No último dia completo da missão Artemis 2 no espaço, a tripulação iniciou a manhã ao som de “Lonesome Drifter”, de Charley Crockett, enquanto a nave se aproximava da Terra a uma distância de 237.115 km.Os astronautas da NASA Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, além do astronauta Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), continuam os preparativos para o retorno ao planeta, previsto para esta sexta-feira (10).Entre as atividades programadas estavam a revisão dos procedimentos de reentrada na atmosfera e do pouso no oceano, além da execução de uma manobra de correção de trajetória de retorno.Segundo a NASA, os astronautas chegaram à metade do caminho em sua jornada de volta à Terra, partindo da Lua.A agência espacial destacou que o momento atual da missão coloca em evidência o trabalho de engenheiros e técnicos responsáveis por garantir uma reentrada segura na Terra.Durante uma coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (9), o administrador associado da agência, Amit Kshatriya, enfatizou a importância da equipe técnica na etapa decisiva da missão.“A cada engenheiro, a cada técnico que tocou nesta máquina, o amanhã pertence a vocês”, afirmou. Segundo ele, após o desempenho da tripulação, cabe agora às equipes em solo assegurar o sucesso da operação. “A tripulação fez a sua parte. Agora temos que fazer a nossa.”A fase de reentrada é considerada crítica, exigindo precisão absoluta nos cálculos e na execução dos procedimentos. O diretor de voo da missão Artemis II, Jeff Radigan, reforçou a necessidade de exatidão durante o processo.“Vamos direto ao ponto”, disse Radigan durante o briefing de quinta. “Precisamos acertar o ângulo corretamente, caso contrário, não teremos uma reentrada bem-sucedida.”Com a Orion ganhando velocidade em direção à Terra, o foco da missão se volta totalmente para a atuação das equipes técnicas, responsáveis por conduzir a nave com segurança através da atmosfera terrestre.Preparação da cabine para reentradaComo parte das tarefas do dia, Christina Koch e Jeremy Hansen iniciaram a organização da cabine da espaçonave. A atividade incluiu guardar os equipamentos utilizados durante a missão, remover cargas e redes de armazenamento, bem como instalar e ajustar os assentos da tripulação. O objetivo é garantir que todos os itens estejam devidamente seguros antes da reentrada na atmosfera terrestre.A tripulação também está revisando as informações mais recentes sobre as condições meteorológicas, o status das equipes de recuperação e o cronograma de entrada. Ao longo do dia, os astronautas trabalharam nos procedimentos que serão executados após o pouso.Os propulsores da espaçonave Orion estão programados para serem acionados às 23h53 (horário de Brasília) para a segunda manobra de correção da trajetória de retorno. A operação tem como objetivo ajustar com maior precisão o caminho da nave em direção à Terra e garantir o alinhamento adequado para a reentrada na atmosfera.Durante a execução da manobra, Jeremy Hansen será responsável por revisar as etapas do procedimento e monitorar os sistemas de orientação, navegação e propulsão da Orion. Com essas atividades, a missão entra em sua fase final, concentrando esforços para assegurar um retorno seguro da tripulação à Terra.Equipe de engenheiros na Terra passam a ter protagonismo a partir de agora – ROBERT MARKOWITZ NASA-JSCLeia mais:Artemis 2: cientistas ficam surpresos com impactos de micrometeoros na LuaO elo entre Apollo e Artemis: como uma órbita em forma de 8 está levando a humanidade de volta à Lua“Beleza e escuridão”, astronautas da Artemis 2 contam como é o espaço profundoLinha do tempo: o que aconteceu dia a dia na missão Artemis 2Dia 1 (1º de abril): o retorno ao espaço profundoSuperação de obstáculos: antes da decolagem, a NASA precisou corrigir uma falha de última hora no sistema de destruição do foguete. Entenda o problema técnico que quase adiou a missão;O lançamento: às 19h35 (horário de Brasília), o superfoguete SLS decolou da Flórida, levando quatro astronautas a bordo. Saiba como foi o lançamento histórico aqui;Painéis solares: pouco após entrar em órbita, a Orion abriu seus quatro painéis solares em formato de “X”, garantindo os 11 quilowatts de energia necessários para a viagem;Ajuste de órbita: a nave realizou uma manobra de elevação, estabelecendo uma órbita elíptica entre 185 km e 2.222 km de altitude para testes iniciais de sistemas.Dia 2 (2 de abril): o “chute” rumo à LuaRotina e exercícios: a tripulação testou o novo dispositivo de exercícios flywheel e despertou ao som de “Green Light”, de John Legend, escolhida pelo controle de missão;“Encanadora espacial”: a astronauta Christina Koch realizou um reparo de emergência no sistema sanitário da nave, garantindo o conforto da tripulação para o restante da viagem. Em vídeo, a astronauta conta como consertou o banheiro da Artemis 