Nos últimos meses, o Project Maven se tornou uma peça-chave na estratégia militar dos EUA contra o Irã. O sistema de IA analisa em alta velocidade imagens de satélite, drones e outros sensores para destacar automaticamente possíveis alvos.Além de exibir os pontos identificados em mapas, o Maven sugere quais armas são necessárias utilizar contra cada alvo. Anduril e Palantir: a ligação entre Tolkien, IA e tecnologia militar Anthropic desenvolveu nova IA que pode facilitar ataques hackers; entenda IA deve acelerar ataques cibernéticos, alertam OpenAI e Anthropic Até o fim de março de 2026, o governo norte-americano afirmou ter atingido aproximadamente 11 mil alvos no Irã desde o início dos conflitos no Oriente Médio; muitos deles foram identificados justamente com ajuda de inteligências artificiais como o Maven.Palantir, Project Maven e Inteligência ArtificialApós a saída do Google do Maven em 2018, a Palantir fez uma parceria com o Pentágono e assumiu a liderança do projeto. Na ocasião, o Google havia sido parceiro inicial do Pentágono, mas uma greve de funcionários motivou sua retirada.Foi assim que a Palantir, empresa de análise de dados fundada por Peter Thiel, entrou em cena. Assim surgiu a plataforma Maven Smart System, da Palantir, um sistema que utiliza IA para processar imagens e gerar sugestões de alvos.Alguns anos depois, em 2024, o Pentágono fechou um contrato de meio bilhão de dólares com a Palantir para expandir o Maven, e em 2025 elevou o acordo para cerca de US$ 1,3 bilhão.The Future of Warfare | PalantirEm março de 2026, um memorando do Pentágono determinou que o Maven Smart System fosse formalizado como programa oficial de longo prazo. Dessa forma, o Maven se tornou um dos principais sistemas de IA de apoio a decisões de combate usado pelas Forças Armadas dos EUA.“A rápida implementação e adoção de tecnologias críticas, incluindo o uso ágil, eficaz e responsável de IA e aprendizado de máquina, são essenciais para que os Estados Unidos mantenham sua vantagem competitiva”, disse o presidente da Palantir USG, Akash Jain, em um comunicado oficial da empresa.O que é o Project Maven?O Project Maven é oficialmente chamado de Algorithmic Warfare Cross-Functional Team (Equipe Multifuncional de Guerra Algorítmica); trata-se de uma iniciativa do Departamento de Defesa dos EUA lançada em 2017 para acelerar o uso de aprendizado de máquina em áreas de inteligência militar.Inicialmente, o Maven era um experimento que analisava e rotulava imagens de drones, mas evoluiu para um sistema completo baseado em IA.Para fazer essas análises, o Maven usa redes neurais treinadas para reconhecer imagens. Com isso, ele processa grandes volumes de dados de satélites, drones, radares e relatórios de inteligência para identificar possíveis ameaças ou alvos de forma automática.Além disso, o Maven inclui um módulo de planejamento de ataque, conhecido como Asset Tasking Recommender (Recomendador de Alocação de Recursos). O que ele faz é ajudar a sugerir qual tipo de arma e munição deve ser utilizados contra o alvo.Project Maven e ataques no IrãApesar de já existir desde 2017, o Maven só começou a ficar amplamente conhecido durante os confrontos recentes no Irã. Informações indicam que o sistema permitiu acelerar o ritmo de ataques, permitindo centenas de alvos por dia.O que o Maven está fazendo é analisar, em tempo real, imagens de vigilância da área de combate no Irã e destacar pontos onde pode haver atividade inimiga. Contudo, não se engane: ele não faz tudo sozinho.A partir das análises e dados obtidos, analistas humanos verificam essas informações para compreender se é possível seguir com os ataques.No Maven, algoritmos treinados com dados militares podem identificar padrões, como formatos de veículos e estruturas usadas em operações militares. • Créditos: PalantirO sistema pode até organizar uma lista de possíveis alvos para priorizar os casos mais críticos, mas a decisão final continua nas mãos de oficiais reais. Então, o Maven não dispara armas sozinho. Segundo a Palantir, seu software “não toma decisões letais”. Isso significa que ele apenas faz recomendações, enquanto o operador humano deve selecionar e aprovar cada alvo.O futuro do uso das IAs em guerraO uso de IAs em operações militares está apenas começando. Inclusive, analistas consideram que a tecnologia da Palantir está “inaugurando” uma nova era nos conflitos.Atualmente, já existem programas para veículos não tripulados capazes de patrulhar áreas ou coletar inteligência sem pilotos humanos, seja drones, robôs terrestres ou outros tipos de máquinas.No futuro, será ainda mais comum grupos de drones operando juntos com ajuda de IA, sistemas analisando sinais de comunicação em tempo real e operações militares organizadas por softwares que preveem cenários com antecedência.Claro, é importante destacar que há questões éticas e políticas que limitam o uso da IA em conflitos. Já existem diversas regras que determinam que a decisão final em operações militares deve ser tomada por humanos.Além disso, há cada vez mais uma pressão internacional para criar normas que controlem o uso de armas e sistemas autônomos.Drones espiões: entenda tecnologia de monitoramento de territórios