Na manhã de sexta-feira (29), a Marfrig anunciou que o acordo para vender algumas de suas plantas no Uruguai para a Minerva (BEEF3) foi automaticamente rescindido, uma vez que atingiu o prazo de 24 meses desde a data de assinatura (28 de agosto de 2023) sem o cumprimento de certas condições contratuais. De acordo com a Marfrig, as duas partes não estão mais obrigadas a concluir o negócio no Uruguai. A Minerva, no entanto, emitiu um comunicado separado rejeitando a posição da Marfrig, argumentando que o contrato permanece válido e que a transação ainda está sob análise da autoridade antitruste do Uruguai (COPRODEC). A Minerva reafirmou seu compromisso de prosseguir com o processo de aprovação no país.À primeira vista, o Morgan Stanley aponta que este é um leve desdobramento negativo para a Minerva, um pequeno positivo para a Marfrig.O banco apontou ter analisado, em fevereiro de 2025, que “a concretização do negócio no Uruguai representaria um cenário ideal para a BEEF3, considerando o entendimento geral do mercado de que eventuais penalidades (por exemplo, taxas de rescisão) poderiam ser aplicadas em caso de descarrilamento”. Leia tambémTransação no Uruguai opõe Marfrig e Minerva em divulgações ao mercadoO caso envolve unidades de abate de bovinos de Colônia, Salto e San José, avaliadas em R$ 675 milhõesPara a Minerva, embora não tenha conhecimento de detalhes específicos sobre potenciais taxas de rescisão, o Morgan acredita ser razoável supor que possa haver um cenário negativo em que a não conclusão da transação no Uruguai leve a um pequeno desembolso de caixa da Minerva. “No que se refere à Marfrig, uma potencial/eventual entrada de caixa proveniente de uma taxa de rescisão seria um resultado positivo bastante pequeno, mas também vemos outro ângulo em relação a esses ativos: manter essas plantas é indiscutivelmente uma opção mais atraente hoje para a Marfrig, visto que os exportadores na América do Sul, exceto o Brasil, tendem a se beneficiar de uma mudança nas importações americanas do Brasil para a Austrália e outros países da América Latina (Argentina, Uruguai, Paraguai, por exemplo)”, avaliam os analistas. O banco também acredita ser importante considerar o fato de que as empresas atualmente discordam sobre o assunto, criando incerteza nas próximas semanas. “Para esclarecer, a nosso ver, se o acordo for mesmo cancelado, isso representa um pequeno ponto negativo para a BEEF3 e um pequeno ponto positivo para a MRFG3. Dito isso, dado o desacordo entre as partes, acreditamos que este assunto possa ser prorrogado”, avalia.O Morgan observa alguns pontos: primeiro, a Minerva está contestando a opinião da Marfrig de que o contrato atingiu o prazo final. Segundo, as autoridades uruguaias ainda não tomaram uma decisão final sobre a proposta revisada da Minerva referente às aquisições (ou seja, a venda de 2 das 3 plantas que seriam adquiridas da Marfrig). “Por fim, não temos informações detalhadas sobre cláusulas específicas do contrato referentes a eventuais taxas de rescisão. Dado o grau de incerteza neste momento, será fundamental monitorar os desenvolvimentos em relação à transação por parte da COPRODEC e também como ambas as empresas se envolverão no futuro. O anúncio de hoje é muito pequeno para prejudicar nossa tese atual em qualquer um dos dois nomes, mas vale a pena monitorar nas próximas semanas”, aponta. O Morgan tem recomendação overweight (exposição acima da média, equivalente à compra) para BEEF3 , enquanto tem recomendação underweight (exposição abaixo da média, equivalente à venda) para MRFG3. Na sexta, a ação MRFG3 subiu 5,37%, enquanto BEEF3 teve avanço de apenas 0,17%.The post Marfrig X Minerva: o que o mercado olha em meio à polêmica operação no Uruguai? appeared first on InfoMoney.