2;Injeção Translunar (TLI): às 20h49 (Brasília), a Orion acionou seus motores por quase seis minutos, saindo da órbita da Terra e entrando oficialmente na trajetória de cruzeiro para a Lua. Entenda em detalhes o que é a manobra que colocou a Orion na rota lunar.Dia 3 (3 de abril): chegando cada vez mais pertoA equipe testou vários equipamentos de primeiros socorros, como termômetro, monitor de pressão arterial, estetoscópio e otoscópio;Realizaram testes no sistema de comunicações de emergência da Orion com a Rede de Espaço Profundo da NASA;Também puderam conversar com a imprensa e familiares, destacando suas primeiras impressões sobre o espaço e a Terra vista de longe;Com a realização da TLI um dia antes, a Orion entrou na chamada magnetocauda, extensão do campo magnético do planeta, semelhante a um cometa, que se estende por milhões de quilômetros, formada pelo vento solar que comprime e alonga o campo magnético.Dia 4 (4 de abril): a pilotagem manual da OrionNo quarto dia de missão, cada membro da tripulação teve uma hora dedicada à revisão dos alvos geográficos que deverão fotografar no sexto dia de voo;A equipe também teve que resolver problemas no banheiro da cápsula Orion. A resolução foi parcial;Durante a noite, os astronautas Christina Koch, da NASA, e Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadense (CSA), realizaram um teste de pilotagem manual da nave. Eles se revezaram no comando da Orion e executaram manobras em dois modos distintos de propulsão;Paralelamente, os astronautas analisaram uma lista de alvos fornecida pela equipe de ciência lunar. O material reúne características da superfície da Lua que serão registradas durante o sobrevoo previsto para segunda-feira (6). Dia 5 (5 de abril): a pilotagem manual da OrionTestes dos trajes: a tripulação dedicou grande parte da manhã a avaliar o Sistema de Sobrevivência da Tripulação Orion em ambiente espacial;Operação inédita: os astronautas se tornaram os primeiros a vestir e operar os novos trajes no espaço, testando rapidez e pressurização em emergências;Correção de trajetória: a Orion executou com sucesso a queima final (que seria a terceira) para ajustar o curso rumo à Lua.Dia 6 (6 de abril): quebra de recordes e vislumbre de um eclipse solar totalOs tripulantes a bordo da cápsula Orion bateram o recorde de distância percorrida por alguém a partir da Terra, quebrando o recorde (400 mil km) estabelecido em 1970 pela tripulação da Apollo 13;A equipe sobrevoou a Lua e fez análises sobre sua topografia e batizou uma cratera;No fim do dia, durante quase uma hora, eles puderam acompanhar um eclipse solar total que só pôde ser visto por eles. Eles aproveitaram para observar mais a Lua e o Sol.Dia 7 (7 de abril): descanso merecidoOrion saiu da esfera de influência lunar;Donald Trump, presidente dos EUA, conversou com os tripulantes;Um dos motores da cápsula foi acionado para realizar a primeira de três manobras de correção de rota;Restante do dia livre para os astronautas.Dia 8 (8 de abril): dia de testesTestes de vestuário para intolerância ortostática;Testes de pilotagem manual.Dia 9 (9 de abril):Revisão dos procedimentos de reentrada na atmosfera e do pouso no oceano;Organização da cabine;Execução de manobra de correção de trajetória de retorno.Artemis 2: o que está planejado para os próximos diasA agência espacial dos Estados Unidos detalhou o plano de dez dias da missão Artemis 2. Confira abaixo:Dia 10O último dia da missão Artemis 2 concentra-se em trazer a tripulação de volta para casa em segurança. Uma última queima de correção de trajetória de retorno garantirá que a Orion esteja no caminho certo para o pouso na água. A tripulação retornará sua cabine à configuração original, com os equipamentos guardados e os assentos em seus lugares, e vestirá seus trajes espaciais.O módulo da tripulação se separará do módulo de serviço, cujos motores os guiaram ao redor da Lua e de volta à Terra. Isso vai expor o escudo térmico do módulo da tripulação, que protegerá a espaçonave e a tripulação enquanto atravessam a atmosfera terrestre e temperaturas de até cerca de 1.650ºC.Uma vez que tenham passado com segurança pelo calor da reentrada, a cobertura que protegia o compartimento dianteiro da espaçonave será ejetada para dar lugar a uma série de paraquedas (dois paraquedas de frenagem que reduzirão a velocidade da cápsula para cerca de 495 km/h, seguidos por três paraquedas piloto que acionarão os três paraquedas principais finais). Essas manobras reduzirão a velocidade da Orion para aproximadamente 27 km/h para um pouso no Oceano Pacífico, onde pessoal da NASA e da Marinha dos EUA estarão esperando, concluindo a missão Artemis 2.Quer saber mais sobre a jornada da NASA rumo à Lua? Confira nossa cobertura especial sobre a Artemis 2.O post Está quase no fim! Confira como foi o nono dia da missão Artemis 2 apareceu primeiro em Olhar Digital.