Onde nenhuma abelha jamais esteve; microrrobôs poderão polinizar plantações em Marte

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As abelhas podem ser substituídas por microrrobôs no futuro? A depender das pesquisas que têm sido realizadas nos modernos centros de inovação de tecnologia e inovação nos Estados Unidos, a resposta é sim. Embora não seja o plano dos cientistas que essa troca aconteça em todas as situações, há planos de uso desses drones minúsculos para cultivos em áreas em locais fechados e até de polinização mecânica em ambientes inóspitos como a superfície de Marte.Essas pesquisas têm avançado num momento em que fatores como o aquecimento global se juntam ao uso indiscriminado de produtos químicos na agricultura — para o combate às pragas – e colocam em risco a sobrevivência das abelhas. Esses insetos voadores cumprem um papel fundamental, voando de flor em flor, para coletar néctar e pólen. Essa polinização permite o cruzamento entre os gametas masculinos e femininos das plantas, garantindo a produção de vegetais, frutos e sementes.Leia também: IA no agronegócio enfrenta desafios humanos e regulatórios no BrasilA ideia de especialistas de centros como o Massachusetts Institute of Technology (MIT) é promover um método mais eficiente de polinização artificial, permitindo que os agricultores no futuro possam cultivar frutas e vegetais dentro de armazéns de vários níveis, aumentando a produtividade e mitigando alguns dos impactos nocivos da agricultura no meio ambiente.E para isso os pesquisadores estão desenvolvendo insetos robóticos que um dia poderão sair de colmeias mecânicas para realizar rapidamente uma polinização precisa. A dificuldade sempre foi reproduzir em laboratório a resistência, a velocidade e a manobrabilidade que as abelhas possuem.Recentemente, os cientistas anunciaram que, inspirados pela anatomia dos insetos polinizadores naturais, conseguiram revisaram o projetos originais para produzir minúsculos robôs aéreos que são muito mais ágeis e duráveis do que as versões anteriores.(Foto: Reprodução/MIT News)Leia também: IA, robótica e conectividade: as tecnologias que dominaram o debate na AgrishowOs novos bots, segundo uma publicação do MIT, podem pairar por cerca de 1.000 segundos, o que é mais de 100 vezes o resultado obtido em versões anteriores. O inseto robótico, que pesa menos que um clipe de papel, pode voar significativamente mais rápido do que bots semelhantes enquanto completa manobras acrobáticas como flips aéreos duplos.O robô renovado foi projetado para aumentar a precisão e a agilidade do voo, minimizando o estresse mecânico em suas flexões artificiais das asas, o que permite manobras mais rápidas, maior resistência e uma vida útil mais longa.Esse novo design também tem espaço livre suficiente para que o robô possa carregar pequenas baterias ou sensores, o que pode permitir que ele voe sozinho fora do laboratório.“A quantidade de voo que demonstramos neste artigo é provavelmente maior do que toda a quantidade de voo que nosso campo foi capaz de acumular com esses insetos robóticos. Com a vida útil aprimorada e a precisão deste robô, estamos nos aproximando de algumas aplicações muito interessantes, como a polinização assistida”, disse em artigo Kevin Chen, professor associado do Departamento de Engenharia Elétrica e Ciência da Computação (EECS, na sigla em inglês).Chen é acompanhado no artigo pelos co-autores principais Suhan Kim e Yi-Hsuan Hsiao, que são estudantes de pós-graduação do EECS; bem como o estudante de pós-graduação do EECS Zhijian Ren e o estudante visitante de verão Jiashu Huang. A pesquisa foi divulgada na Science Robotics.À CNN, Yi-Hsuan “Nemo” Hsiao, estudante de doutorado, afirmou que os pesquisadores esperam que um dia esses robôs possam ajudar na polinização artificial até mesmo em outros planetas. “Se você vai cultivar algo em Marte, provavelmente não vai querer levar muitos insetos naturais para fazer a polinização”, brincou Hsiao. “É aí que nosso robô poderia potencialmente entrar em ação”, explicou.A artigo explicou que o movimento das asas dos robôs é impulsionado por músculos artificiais., feitas de camadas de elastômero imprensadas entre dois eletrodos de nanotubos de carbono muito finos e, em seguida, enrolados em um cilindro mole. Os atuadores se comprimem e alongam rapidamente, gerando a força mecânica que bate as asas.Em projetos anteriores, quando os movimentos do atuador atingem as frequências extremamente altas necessárias para o voo, os dispositivos geralmente começavam a entortar. Isso reduzia a potência e a eficiência do robô. As novas transmissões inibem esse movimento de flexão-flambagem, o que reduz a tensão nos músculos artificiais e permite que eles apliquem mais força para bater as asas. O novo robô atingiu uma velocidade média de 35 centímetros por segundo.Agora, eles também querem melhorar a precisão dos robôs para que possam pousar e decolar do centro de uma flor. A longo prazo, os pesquisadores esperam instalar pequenas baterias e sensores nos robôs aéreos para que eles possam voar e navegar para fora do laboratório.Pesquisa em HarvardAlém do MIT, o Wyss Institute, da Universidade de Harvard, também está desenvolvendo os “RoboBees”, não só para aplicações na agricultura, mas para socorro a desastres, por exemplo. Segundo uma publicação, esses projetos estão dividido em três componentes principais: o Corpo, o Cérebro e a Colônia.“O desenvolvimento corporal consiste na construção de insetos robóticos capazes de voar por conta própria com a ajuda de uma fonte de energia compacta e perfeitamente integrada; o desenvolvimento do cérebro está preocupado com sensores ‘inteligentes’ e eletrônicos de controle que imitam os olhos e as antenas de uma abelha e podem sentir e responder dinamicamente ao ambiente; o foco da Colônia é coordenar o comportamento de muitos robôs independentes”, diz o texto.Esses minúsculos robôs batem as asas usando atuadores piezoelétricos – tiras de cerâmica que se expandem e contraem quando um campo elétrico é aplicado. Dobradiças finas de plástico embutidas em uma estrutura de fibra de carbono servem como juntas, e um sistema de controle delicadamente equilibrado comanda os movimentos rotacionais no robô de asa batendo, com cada asa controlada independentemente em tempo real.As aplicações do “RoboBees” podem incluir monitoramento ambiental distribuído, operações de busca e resgate e assistência na polinização de culturas.The post Onde nenhuma abelha jamais esteve; microrrobôs poderão polinizar plantações em Marte appeared first on InfoMoney.