O que The Rogue of Prince of Persia pode nos ensinar sobre o tempo?

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“O tempo é rei e a vida uma lição”, já dizia Chorão. Independente de nossas crenças, as duas variáveis que permanecem imutáveis sobre nossa existência são o tempo e a morte. Uma coisa inevitavelmente leva a outra, e The Rogue of Prince of Persia me fez refletir sobre essas questões da vida enquanto jogava esse novo lançamento da Evil Empire em parceria com a Ubisoft.Prince of Persia não é uma franquia que conta com lançamentos tão frequentes. Prince of Persia The Lost Crown, lançado em 2024, foi o primeiro game da série em quase 15 anos. Nesse entremeio tivemos até um filme baseado na trilogia de jogos mais impactante da série, The Sands of Time - ok, talvez isso seja algo para esquecer -, mas novas peripécias do príncipe já estavam esquecidas há algum tempo.Mas, após um longo hiato, temos dois grandes acertos, com The Last Crown e agora The Rogue. E isso para mim reforça o clichê “dê tempo ao tempo”. Com mais de uma década de maturação, agora podemos retornar aos bons tempos, e não porque retornarmos ao passado, mas sim por olhar para o presente e sabermos que temos mais uma vez um príncipe guerreiro que nos faz vibrar com seus saltos miraculosos e batalhas por seu reino, com uma maestria sem igual, como podem ver no vídeo abaixo:Mas The Rogue vai muito além, e me traz outros pensamentos. Pensamentos que só o tempo, como as areias manipuladas pelo príncipe no passado, poderiam fazer surgir.A morte não te impede de tentar de novo. Num jogo, é claro.“Quando você tem muito tempo, pensa no tempo que passou” ou, em termos de jogabilidade, “quanto mais você joga, mais você aprende sobre o jogo”. Esses pensamentos representam muito bem jogos do subgênero roguelite, no qual, a cada partida, você ganha experiência, melhora seu jeito de jogar e se aprofunda na narrativa.The Rogue Prince of Persia talvez seja um dos melhores representantes da franquia justamente por essa relação com o tempo. A própria mecânica do roguelite te força a encarar a realidade de que não irá alcançar o sucesso na primeira tentativa. A cada nova incursão o jogador aprende um pouco mais sobre quais são os melhores caminhos, habilidades e macetes para facilitar sua vida numa nova tentativa. E isso representa muito o nosso dia-a-dia, onde temos que nos aperfeiçoar para nos tornarmos pessoas melhores.Nossa relação com o tempo é o que vai ditar nossa existência, impactando a qualidade de vida, trabalho e lazer. Devemos dar o devido tempo para que possamos aprender com erros e acertos; para que possamos crescer e nos desenvolver de maneira saudável - além de se divertir com nossos joguinhos, é claro.O tempo de todo mundo é o mesmo. Ou será que não?O Príncipe da Pérsia como uma pessoa abastada e com acesso a todos os recursos possíveis se arrisca fora dos muros protegidos de sua cidade para poder se aventurar. Na trama de The Rogue Prince of Persia ele possui um artefato mágico que permite retornar para um local seguro, caso morra. Ele utilizou este objeto em diversas ocasiões para enfrentar inimigos e explorar territórios sem nada temer, muitas vezes de maneira imprudente, já que sua vida não estava em perigo.Em paralelo podemos pensar no Aladdin, tão famoso dos filmes da Disney, que possui características semelhantes ao Príncipe, sejam elas culturais ou mesmo físicas. O ladrão que encontra a lâmpada mágica com um gênio, também gosta de se aventurar, dentro e fora dos muros de sua cidade, mas com uma diferença: ele era considerado um criminoso, e o fazia por questões de sobrevivência.Eventualmente Aladdin acaba se tornando, de certa maneira, um príncipe também. Isso acontece através de intervenção mágica, com seus pedidos atendidos pelo gênio da lâmpada. Dois protagonistas muito parecidos, mas que fazem uso da magia para atingir objetivos diferentes. Que usam o seu tempo de maneira diferente, pois seu status social não é o mesmo.Podemos viver como o Príncipe da Pérsia?Em nossa vida conhecemos vários Aladdins e alguns Príncipes. Pessoas que utilizam a magia que a vida lhes entrega para aproveitar seu tempo de maneira completamente opostas. Infelizmente não é sempre que podemos nos dar o luxo de apenas existir e nos aventurar e instigar o nosso corpo e mente com as belezas que o mundo tem a oferecer.Tudo isso por falta de tempo, pois devemos trabalhar, pagar contas, tentar não surtar, cuidar de nossos filhos e outras mil obrigações que se apresentam todos os dias. Enquanto existem Príncipes aproveitando todas as benesses desta magia para fugir dos muros do palácio e viver de forma arriscada, até irresponsável. O que acaba prejudicando pessoas amadas, como acontece em The Rogue Prince of Persia.Apesar das poucas linhas de diálogo, a narrativa de The Rogue Prince of Persia consegue nos mostrar uma evolução do nosso protagonista e como as consequências ruins de seus atos afetam seu reino e as pessoas que lhe são importantes. Através de seu artefato ele recebe novas tentativas para remediar suas atitudes e salvar a todos da invasão inimiga. Nós, em nosso cotidiano, infelizmente não podemos contar com tal artefato mágico para podermos voltar no tempo e arrumar nossas “cagadas”. Então, pense mais sobre como usar o seu tempo, para poder viver mais aventuras como um Príncipe sem boletos para pagar e que nunca pegou um “busão” lotado.Sonhamos como o Aladdin em ter nossos desejos realizados, e por isso batalhamos todos os dias, sobrevivendo como podemos, até alcançar esse momento mágico, que pode nunca chegar. Mas, às vezes, só queremos fingir que somos o Príncipe da Pérsia com um artefato mágico, e nos dar mais uma chance para tentar, errar, aprender e voltar ao início de tudo, sem danos ou julgamentos. Ás vezes, acho que dá para arriscar, afinal, “o tempo não para”.Para informações mais técnicas sobre The Rogue of Prince of Persia, você pode conferir o excelente review de Victor Alcaide aqui no Voxel.O novo jogo da franquia já está disponível para PC via Steam, Xbox Series S/X e Playstation 5 (futuramente desembarca nos consoles da Nintendo) — uma cópia da versão da Steam foi enviada para a realização deste texto.