EUA e Irã iniciam negociações sob clima de tensão e troca de ameaças

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Estados Unidos e Irã começam as negociações para um acordo de paz definitivo começaram neste sábado (11), na cidade de Islamabad, capital do Paquistão. O país declarou feriado nacional na quinta e sexta-feira para ajustar os últimos preparativos antes do encontro das delegações.Aos poucos, a população deixou as ruas para dar lugar a militares fortemente armados.O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, afirmou que o momento é decisivo e pediu orações para que a paz reine nas conversas. No entanto, a retórica da guerra continua inflamada entre as duas partes.O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou retomar operações militares — e com intensidade ainda maior — caso não se chegue a um acordo.  Leia Mais Negociador diz que Irã tem "boa vontade", mas não tem confiança nos EUA Hezbollah pede que governo libanês recuse negociações com Israel "Este é um momento decisivo", diz premiê do Paquistão sobre EUA e Irã “Estamos carregando os navios com as melhores munições, as melhores armas já feitas – melhores do que tínhamos feito e nós os explodimos”, afirmou ao jornal New York Post.A caminho de Islamabad, o vice-presidente americano JD Vance, preferiu demonstrar um otimismo contido.“Olha, estamos ansiosos para as negociações. Eu acho que serão positivas. A gente vai ver, é claro se os iranianos estão dispostos a negociar em boa fé; nós certamente estamos dispostos a estender a mão”, disse antes de embarcar no Air Force One em direção a Islamabad.Já o governo do Irã diz que é impossível negociar enquanto seguirem os ataques ao Líbano e os recursos financeiros do país, que estão retidos, não forem liberados. Ao chegar no Paquistão, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammed Bagher Ghalibaf, trata Washington com desconfiança.“Nós temos boa vontade, mas não confiamos neles… Infelizmente, nossa experiência de negociar com os americanos sempre terminou em fracasso e descumprimento de compromissos”, disse Ghalibaf.Além do parlamentar, o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Akbar Ahmadian e pelo presidente do Banco Central, Abdolnaser Hemmati também representam os iranianos nas negociações.Do lado dos EUA, Vance lidera a comitiva, que também conta com a presença do enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner.A expectativa é que as partes cheguem a um acordo sobre a agenda de negociações por meio de mediadores paquistaneses, em conversas indiretas. A partir disso, eles devem ter negociações diretas.Nenhum dos governos detalha como serão as negociações, nem mesmo se Estados Unidos e Irã terão conversas diretas ou indiretas. No entanto, cada país tem prioridades muito bem definidas: os americanos querem a abertura de Ormuz, e o Irã, um cessar-fogo no Líbano.A pressão pela trégua em Beirute ultrapassa Teerã e chega à Europa. O presidente da França, Emmanuel Macron, o primeiro-ministro britânico Keir Starmer e o premiê espanhol, Pedro Sánchez, cobraram o fim dos bombardeios israelenses na região.O primeiro-ministro espanhol foi o mais duro e defendeu um rompimento com Israel. “Porque é evidente que Israel está desrespeitando e violando muitos dos artigos desse acordo, especialmente os relacionados com o respeito pelo direito internacional e pelo direito humanitário”, disse Sánchez.Depois de ser cobrado por Trump, Benjamin Netanyahu cedeu parcialmente. O premiê se disse aberto a conversas com o governo do Líbano. O Hezbollah, no entanto, se posiciona contra Beirute negociar com Israel.Desde o início do cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, ataques israelenses mataram 357 pessoas no Líbano, segundo o Ministério da Saúde do país.