O cessar-fogo estabelecido entre Estados Unidos, Irã e Israel é considerado frágil e questionável, sendo interpretado de maneiras diferentes pelas três partes envolvidas no conflito no Oriente Médio. A análise foi feita por Ana Carolina Marson, professora de Relações Internacionais da FESP, em entrevista ao Hora H. < /p>Segundo a especialista, enquanto os Estados Unidos têm sua própria interpretação do cessar-fogo, o Irã possui outra visão do acordo. Já Israel, por sua vez, afirma claramente que o cessar-fogo não inclui o Líbano, e continua realizando ataques na região. “Benjamin Netanyahu acabou de fazer uma postagem em uma rede social deixando claro que o cessar-fogo não abarca o Líbano, que os ataques vão continuar”, explicou a professora.A situação permanece tensa, com Netanyahu afirmando que pediu para sua equipe abrir um canal de comunicação com autoridades libanesas, mas que as conversas aconteceriam ainda sob ataque. “Mesmo que Benjamin Netanyahu se mostre favorável a conversar com as autoridades libanesas, ainda assim ele diz que isso aconteceria enquanto ataca o país”, destacou Ana Carolina.Acusações mútuas de quebra do acordo Leia Mais Irã dá ordem para militares interromperem ataques, diz mídia estatal Netanyahu não sabia qual caminho Trump escolheria sobre o Irã, dizem fontes Países do Oriente Médio reagem ao cessar-fogo entre EUA e Irã; veja O cenário é agravado por acusações de ambos os lados sobre violações do cessar-fogo. “Estados Unidos acusam o Irã de ter quebrado o cessar-fogo, assim como o Irã acusa os Estados Unidos também de quebrar o cessar-fogo. Israel também é acusado dessa quebra, não só por causa da situação do Líbano”, explicou a especialista, acrescentando que o Estreito de Ormuz segue fechado pelo Irã.Apesar da fragilidade, a professora ressalta que o cessar-fogo é importante para iniciar as negociações, embora elas sejam tensas e possam levar tempo para se concretizar. “É claro que é importante que esse canal de negociação tenha sido aberto, mas essas negociações ainda vão levar um tempo para se concretizar”, afirmou.Interesses políticos e negociações futurasUm fator importante para o possível avanço das negociações é o interesse dos Estados Unidos em não prolongar o conflito. “Donald Trump não quer mais fazer a manutenção dos Estados Unidos nesse conflito, já ficou além do que ele queria”, analisou a professora, lembrando que Trump, que sempre foi contrário a intervenções longas fora dos EUA, agora se vê em uma guerra de pouco mais de um mês, o que já afetou sua popularidade.Entre os pontos mais sensíveis nas negociações estão o enriquecimento de urânio pelo Irã e a questão dos mísseis balísticos. “O primeiro ponto é a questão das possíveis armas nucleares do Irã. O Irã já teria urânio enriquecido a 60%. Para fazer uma bomba nuclear você precisa de urânio enriquecido a 90%”, explicou a especialista.Ana Carolina destacou que os EUA exigem que o Irã não realize nenhuma forma de enriquecimento de urânio, o que afetaria até mesmo a segurança energética do país, já que para uso energético é necessário enriquecimento de 30%. “Esse ponto vai ser um ponto de divergência, porque o Irã alega que isso vai contra a soberania iraniana”, concluiu a professora. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.