016, o limite para a isenção tarifária, conhecida como “de minimis” (do latim, “pequeno demais para importar”), era de US$ 800, Agora tudo paga imposto para entrar nos EUADólar na casa dos R$ 5,40: é hora de comprar para férias?Moeda americana oscila por diversos fatores e, sem atenção, pode azedar os planos; especialistas recomendam comprar aos poucos para evitar surpresas e manter o orçamento da viagem de férias sob controleNesse cenário, Trump tem questionado tanto a credibilidade do banco central quanto a confiabilidade dos dados econômicos, o que mina ainda mais o apelo do dólar.“Há implicações de longo prazo nas recentes ações do governo dos EUA”, disse Jayati Bharadwaj, chefe de estratégia cambial do TD Securities, em relatório divulgado na quarta-feira. “Isso corrói o status do dólar como ativo de segurança, e o prêmio de risco deve começar a pesar sobre a moeda.”A análise técnica também aponta para uma tendência de baixa. Segundo os preços de opções apurados até quinta-feira, os operadores esperam uma leve desvalorização do dólar nos próximos três a seis meses.O índice da moeda americana caiu abaixo da média móvel de 100 dias no início de março e permanece abaixo desse nível desde então. Duas tentativas de rompimento falharam neste mês, mantendo a média como uma resistência importante.A preocupação com a independência do banco central afeta o apelo do dólar, especialmente após Trump tentar destituir a diretora do Fed Lisa Cook, que afirmou que pretende resistir. Na quinta-feira, Cook entrou com uma ação judicial contra o presidente, dando início ao que promete ser uma longa disputa.Existe um “risco real” de que vários presidentes de bancos regionais do Fed sejam removidos de seus cargos no próximo ano, devido a manobras politicamente motivadas pela Casa Branca, alertou Lael Brainard, ex-vice-presidente do Fed.“Se Trump redefinir a relação com o Fed, isso se aproxima da dinâmica que vemos em mercados emergentes — e esse tipo de movimento dificilmente favorece a moeda”, afirmou Sahil Mahtani, diretor do Instituto de Investimentos da gestora Ninety One, em Londres.‘Menos Atraente’O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou em seu discurso no simpósio de Jackson Hole a disposição de reduzir os juros já na próxima reunião de política monetária, marcada para 17 de setembro.Até sexta-feira, os contratos de swap de juros indicavam 80% de chance de corte em setembro, com a precificação total de dois cortes de 0,25 ponto percentual até o fim de 2025. No total, o mercado já embute 125 pontos-base de afrouxamento até setembro de 2026.Essa perspectiva mais agressiva de cortes pressiona os rendimentos dos Treasuries. E isso, combinado com uma inflação ligeiramente mais alta, “torna a moeda menos atraente”, disse Mahtani.Enquanto isso, a expectativa de uma fraqueza prolongada do dólar deve levar investidores internacionais a ampliar a proteção cambial sobre seus ativos em dólares. Segundo o Morgan Stanley, os fundos de pensão e seguradoras dinamarqueses aumentaram suas posições de hedge desde o início do ano e as mantiveram estáveis entre maio e junho — embora os dados mais recentes de outros países europeus, além de Japão e Austrália, ainda não estejam disponíveis.“Estamos otimistas com os ativos dos EUA, mas não com a moeda americana”, afirmou Serena Tang, chefe global de estratégia de ativos cruzados do Morgan Stanley em Nova York. “O mercado financeiro dos EUA ainda é incomparável em tamanho e liquidez. Dito isso, a crescente incerteza política deve levar investidores estrangeiros a reforçar a proteção cambial, o que pressiona o dólar.”Segundo Mahtani, da Ninety One, os investidores estrangeiros detêm US$ 32 trilhões em ativos denominados em dólar. Ele estima que até US$ 1 trilhão possam ser vendidos caso os níveis de hedge voltem à média.“Minha impressão é que a maior parte desse ajuste cambial ainda está por vir”, concluiu Mahtani.©️2025 Bloomberg L.P.The post Dólar enfraquece em agosto e deve continuar cedendo globalmente; entenda motivos appeared first on InfoMoney.