Por Folha de São Paulo 29/08/2025 9h15 — emEconomiaSÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Operações da Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo deflagradas nesta quinta-feira (28) miraram a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) na cadeia produtiva do setor de combustíveis e do mercado financeiro.Com abrangência de dez estados, a força-tarefa teve cerca de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, suspeitos de crimes contra a ordem econômica, adulteração de combustíveis, crimes ambientais, lavagem de dinheiro, fraude fiscal e estelionato.Entenda em cinco pontos as operações desta quinta.*1. MEGAOPERAÇÃO CONTRA O PCCAs autoridades deflagraram nesta quinta-feira (28) a operação Carbono Oculto, liderada pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal, e as operações Quasar e Tank, da Polícia Federal, para desarticular a infiltração do crime organizado em negócios da economia formal.Segundo os órgãos, foi a maior força-tarefa contra o crime organizado da história do país em termos de cooperação institucional e abrangência.Com a mobilização de 1.400 agentes em pelo menos dez estados (São Paulo, Bahia, Goiás, Paraná, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Maranhão, Piauí, Rio de Janeiro e Tocantins), a força-tarefa teve mais de 350 alvos, entre pessoas físicas e jurídicas, suspeitos de envolvimento com o crime organizado.Estima-se que os negócios investigados movimentaram cerca de R$ 30 bilhões, e foram expedidos mandados para bloquear R$ 1,4 bilhão.2. 'SEQUESTRO' DO SETOR DE COMBUSTÍVEISSegundo as investigações, o PCC praticamente "sequestrou" o setor de combustíveis, controlando toda a cadeia produtiva, desde a estrutura portuária, formulação e refino, até o transporte, distribuição, postos de abastecimento e lojas de conveniência.Apurou-se que a organização criminosa trabalha com metanol, nafta, gasolina, diesel e etanol, e foram encontradas irregularidades em mais de 300 postos. Em bombas viciadas, os consumidores pagavam por um volume inferior ao informado ou por combustível adulterado, fora das especificações exigidas para comercialização.Entidades representativas do setor de combustíveis declararam apoio à operação Carbono Oculto e disseram que é fundamental assegurar um ambiente de negócios transparente que valorize empresas idôneas.3. PAPEL DAS FINTECHSPara movimentar e ocultar o dinheiro ilícito, as investigações afirmam que o PCC desenvolveu uma estrutura financeira complexa e profissional, envolvendo utilização de corretoras, administradoras de diferentes tipos de fundos de investimento e fintechs.Os investigadores apontam que a facção chegou a comprar instituições financeiras já estabelecidas no mercado por meio de fundos de participação.A fintech BK Bank, com sede em Barueri (SP), é considerada um dos principais alvos. A Receita Federal a descreve como um "banco paralelo" do PCC, tendo movimentado R$ 46 bilhões não rastreáveis entre 2020 e 2024. A defesa da empresa não foi localizada.Parte das transações, segundo os investigadores, envolveria diretamente a circulação de valores oriundos da venda clandestina de metanol desviado, inseridos no mercado formal por meio das chamadas "contas-bolsão" mecanismo típico de fintechs que concentra depósitos de múltiplos clientes em uma única conta, dificultando o rastreamento da origem do dinheiro.A fintech é apontada pelos investigadores como peça central na engrenagem de lavagem de dinheiro e ocultação patrimonial ligada ao desvio de metanol e à adulteração de combustíveis.Outro alvo do setor foi a Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes do país e listada na Bolsa, que sofreu busca e apreensão em sua sede em São Paulo. Suas ações chegaram a cair 22,87% na Bolsa nesta quinta, fechando em baixa de 15,69%.A empresa afirmou que colabora com as investigações, e disse ter "certeza de que todos os fatos serão devidamente esclarecidos." A Reag também disse que diversos fundos de investimentos mencionados na operação nunca estiveram sob sua administração ou gestão.A Trustee DTVM, outra gestora de recursos, também foi alvo e afirmou ter renunciado à administração de todos os fundos investigados antes mesmo da operação, por questões de compliance e desconformidade cadastral.O Banco Genial, administrador do Radford Fundo de Investimento Financeiro Multimercado Crédito Privado, citado como destino de dinheiro ligado ao PCC, disse que renunciou à prestação de todos os serviços do fundo até que o caso seja esclarecido pelas autoridades.Em nota divulgada no início da noite desta quinta, o banco disse que tomou conhecimento da operação pela imprensa e que, até o momento, não recebeu notificação oficial sobre a existência de investigações diretas ou indiretas envolvendo a instituição.4. RESPOSTA DO GOVERNOO ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta quinta que a Receita Federal irá enquadrar formalmente as fintechs como instituições financeiras. Isso significa que essas empresas terão que cumprir as mesmas obrigações de fiscalização, governança corporativa, ética e compliance regulatório que os grandes bancos. Uma nova instrução normativa será divulgada para detalhar a medida.Haddad também informou que a Receita Federal já lançou R$ 8 bilhões em autos de infração tributária após a megaoperação.O secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, criticou a campanha que levou à derrubada de uma norma de fiscalização do Pix no início do ano, afirmando que ela ajudou o crime organizado a bancarizar seus ganhos ilícitos no mercado.Em comunicado à imprensa, a Receita disse que vai publicar uma IN (instrução normativa) "direta e didática" com apenas quatro artigos, deixando claro que a medida tem o intuito de combater o crime e que não está criando nada de novo, apenas adotando as definições da lei já existente já aplicadas para as instituições financeiras.Segundo a Receita, as instituições de pagamento e as fintechs terão que apresentar a declaração e-Financeira, que tem dados sobre saldos, movimentações e aplicações.No início do ano, a Receita baixou uma norma para ampliar a fiscalização sobre bancos digitais e fintechs, mas a medida acabou sendo alvo de informações distorcidas envolvendo o Pix e a medida foi revogada. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) também baixou uma medida provisória para dizer que o Pix não seria taxado, isentando algo que já não era tributado.Um dos principais fatores para o cancelamento da norma pelo governo foi um vídeo crítico do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que hoje tem mais de 9 milhões de curtidas no Instagram.5. DISPUTAS INTERNASApesar do esforço coordenado, as três operações no mesmo dia sobre o mesmo tema também evidenciaram a disputa entre a Polícia Federal e o Ministério Público de São Paulo pela coordenação das investigações sobre o crime organizado.Ambas as instituições marcaram entrevistas coletivas simultâneas, e a PF inclusive levantou a suspeita de um possível vazamento das operações, dado que apenas 6 dos 14 alvos de prisão haviam sido encontrados.O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, considerou que a baixa taxa de prisões não é uma estatística normal para as operações da instituição e afirmou que a hipótese de vazamento poderá ser investigada, possivelmente em conjunto com o Ministério PúblicoO ministro Fernando Haddad pediu que as "disputas menores" fossem deixadas de lado para o combate ao crime.Bastidores da PolíticaÁguas de Manaus transforma vida do Manauara em pesadelo diário"; // imagens[1] = // ""; // imagens[4] = // ' source src = "/sites/all/themes/v5/banners/videos/vt-garcia-07-2023.mp4" type = "video/mp4" >'; // imagens[2] = // ""; // imagens[4] = // ""; // imagens[3] = // ""; // imagens[4] = // ""; index = Math.floor(Math.random() * imagens.length); document.write(imagens[index]);]]>