79 milhões de processos estavam em tramitação na justiça brasileira no fim de junho, segundo o Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Os dados de movimentação financeira mais recentes do órgão mostram que R$ 491 bilhões foram transacionados em 2023 somente com depósitos judiciais. Com o alto volume de causas e de dinheiro movimentado, empresas que enxergam os processos como oportunidades de investimento vêm sofisticando os produtos que ligam a justiça ao mercado financeiro.Uma delas, o Preâmbulo Bank, lançou uma conta digital que permite negociar precatórios – obrigações de pagamento pelo poder público após decisão judicial –, contratar crédito usando valores a receber em processos como garantia e fazer movimentações do dia a dia, como transferências via Pix e pagamento de boletos. Leia também: Além do varejo: empresas de serviços usam Black Friday para fidelizar clientes A grande novidade, segundo a empresa, está na rapidez para antecipar valores a receber em processos. Os clientes, que antes aguardavam anos para acessar valores já reconhecidos judicialmente, podem ter liquidez imediata mediante uma taxa de desconto – a remuneração da companhia por antecipar os recebíveis. “Geramos liquidez e criamos uma nova modalidade de garantia que bancos tradicionais, por não terem conhecimento, não entram”, diz Kazan Costa, CEO da Preâmbulo Bank. Ele explica que, com dados e inteligência artificial, a companhia Do Pix ao precatórioA fintech nasceu há dois anos e é o braço financeiro da Prêambulo Tech, empresa já tradicional que completa 37 anos em 2025 e tem sistemas de gestão para advogados autônomos e escritórios de advocacia. Segundo a empresa, 20% dos processos judiciais ativos no Brasil passam por seus sistemas, onde os advogados cadastram as ações, gerem contratos, cobram clientes e acompanham os processos. Hoje, mais de um milhão de advogados estão cadastrados na plataforma.Com os softwares de gestão rodando, o grupo resolveu criar o banco para advogados: “os valores identificados em oportunidade de crédito são colossais”, diz Costa. Os 600 escritórios conectados ao Prêambulo Bank, recebem relatórios sobre as chances de sucesso de uma ação ajuizada. Com base nisto, a fintech pode oferecer seus produtos que se dividem em quatro verticais. A primeira vertical, de crédito, tem duas soluções. Um cliente pode tomar um empréstimo usando valores a receber em uma ação como garantia. Na outra, a parte perdedora pode buscar crédito para pagar o que foi determinado pela justiça. Na vertical de seguros, a fintech oferece uma solução que garante o pagamento de valores devidos pela empresa em ações judiciais, substituindo a necessidade de depósitos em juízo ou penhora de bens. Sede da Prêambulo Tech, em Curitiba. Empresa tem o Prêambulo Bank como o braço financeiro do grupo (Divulgação)Já a vertical de precatórios tem um pipeline de R$ 40 milhões por mês. Quem tem valores a receber de um órgão do poder público pode vender o crédito ao Prêambulo Bank. Costa explica que, com os dados, a empresa mapeia os processos com potencial para gerar precatórios. A partir daí, os advogados podem apresentar aos clientes a proposta para antecipação do dinheiro que pode levar anos para ser liberado. Leia também: Digitalização das duplicatas vai revolucionar o crédito empresarial; entenda Além das soluções de crédito, a fintech quer ser o único banco que o advogado precisa. Para isto, colocou todas as verticais dentro de uma conta digital que permite fazer transferências, gerir e automatizar os fluxos de contas a pagar e receber dos escritórios. Para ter acesso à plataforma, é preciso ter um convite. Os advogados que usam outras soluções do grupo são indicados para a fintech e podem convidar clientes que vão usar algum produto do banco. Crescimento de 30% ao anoA conta digital para advogados movimenta R$ 100 milhões por mês atualmente, mas o objetivo é chegar a R$ 500 milhões até o fim de 2026, diz o CEO do Prêambulo Bank. No crédito, os valores “colossais” em oportunidades identificadas chegaram a R$ 950 milhões em 2024 e devem subir para R$ 1,78 bilhão neste ano. Para dar vazão às oportunidades, a fintech se conectou a 25 fundos que podem comprar os créditos judiciais: “às vezes nos falta o funding necessário”, diz Kazan Costa. Além da parceria com gestoras, o banco criou seu próprio FIDC (Fundo de Investimento em Diretos Creditórios). Os créditos são lastrados em honorários de advogados descritos em contrato – na prática, o fundo antecipa aos profissionais os valores que seus clientes pagariam no futuro em troca de um desconto. A expectativa de Costa é que a Prêambulo Tech cresça pelo menos 30% em 2025. Nos próximos anos, o crescimento esperado fica entre 30% e 40%. Isso será possível, segundo o executivo, com o investimento em inteligência artificial para gerar eficiência e unificação de todas as 25 soluções do grupo em uma plataforma. A ideia é usar IA para “potencializar as relações humanas, onde o homem é insubstituível, e permitir que os advogados sejam menos repetidores de tarefas”. “Estamos construindo a nova advocacia”, conclui Kazan Costa. The post Fintech lança conta digital para gerir precatórios e fatura com processos na justiça appeared first on InfoMoney.